Aviso ao leitor
Este livro - 2 Crônicas - é apresentado aqui como parte das escrituras canônicas do Antigo Testamento, reconhecido no cânon protestante, católico romano e ortodoxo, além de integrar a tradição bíblica judaica (onde compõe, junto com 1 Crônicas, o conjunto conhecido como Crônicas). O livro continua a releitura teológica da história, com foco nos reis de Judá, no templo, no culto e nos temas de fidelidade, reforma e queda que culminam no exílio e no horizonte de retorno.
[1] Joás tinha sete anos quando começou a reinar e reinou quarenta anos em Jerusalém; sua mãe chamava-se Sebias e era de Bersabéia.[2] Joás fez o que é agradável aos olhos de Iahweh por todo o tempo em que viveu o sacerdote Joiada,[3] que o fizera casar-se com duas mulheres, das quais teve filhos e filhas.[4] Mais tarde, Joás resolveu restaurar o Templo de Iahweh.[5] Convocou os sacerdotes e os levitas e disse-lhes: “Ide pelas cidades de Judá e recolhei de todo o Israel dinheiro para restaurar o Templo de vosso Deus, segundo as necessidades de cada ano. Fazei isso rapidamente.” Mas os levitas não se apressaram.[6] Então o rei mandou chamar Joiada, o chefe deles, e disse-lhe: “Por que não exigiste dos levitas que trouxessem de Judá e de Jerusalém o tributo de Moisés, servo de Iahweh e da assembleia de Israel, para a Tenda do Testemunho?[7] Atalia e seus filhos, pervertidos por ela, devastaram o Templo de Deus e fizeram com que as coisas sagradas do Templo de Iahweh servissem aos baals.”[8] E o rei ordenou que se fizesse um cofre, para ser colocado diante da porta do Templo de Iahweh.[9] Proclamou-se em Judá e em Jerusalém que era preciso levar a Iahweh o tributo que Moisés, servo de Deus, tinha prescrito a Israel no deserto.[10] Todos os oficiais e todo o povo vieram com alegria colocar o tributo no cofre, até enchê-lo.[11] Ora, no momento de levar o cofre à administração real, que estava confiada aos levitas, estes viram que havia nele muito dinheiro; o secretário real veio com o comissário do sacerdote-chefe; retiraram o cofre, esvaziaram-no e depois o recolocaram em seu lugar. Fizeram assim diariamente e recolheram muito dinheiro.[12] O rei e Joiada deram esse dinheiro ao empreiteiro encarregado das obras do Templo de Iahweh. Os assalariados, pedreiros e carpinteiros, puseram-se a restaurar o Templo de Iahweh; artífices em ferro e em bronze também tomaram parte nas obras de restauração.[13] Os empreiteiros se puseram a trabalhar e as obras de restauração progrediram em suas mãos: reedificaram o Templo de Deus em seu estado primitivo e o consolidaram.[14] Terminadas as obras, levaram ao rei e a Joiada o resto do dinheiro; com ele foram feitos utensílios para o Templo de Iahweh, objetos para o ministério e os holocaustos, taças e objetos de ouro e prata. Assim puderam oferecer o holocausto perpétuo no Templo de Iahweh por todo o tempo em que viveu Joiada.[15] Depois, Joiada ficou velho e morreu repleto de dias. Tinha cento e trinta anos quando morreu,[16] e foi sepultado com os reis na Cidade de Davi, pois ele tinha praticado o bem em Israel para com Deus e seu Templo.[17] Após a morte de Joiada, os chefes de Judá vieram prosternar-se diante do rei, e desta vez o rei os ouviu.[18] O povo de Judá abandonou o Templo de Iahweh, Deus de seus pais, para prestar culto às aserás e aos ídolos. Devido a esse pecado, a ira de Deus se abateu sobre Judá e sobre Jerusalém.[19] Foram-lhes enviados profetas para os reconduzirem a Iahweh; embora tivessem dado testemunho contra eles, não lhes deram ouvidos.[20] O Espírito de Deus apoderou-se de Zacarias, filho do sacerdote Joiada, que se apresentou diante do povo e lhe disse: “Assim diz Deus: Por que transgredis os mandamentos de Iahweh, de sorte que já não prosperais? Já que abandonastes a Iahweh, ele vos abandona.”[21] Reuniram-se então contra ele e, por ordem do rei, o apedrejaram no pátio do Templo de Iahweh.[22] O rei Joás, esquecido da generosidade que lhe havia testemunhado Joiada, pai de Zacarias, matou Zacarias, seu filho, que ao morrer exclamou: “Iahweh o verá e pedirá contas!”[23] Aconteceu que, no final do ano, o exército dos arameus marchou em guerra contra Joás. Invadiu Judá e Jerusalém, exterminou entre o povo todos os chefes e enviou todos os despojos ao rei de Damasco.[24] Embora o exército dos arameus tivesse vindo com apenas poucos homens, Iahweh entregou em suas mãos um exército considerável, porque o tinham abandonado, a ele, o Deus de seus pais. Os arameus fizeram justiça contra Joás,[25] e quando se retiraram, deixando-o gravemente enfermo, seus servos conspiraram contra ele para vingar o filho do sacerdote Joiada e mataram-no em seu leito. Assim morreu e foi sepultado na Cidade de Davi, mas não nos sepulcros dos reis.[26] Eis os nomes dos conjurados: Zabad, filho de Semaat, a amonita, e Jozabad, filho de Semarit, a moabita.[27] Quanto a seus filhos, à importância do tributo que lhe foi imposto e à restauração do Templo de Deus, tudo está relatado no Midraxe do livro dos Reis. Amasias, seu filho, reinou em seu lugar.

