Aviso ao leitor
Este livro - 1 Reis - é apresentado aqui como parte das escrituras canônicas do Antigo Testamento, reconhecido no cânon protestante, católico romano e ortodoxo, além de integrar a tradição bíblica judaica (onde faz parte do conjunto histórico conhecido como “Reis”). Por tratar de transição de reinados, divisão do reino, conflitos políticos e avaliação espiritual da liderança, é comum que existam notas sobre contexto histórico, geografia, costumes do antigo Oriente Próximo e possíveis diferenças de organização entre tradições de tradução.
[1] Salomão tornou-se genro de Faraó, rei do Egito; tomou por esposa a filha de Faraó e introduziu-a na Cidade de Davi, até que acabasse de construir o seu palácio, o Templo de Iahweh e as muralhas em torno de Jerusalém.[2] O povo oferecia sacrifícios nos lugares altos, pois até então ainda não tinha sido construída uma casa para o Nome de Iahweh.[3] Salomão amou a Iahweh: comportava-se segundo os preceitos de seu pai Davi; mas oferecia sacrifícios e incenso nos lugares altos.[4] O rei foi a Gabaon para lá oferecer um sacrifício, pois era o lugar alto mais importante; Salomão ofereceu mil holocaustos sobre aquele altar.[5] Em Gabaon, Iahweh apareceu em sonho a Salomão durante a noite. Deus disse: “Pede o que te devo dar.”[6] Salomão respondeu: “Tu demonstraste uma grande benevolência para com teu servo Davi, meu pai, porque ele caminhou diante de ti na fidelidade, justiça e retidão de coração para contigo; tu lhe guardaste esta grande benevolência, e lhe deste um filho que está sentado hoje em seu trono.[7] Agora, pois, Iahweh meu Deus, constituíste rei a teu servo em lugar de meu pai Davi, mas eu não passo de um jovem, que não sabe comandar.[8] Teu servo se encontra no meio do teu povo que escolheste, povo tão numeroso que não se pode contar nem calcular.[9] Dá, pois, a teu servo um coração que escuta para governar teu povo e para discernir entre o bem e o mal, pois quem poderia governar teu povo, que é tão numeroso?”[10] Agradou ao Senhor que Salomão tivesse pedido tal coisa;[11] e Deus lhe disse: “Porque foi este o teu pedido, e já que não pediste para ti vida longa, nem riqueza, nem a vida dos teus inimigos, mas pediste para ti discernimento para ouvir e julgar,[12] vou fazer como pediste: dou-te um coração sábio e inteligente, como ninguém teve antes de ti e ninguém terá depois de ti.[13] E também o que não pediste, eu te dou: riqueza e glória tais, que não haverá entre os reis quem te seja semelhante.[14] E se seguires os meus caminhos, guardando os meus estatutos e os meus mandamentos como o fez teu pai Davi, dar-te-ei uma vida longa.”[15] Salomão despertou e viu que aquilo fora um sonho. Voltou a Jerusalém e pôs-se diante da Arca da Aliança do Senhor; ofereceu holocaustos e sacrifícios de comunhão e deu um banquete para todos os seus servos.[16] Então duas prostitutas vieram ter com o rei e apresentaram-se diante dele.[17] Disse uma das mulheres: “Ó meu senhor! Eu e esta mulher moramos na mesma casa e eu dei à luz junto dela na casa.[18] Três dias depois de eu ter dado à luz, esta mulher também teve uma criança; estávamos juntas e não havia nenhum estranho conosco na casa: somente nós duas.[19] Ora, certa noite morreu o filho desta mulher, pois ela, dormindo, o sufocou.[20] Ela então se levantou, durante a noite, retirou meu filho do meu lado, enquanto tua serva dormia; colocou-o no seu regaço, e no meu regaço pôs seu filho morto.[21] Levantei-me para amamentar meu filho e encontrei-o morto! Mas, de manhã, eu o examinei e constatei que não era o meu filho que eu tinha dado à luz!”[22] Então a outra mulher disse: “Não é verdade! Meu filho é o que está vivo e o teu é o que está morto!” E a outra protestava: “É mentira! Teu filho é o que está morto e o meu é o que está vivo!” Estavam discutindo assim, diante do rei,[23] que sentenciou: “Uma diz: ‘Meu filho é o que está vivo e o teu é o que está morto!’, e a outra responde: ‘Mentira! Teu filho é o que está morto e o meu é o que está vivo!’”[24] “Trazei-me uma espada”, ordenou o rei; e levaram-lhe a espada.[25] E o rei disse: “Cortai o menino vivo em duas partes e dai metade a uma e metade à outra.”[26] Então a mulher, de quem era o filho vivo, suplicou ao rei, pois suas entranhas se comoveram por causa do filho, dizendo: “Ó meu senhor! Que lhe seja dado então o menino vivo, não o matem de modo nenhum!” Mas a outra dizia: “Ele não seja nem meu nem teu, cortai-o!”[27] Então o rei tomou a palavra e disse: “Dai à primeira mulher a criança viva, não a matem. Pois é ela a sua mãe.”[28] Todo o Israel soube da sentença que o rei havia dado, e todos lhe demonstraram muito respeito, pois viram que possuía uma sabedoria divina para fazer justiça.

