Aviso ao leitor
Este livro - 1 Samuel - é apresentado aqui como parte das escrituras canônicas do Antigo Testamento, reconhecido no cânon protestante, católico romano e ortodoxo, além de integrar a tradição bíblica judaica (normalmente junto ao conjunto conhecido como “Samuel”). Por narrar a transição de Israel do período dos juízes para a monarquia — com figuras centrais como Samuel, Saul e Davi — é comum que existam notas sobre contexto histórico, costumes do antigo Oriente Próximo, geografia e possíveis camadas literárias do texto.
[1] Davi saiu dali e se abrigou nos esconderijos de Engadi.[2] Quando Saul voltou da perseguição aos filisteus, contaram-lhe isto: “Davi está no deserto de Engadi.”[3] Então Saul selecionou três mil homens, escolhidos entre todo o Israel, e saiu à procura de Davi e de seus homens, a leste das Rochas das Cabras Monteses.[4] Chegou aos currais de ovelhas, que ficam perto do caminho; havia lá uma gruta, em que Saul entrou para cobrir os pés. Davi e os seus homens estavam no fundo da caverna,[5] e os de Davi lhe disseram: “Chegou o dia em que Iahweh te diz: Sou eu que entrego o teu inimigo nas tuas mãos; faze com ele o que bem quiseres.” Davi levantou-se e, furtivamente, cortou a orla do manto de Saul.[6] Depois disso, o coração lhe batia fortemente por ter cortado a orla do manto de Saul.[7] E disse aos seus homens: “Que Iahweh me livre de proceder assim com o meu senhor, de levantar a mão contra ele, porque é o ungido de Iahweh.”[8] Com essas palavras, Davi conteve os seus homens e impediu que se lançassem sobre Saul. Este deixou a gruta e seguiu seu caminho.[9] Davi se levantou a seguir, saiu da gruta e lhe gritou: “Senhor meu rei!” Saul voltou-se, e Davi se inclinou até ao chão e se prostrou.[10] Depois Davi disse a Saul: “Por que ouves os que te dizem: ‘Davi quer fazer-te mal’?[11] Hoje mesmo, os teus olhos viram como Iahweh te entregava às minhas mãos, na gruta, mas eu me recusei a matar-te. Eu te poupei e disse: Não levantarei a mão contra o meu senhor, porque ele é o ungido de Iahweh.[12] Ó meu pai, vê aqui na minha mão a orla do teu manto. Se cortei a orla do teu manto e não te matei, reconhece que não há maldade nem crime em mim. Não pequei contra ti, enquanto tu andas no meu encalço para me tirares a vida.[13] Iahweh seja juiz entre mim e ti, que Iahweh me vingue de ti, mas a minha mão não te tocará![14] (Como diz o antigo provérbio: Dos ímpios procede a impiedade, mas a minha mão não te tocará.)[15] Contra quem saiu em campanha o rei de Israel? Atrás de quem corres? Atrás de um cão morto, de uma pulga![16] Que Iahweh seja juiz, e julgue entre mim e ti, que examine e defenda a minha causa e me faça justiça, livrando-me da tua mão![17] Terminando Davi de falar a Saul, este lhe respondeu: “É mesmo a tua voz, meu filho Davi?”, e Saul começou a clamar e a chorar.[18] Depois ele disse a Davi: “Tu és mais justo do que eu, porque me tens feito bem, e eu tenho-te feito mal.[19] Hoje, tu me revelaste a tua bondade, pois Iahweh me entregou nas tuas mãos e não me mataste.[20] Quando um homem encontra o seu inimigo, porventura deixa-o seguir tranquilamente o seu caminho? Que Iahweh te recompense pelo bem que hoje me fizeste.[21] Agora sei que sem dúvida reinarás e que o reino de Israel será firme na tua mão.[22] Jura-me, pois, por Iahweh, que não exterminarás a minha posteridade e não farás desaparecer o meu nome e o da minha família.”[23] Então Davi fez o juramento a Saul. E Saul voltou para a sua casa; mas Davi e os seus homens subiram para o refúgio.

