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[1] Vendo Jônatas que o tempo trabalhava em seu favor, escolheu alguns homens e os enviou a Roma para confirmar e renovar a amizade recíproca.

[2] Também aos espartanos e a outros lugares enviou cartas no mesmo sentido.

[3] Os enviados, pois, dirigindo-se a Roma, entraram no Senado e disseram: “O sumo sacerdote Jônatas e a nação dos judeus enviaram-nos para que renoveis a amizade e a aliança com eles tal como outrora,”

[4] E os romanos lhes entregaram cartas para as autoridades locais, a fim de que lhes favorecessem o retorno tranqüilo até à terra de Judá.

[5] Quanto à carta que Jônatas escreveu aos espartanos, eis aqui a cópia:

[6] “O sumo sacerdote Jônatas, o conselho da nação, os sacerdotes e todo o povo dos judeus, aos espartanos, seus irmãos, saudações!

[7] Já em tempos passados foi enviada ao sumo sacerdote Onias uma carta, da parte de Ario, vosso rei, atestando que sois nossos irmãos, conforme a cópia que vai anexa.

[8] Onias recebeu com honras o portador enviado e aceitou a carta, na qual se falava claramente de aliança e amizade.

[9] Quanto a nós, embora não precisemos de tais coisas, pois temos por consolo os livros santos que estão em nossas mãos.

[10] Fizemos a tentativa de enviar-vos uma embaixada para renovar a fraternidade e amizade convosco, a fim de não nos tornarmos estranhos a vós. De fato, passou já muito tempo desde que nos mandastes a vossa embaixada.

[11] De nossa parte, em todo tempo e ininterruptamente, nas festas e nos outros dias estabelecidos, lembramo-nos de vós nos sacrifícios que oferecemos e nas orações, porquanto é justo e conveniente recordar-se dos irmãos.

[12] Sentimos alegria pela vossa glória.

[13] A nós, contudo, circundaram-nos muitas tribulações e muitas guerras, pois os reis nossos vizinhos nos atacaram.

[14] Durante essas guerras, porém, não quisemos molestar-vos, nem aos outros nossos aliados e amigos.

[15] Porque recebemos do Céu o socorro que nos ajuda. Assim ficamos livres de nossos inimigos, que foram humilhados.

[16] Tendo, pois, escolhido a Numênio, filho de Antíoco, e a Antípatro, filho de Jasão, enviamo-los aos romanos para renovarem a amizade e aliança que nos uniam a eles outrora.

[17] Demos-lhes instruções também para que fossem ter convosco, para saudar-vos e entregar-vos esta nossa carta, referente à renovação da nossa fraternidade.

[18] Agora, pois, fareis bem em responder-nos sobre este assunto.”

[19] Segue a cópia da carta por eles outrora enviada a Onias:

[20] “Ario, rei dos espartanos, ao grande sacerdote Onias, saudações!

[21] Encontrou-se, num documento referente aos espartanos e aos judeus, a informação de que são irmãos e que pertencem à descendência de Abraão.

[22] Agora, pois, que chegamos ao conhecimento disto, fareis bem se nos escreverdes sobre a vossa situação.

[23] De nossa parte, respondemo-vos que o vosso gado e os vossos bens são nossos, da mesma forma como aquilo que nos pertence é vosso. Ordenamos, pois, que vos seja enviada uma mensagem neste sentido.”

[24] Entretanto, Jônatas soube que os generais de Demétrio haviam regressado com um exército mais numeroso que antes, a fim de atacá-lo.

[25] Partiu então de Jerusalém, marchando ao encontro deles na região de Amatite, sem dar-lhes tempo de entrarem no seu território.

[26] Enviou espiões ao acampamento inimigo, os quais, voltando, referiram-lhe que eles estavam já preparados para cair de surpresa sobre os judeus, durante a noite.

[27] Por isso, logo que se pôs o sol, Jonatas ordenou aos seus que vigiassem e ficassem de armas em punho, preparados para o combate durante toda a noite, e destacou sentinelas avançadas ao redor do acampamento.

[28] À notícia de que Jônatas e os seus estavam prontos para o combate, os adversários tiveram medo e perturbaram-se em seu coração. Acenderam então fogueiras em seu acampamento e retiraram-se.

[29] Mas Jônatas e os seus nada perceberam até pela manhã, pois viam as fogueiras acesas.

[30] Então partiu Jônatas em sua perseguição, mas não conseguiu alcançá-los: eles já haviam atravessado o rio Efêmero.

[31] Foi nessa ocasião que Jônatas se voltou contra os árabes chamados zabadeus, batendo-os e apoderando-se dos seus despojos.

[32] Depois, tendo levantado o acampamento, dirigiu-se a Damasco e percorreu toda a região.

[33] Também Simão tinha partido e percorrido o território até Ascalon e as fortalezas vizinhas, donde se dirigiu depois contra Jope, assenhoreando-se dela.

[34] De fato, chegara-lhe aos ouvidos a intenção dos habitantes de entregarem a fortaleza aos partidários de Demétrio. Por isso deixou ali um destacamento para a guardar.

[35] Tendo regressado, Jônatas convocou a assembléia dos anciãos do povo e com eles tomou a decisão de edificar fortalezas na Judéia.

[36] Levantar ainda mais os muros de Jerusalém e erguer uma alta barreira entre a Cidadela e a cidade. Assim se efetivaria a separação entre ambas, para que a Cidadela ficasse isolada e seus ocupantes não pudessem nem comprar nem vender.

[37] Então se reuniram para reedificarem a cidade. Tendo caído uma parte do muro da torrente que dá para o levante, Jônatas fez reparar a secção chamada Cafenata.

[38] Simão, por sua vez, reconstruiu Adida na Sefelá, fortificou-a e muniu-a de portas e ferrolhos.

[39] Trifão, entretanto, ambicionava tornar-se rei da Ásia e cingir o diadema, depois de estender a mão contra o rei Antíoco.

[40] Mas receava que Jônatas não o permitisse ou que lhe fizesse guerra. Por isso procurava capturá-lo para poder suprimi-lo. Tendo, pois, levantado acampamento, dirigiu-se a Betsã.

[41] Também Jônatas, saindo ao seu encontro com quarenta mil homens escolhidos para um combate ordenado, marchou até Betsã.

[42] Quando Trifão viu que ele tinha chegado com um exército numeroso, ficou com receio de estender a mão contra ele.

[43] E o recebeu com honras, apresentando-o a todos os seus amigos e oferecendo-lhe presentes, além de ordenar a seus amigos e às tropas que lhe obedecessem como a ele próprio.

[44] A seguir disse a Jônatas: “Por que motivo causaste transtorno a toda esta gente, se não há entre nós ameaça alguma de guerra?

[45] Por isso, manda-os de volta às suas casas, depois de escolheres para ti uns poucos homens que estejam contigo, e vem comigo a Ptolemaida. E eu a entregarei a ti junto com as outras fortalezas, o restante das tropas e todos os encarregados dos negócios. Depois, tomando o caminho da volta, partirei, pois é para isto que estou aqui.”

[46] Acreditando nele, Jônatas agiu de acordo com as suas palavras: licenciou suas tropas, que se retiraram para a terra de Judá.

[47] E reteve consigo três mil homens. Desses, deixou dois mil na Galiléia, e mil partiram com ele.

[48] Apenas, porém, entrou Jônatas em Ptolemaida, os ptolemaidenses fecharam as portas, apoderaram-se dele e passaram ao fio da espada todos os que com ele tinham entrado.

[49] A seguir Trifão enviou seus soldados e a cavalaria para a Galiléia e a grande planície, a fim de liquidar com todos os homens de Jônatas.

[50] Esses, porém, ao tomarem conhecimento de que ele tinha sido aprisionado e fora morto, com todos os seus companheiros, exortaram-se uns aos outros e avançaram em linhas cerradas, prontos para o combate.

[51] Vendo, então, os que os perseguiam, que eles lutavam por sua vida, voltaram para trás.

[52] E eles chegaram todos em paz à terra de Judá. Aí choraram Jônatas com os seus companheiros e ficaram possuídos de grande temor. E todo Israel entrou num pesado luto.

[53] Então, as nações circunvizinhas todas procuraram exterminá-los, dizendo: “Eles não têm mais quem os comande nem quem os ajude. Agora, pois, é o tempo de atacá-los e de cancelar do meio dos homens até sua lembrança.”

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