Aviso ao leitor
Este livro - 1 Reis - é apresentado aqui como parte das escrituras canônicas do Antigo Testamento, reconhecido no cânon protestante, católico romano e ortodoxo, além de integrar a tradição bíblica judaica (onde faz parte do conjunto histórico conhecido como “Reis”). Por tratar de transição de reinados, divisão do reino, conflitos políticos e avaliação espiritual da liderança, é comum que existam notas sobre contexto histórico, geografia, costumes do antigo Oriente Próximo e possíveis diferenças de organização entre tradições de tradução.
[1] Passaram-se três anos sem guerra entre Aram e Israel.[2] No terceiro ano, Josafá, rei de Judá, veio visitar o rei de Israel.[3] Disse o rei de Israel a seus servos: “Bem sabeis que Ramot de Galaad nos pertence e nós nada fazemos para tomá-la das mãos do rei de Aram!”[4] E disse a Josafá: “Queres vir comigo à guerra em Ramot de Galaad?” Josafá respondeu ao rei de Israel: “A batalha será a mesma para mim como para ti, para meu povo como para teu povo, para meus cavalos como para os teus cavalos.”[5] Mas Josafá disse ao rei de Israel: “Rogo-te que antes consultes a palavra de Iahweh.”[6] O rei de Israel reuniu os profetas em número de quatrocentos, aproximadamente, e perguntou-lhes: “Devo ir atacar Ramot de Galaad, ou devo deixar de fazê-lo?” Responderam: “Sobe, Iahweh a entregará nas mãos do rei.”[7] Mas Josafá disse: “Acaso não existe aqui nenhum outro profeta de Iahweh, pelo qual possamos consultá-lo?”[8] O rei de Israel respondeu a Josafá: “Há ainda um, pelo qual se pode consultar Iahweh, mas eu o odeio, pois jamais profetiza o bem a meu respeito, mas sempre a desgraça: é Miquéias, filho de Jemla.” Josafá respondeu: “Que o rei não fale assim!”[9] O rei de Israel chamou um eunuco e disse: “Chama depressa Miquéias, filho de Jemla.”[10] O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, estavam sentados, cada um em seu trono, revestidos com suas vestes reais; estavam sentados numa eira diante da porta de Samaria, e todos os profetas profetizavam diante deles.[11] Sedecias, filho de Canaana, fez para si uns chifres de ferro e disse: “Assim fala Iahweh: com isto ferirás os arameus até exterminá-los.”[12] E todos os profetas faziam a mesma predição, dizendo: “Sobe a Ramot de Galaad! Serás bem sucedido, Iahweh vai entregá-la nas mãos do rei.”[13] O mensageiro que fora chamar Miquéias lhe disse: “Os profetas são unânimes em falar a favor do rei. Procura falar como eles e predizer o sucesso.”[14] Mas Miquéias respondeu: “Pela vida de Iahweh! O que Iahweh me disser, é isso que anunciarei!”[15] Chegando à presença do rei, este perguntou-lhe: “Miquéias, devemos ir a Ramot de Galaad para combater ou devemos desistir?” Respondeu ele: “Sobe! Serás bem sucedido. Iahweh vai entregá-la nas mãos do rei.”[16] Mas o rei lhe disse: “Quantas vezes é preciso que eu te conjure a que me digas somente a verdade, em nome de Iahweh?”[17] Então ele disse: “Eu vi todo o Israel disperso pelas montanhas como um rebanho sem pastor. E Iahweh me disse: ‘Eles não têm mais senhores; que cada um volte em paz para sua casa!’”[18] O rei de Israel disse então a Josafá: “Não te havia dito que ele não profetizava para mim o bem, mas o mal?”[19] Miquéias retrucou: “Escuta a palavra de Iahweh: eu vi Iahweh assentado sobre seu trono; todo o exército do céu estava diante dele, à sua direita e à sua esquerda.[20] Iahweh perguntou: ‘Quem enganará Acab, para que ele suba contra Ramot de Galaad e lá pereça?’ Este dizia uma coisa e aquele outra.[21] Então o Espírito se aproximou e colocou-se diante de Iahweh: ‘Sou eu que o enganarei’, disse ele. Iahweh lhe perguntou: ‘E de que modo?’[22] Respondeu: ‘Partirei e serei um espírito de mentira na boca de todos os seus profetas.’ Iahweh disse: ‘Tu o enganarás, serás bem sucedido. Vai e faze assim.’[23] Eis, pois, que Iahweh infundiu um espírito de mentira na boca de todos esses teus profetas, mas Iahweh pronunciou contra ti a desgraça.”[24] Então Sedecias, filho de Canaana, aproximou-se de Miquéias, esbofeteou-o e disse: “Por qual caminho o espírito de Iahweh saiu de mim para te falar?”[25] Miquéias respondeu: “Vê-lo-ás no dia em que tiveres de vaguear de um aposento a outro para te esconderes.”[26] O rei de Israel ordenou: “Prende Miquéias e conduze-o a Amon, governador da cidade, e a Joás, filho do rei.[27] Tu lhes dirás: assim fala o rei: lançai este homem na prisão e alimentai-o com pão e água escassos até que eu volte são e salvo.”[28] Miquéias disse: “Se voltares são e salvo, é porque Iahweh não falou pela minha boca.”[29] O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, marcharam contra Ramot de Galaad.[30] O rei de Israel disse a Josafá: “Vou disfarçar-me para entrar no combate, mas quanto a ti, veste-te com tuas roupas!” O rei de Israel disfarçou-se e foi para o combate.[31] O rei de Aram dera esta ordem a seus comandantes de carros: “Não atacareis nem pequeno nem grande, mas somente o rei de Israel.”[32] Quando os comandantes de carros viram Josafá, disseram: “O rei de Israel é ele”, e concentraram sobre ele o combate; mas Josafá lançou seu grito de guerra,[33] e, quando os comandantes de carros viram que não era ele o rei de Israel, deixaram de persegui-lo.[34] Ora, um homem atirou com seu arco, ao acaso, e atingiu o rei de Israel numa brecha da couraça. E este disse ao condutor de seu carro: “Volta e faze-me sair da batalha, pois me sinto mal.”[35] Mas o combate se tornou mais violento naquele dia; mantiveram o rei de pé sobre seu carro diante dos arameus, e pela tarde ele morreu; o sangue de sua ferida escorria no fundo do carro.[36] Ao pôr-do-sol, um grito percorreu o acampamento: “Volte cada um para sua cidade e cada um para sua terra![37] O rei está morto!” Foi transportado para Samaria e lá sepultado.[38] Lavaram o carro na piscina de Samaria; os cães lamberam o sangue e as prostitutas ali se banharam, conforme a palavra que Iahweh pronunciara.[39] O resto da história de Acab, todos os seus atos, a casa de marfim que construiu, todas as cidades que fortificou, não está tudo escrito no livro dos Anais dos reis de Israel?[40] Acab adormeceu com seus pais, e seu filho Ocozias reinou em seu lugar.[41] Josafá, filho de Asa, tornou-se rei de Judá no quarto ano de Acab, rei de Israel.[42] Josafá tinha trinta e cinco anos quando começou a reinar e reinou vinte e cinco anos em Jerusalém; sua mãe chamava-se Azuba, filha de Selaqui.[43] Seguiu em tudo o procedimento de seu pai Asa, sem dele se apartar, fazendo o que é reto aos olhos de Iahweh.[44] Entretanto, os lugares altos não desapareceram; o povo continuou a oferecer sacrifícios e incenso nos lugares altos.[45] Josafá viveu em paz com o rei de Israel.[46] O resto da história de Josafá, as proezas que realizou e as guerras que empreendeu, não está tudo escrito no livro dos Anais dos reis de Judá?[47] Eliminou da terra o resto dos prostitutos sagrados que ainda sobrava do tempo de seu pai Asa.[48] Não havia rei em Edom,[49] e Josafá construiu navios de Társis para ir a Ofir em busca de ouro, mas ele não pôde ir, porque os navios se quebraram em Asiongaber.[50] Então Ocozias, filho de Acab, disse a Josafá: “Meus servos poderiam ir com os teus nos navios”; mas Josafá não concordou.[51] Josafá adormeceu com seus pais e foi sepultado na Cidade de Davi, seu pai; seu filho Jorão reinou em seu lugar.[52] Ocozias, filho de Acab, tornou-se rei de Israel em Samaria no décimo sétimo ano de Josafá, rei de Judá, e reinou dois anos sobre Israel.[53] Fez o mal aos olhos de Iahweh e imitou o comportamento de seu pai e de sua mãe, e o de Jeroboão, filho de Nabat, que levara Israel a pecar.[54] Prestou culto a Baal e prostrou-se diante dele, provocando a ira de Iahweh, Deus de Israel, como o fizera seu pai.

