Aviso ao leitor
Este livro - 2 Crônicas - é apresentado aqui como parte das escrituras canônicas do Antigo Testamento, reconhecido no cânon protestante, católico romano e ortodoxo, além de integrar a tradição bíblica judaica (onde compõe, junto com 1 Crônicas, o conjunto conhecido como Crônicas). O livro continua a releitura teológica da história, com foco nos reis de Judá, no templo, no culto e nos temas de fidelidade, reforma e queda que culminam no exílio e no horizonte de retorno.
[1] Todo o povo de Judá escolheu Ozias, que tinha dezesseis anos, e o constituiu rei em lugar de seu pai Amasias.[2] Ele reconstruiu Elat e a reconquistou para Judá depois que o rei adormeceu com seus pais.[3] Ozias tinha dezesseis anos quando começou a reinar e reinou cinquenta e dois anos em Jerusalém; sua mãe chamava-se Jequelias e era de Jerusalém.[4] Fez o que é agradável aos olhos de Iahweh, como tudo o que fizera seu pai Amasias.[5] Aplicou-se a procurar a Deus enquanto viveu Zacarias, que o instruiu no temor de Deus. Todo o tempo que buscou a Iahweh, este o fez prosperar.[6] Fez uma expedição contra os filisteus, derrubou as muralhas de Gat, de Jabne e de Azoto; depois restaurou cidades na região de Azoto e na terra dos filisteus.[7] Deus o ajudou contra os filisteus, os árabes, os habitantes de Gur-Baal e os meunitas.[8] Os amonitas pagaram tributo a Ozias. Tornou-se extremamente poderoso e, por isso, sua fama se estendeu até as fronteiras do Egito.[9] Ozias construiu torres em Jerusalém: na porta do Ângulo, na porta do Vale e na Esquina, e as fortificou.[10] Construiu também torres no deserto e cavou numerosas cisternas, pois dispunha de numeroso rebanho na Planície e no Planalto, bem como lavradores e vinhateiros nas montanhas e nos vergéis, pois gostava da agricultura.[11] Ozias tinha um exército treinado, pronto para entrar em combate, dividido em grupos segundo o recenseamento feito pelo escriba Jeiel e pelo comissário Maasias; o exército estava sob a direção de Hananias, um dos oficiais do rei.[12] O número total dos chefes de família desses guerreiros valentes era de dois mil e seiscentos.[13] Tinham sob suas ordens as tropas do exército, constituído de trezentos e sete mil e quinhentos homens, de grande valor militar, para auxiliar o rei contra o inimigo.[14] Em cada campanha, Ozias lhes distribuía escudos, lanças, capacetes, couraças, arcos e pedras para as fundas.[15] Mandou fazer em Jerusalém máquinas inventadas pelos engenheiros, para colocar sobre as torres e sobre os ângulos, a fim de atirar flechas e grandes pedras. Seu renome estendeu-se até bem longe, e seu poderio era devido a um socorro realmente maravilhoso.[16] Quando se tornou poderoso, seu coração se encheu de orgulho, a ponto de causar sua desgraça: pecou contra Iahweh, seu Deus, entrando na grande sala do Templo de Iahweh para queimar incenso no altar dos perfumes.[17] O sacerdote Azarias e mais oitenta corajosos sacerdotes de Iahweh[18] resistiram ao rei Ozias e disseram-lhe: “Não é a ti que compete incensar Iahweh, mas aos sacerdotes descendentes de Aarão, consagrados para esse ofício. Sai do santuário, porque pecaste e já não tens direito à glória que vem de Iahweh Deus.”[19] Ozias, que tinha nas mãos o incensário, encolerizou-se. Mas, enquanto ele se irritava contra os sacerdotes, apareceu a lepra em sua fronte, na presença dos sacerdotes, no Templo de Iahweh, perto do altar dos perfumes.[20] O sacerdote-chefe e todos os sacerdotes voltaram-se para ele e viram a lepra em sua fronte. Expulsaram-no imediatamente, e ele mesmo se apressou em sair, porque Iahweh o havia castigado.[21] O rei Ozias ficou com lepra até o dia de sua morte. Permaneceu encerrado num quarto, leproso, e estava excluído do Templo de Iahweh. Seu filho Joatão regia o palácio e administrava o povo da terra.[22] O resto da história de Ozias, do começo ao fim, foi escrito pelo profeta Isaías, filho de Amós.[23] Depois Ozias adormeceu com seus pais e foi sepultado com eles no terreno dos sepulcros reais, pois diziam: “É um leproso.” Joatão, seu filho, reinou em seu lugar.

