Aviso ao leitor
Este livro - 1 Reis - é apresentado aqui como parte das escrituras canônicas do Antigo Testamento, reconhecido no cânon protestante, católico romano e ortodoxo, além de integrar a tradição bíblica judaica (onde faz parte do conjunto histórico conhecido como “Reis”). Por tratar de transição de reinados, divisão do reino, conflitos políticos e avaliação espiritual da liderança, é comum que existam notas sobre contexto histórico, geografia, costumes do antigo Oriente Próximo e possíveis diferenças de organização entre tradições de tradução.
[1] A rainha de Sabá ouviu falar da fama de Salomão e veio pô-lo à prova por meio de enigmas.[2] Chegou a Jerusalém com numerosa comitiva, com camelos carregados de aromas, grande quantidade de ouro e de pedras preciosas. Apresentou-se diante de Salomão e lhe expôs tudo o que tinha no coração,[3] mas Salomão a esclareceu sobre todas as suas perguntas e nada houve por demais obscuro para ele, que não pudesse solucionar.[4] Quando a rainha de Sabá viu toda a sabedoria de Salomão, o palácio que fizera para si,[5] as iguarias de sua mesa, os aposentos de seus oficiais, as funções e vestes de seus domésticos, seus copeiros, os holocaustos que ele oferecia ao templo de Iahweh, ficou fora de si[6] e disse ao rei: “Realmente era verdade quanto ouvi na minha terra a respeito de ti e da tua sabedoria![7] Eu não queria acreditar no que diziam antes de vir e ver com meus próprios olhos, mas de fato não me haviam contado nem a metade: tua sabedoria e tua riqueza excedem tudo quanto ouvi.[8] Felizes das tuas mulheres, felizes destes teus servos, que estão continuamente na tua presença e ouvem a tua sabedoria![9] Bendito seja Iahweh teu Deus, que te mostrou sua benignidade, colocando-te sobre o trono de Israel; é porque Iahweh ama Israel para sempre que ele te constituiu rei, para exerceres o direito e a justiça.”[10] Ela deu ao rei cento e vinte talentos de ouro, uma grande quantidade de aromas e de pedras preciosas; a rainha de Sabá trouxe ao rei Salomão uma tal abundância de aromas, que jamais se viu em tanta quantidade.[11] Por sua vez, a frota de Hiram, que trouxe ouro de Ofir, trouxe também madeira de sândalo em grande quantidade e pedras preciosas.[12] Com esse sândalo o rei fez balaustradas para o Templo de Iahweh e para o palácio real, liras e harpas para os cantores; nunca mais se transportou dessa madeira de sândalo e não se viu mais dela até hoje.[13] Por sua vez, o rei Salomão ofereceu à rainha de Sabá tudo o que ela desejou e pediu além dos presentes que lhe deu com munificência digna do rei Salomão. Depois ela partiu e voltou para sua terra, ela e seus servos.[14] O peso do ouro que chegava para Salomão, anualmente, era de seiscentos e sessenta e seis talentos de ouro,[15] sem contar o que lhe provinha dos tributos dos mercadores, do lucro dos comerciantes e de todos os reis dos árabes e dos governadores da terra.[16] O rei Salomão fez duzentos escudos grandes de ouro batido, para cada um dos quais utilizou seiscentos ciclos de ouro,[17] e trezentos pequenos escudos de ouro batido, gastando em cada um deles três minas de ouro, e depositou-os na Casa da Floresta do Líbano.[18] O rei fez também um grande trono de marfim e revestiu-o de ouro puro.[19] Esse trono tinha seis degraus, um espaldar arredondado na parte superior, braços de cada lado do assento e dois leões em pé perto dos braços,[20] e doze leões colocados de um lado e de outro dos seis degraus. Nada de semelhante se fez em reino algum.[21] Todas as taças que o rei Salomão usava para beber eram de ouro e toda a baixela da Casa da Floresta do Líbano era de ouro puro; nada era de prata, porque da prata não se fazia caso nenhum no tempo de Salomão.[22] Com efeito, o rei tinha no mar uma frota de Társis com a frota de Hiram e, de três em três anos, a frota de Társis voltava carregada de ouro, prata, marfim, macacos e pavões.[23] O rei Salomão superou em riqueza e em sabedoria todos os reis da terra.[24] Todo o mundo queria ser recebido por Salomão para ouvir a sabedoria que Deus lhe tinha posto no coração,[25] e cada um, anualmente, trazia o seu presente: objetos de prata e objetos de ouro, roupas, armas e aromas, cavalos e mulas.[26] Salomão reuniu também carros e cavaleiros; possuía mil e quatrocentos carros e doze mil cavaleiros; colocou-os nas cidades dos carros e junto do rei, em Jerusalém.[27] Fez com que a prata fosse tão comum em Jerusalém quanto as pedras e os cedros tão numerosos como os sicômoros da Planície.[28] Importavam-se para Salomão cavalos de Musur e da Cilícia; os mercadores do rei importavam-nos da Cilícia mediante pagamento à vista.[29] Um carro era importado do Egito por seiscentos siclos de prata e um cavalo por cento e cinquenta. O preço era o mesmo para os reis dos heteus e para os reis de Aram, que os importavam por seu intermédio.

