Aviso ao leitor
Este livro - 2 Crônicas - é apresentado aqui como parte das escrituras canônicas do Antigo Testamento, reconhecido no cânon protestante, católico romano e ortodoxo, além de integrar a tradição bíblica judaica (onde compõe, junto com 1 Crônicas, o conjunto conhecido como Crônicas). O livro continua a releitura teológica da história, com foco nos reis de Judá, no templo, no culto e nos temas de fidelidade, reforma e queda que culminam no exílio e no horizonte de retorno.
[1] Ezequias enviou mensageiros para todo o Israel e Judá; escreveu também cartas a Efraim e Manassés para convidá-los a vir ao Templo de Iahweh, em Jerusalém, celebrar uma Páscoa em honra de Iahweh, Deus de Israel.[2] O rei, seus oficiais e toda a assembleia de Jerusalém tinham resolvido celebrá-la no segundo mês,[3] já que não mais podiam celebrá-la na própria data, porque não estavam santificados sacerdotes em número suficiente e o povo ainda não se tinha reunido em Jerusalém.[4] Isso pareceu justo aos olhos do rei e de toda a assembleia.[5] Decidiu-se publicar em todo o Israel, de Bersabéia a Dã, um apelo para que viessem celebrar em Jerusalém uma Páscoa para Iahweh, Deus de Israel; de fato, eram poucos os que tinham cumprido a Escritura.[6] Partiram então os mensageiros, com as cartas escritas pelo rei e seus oficiais, e foram por todo o Israel e Judá. Deviam dizer, segundo a ordem do rei: “Filhos de Israel, voltai a Iahweh, o Deus de Abraão, de Isaac e de Israel, e ele voltará para aqueles dentre vós que sobrevivem depois de ter escapado das mãos dos reis da Assíria.[7] Não façais como vossos pais e vossos irmãos que pecaram contra Iahweh, o Deus de seus pais, e foram por ele entregues à ruína, como vedes.[8] Não endureçais mais a vossa cerviz como o fizeram vossos pais. Submetei-vos a Iahweh, vinde a seu santuário, que ele consagrou para sempre, servi a Iahweh vosso Deus, e ele afastará de vós sua ardente ira.[9] Porque, se de fato voltardes para Iahweh, vossos irmãos e vossos filhos encontrarão misericórdia diante de seus vencedores e poderão regressar a esta terra, pois Iahweh vosso Deus é cheio de compaixão e de ternura. Se voltardes para ele, não afastará de vós a sua face.”[10] Os mensageiros foram e percorreram, de cidade em cidade, o país de Efraim e de Manassés, e também o de Zabulon; mas zombavam deles e os escarneciam.[11] No entanto, alguns homens de Aser, de Manassés e de Zabulon se humilharam e vieram a Jerusalém.[12] Foi em Judá que a mão de Deus agiu para dar a todos um só coração, a fim de executarem as prescrições do rei e dos oficiais, contidas na palavra de Iahweh.[13] Um povo numeroso reuniu-se em Jerusalém para celebrar no segundo mês a festa dos Ázimos. Uma assembleia extremamente numerosa[14] pôs-se a destruir os altares que estavam em Jerusalém e todos os altares de perfumes, para jogá-los no vale do Cedron.[15] Imolaram a Páscoa no dia catorze do segundo mês. Cheios de confusão, os sacerdotes e os levitas santificaram-se e foram levar os holocaustos ao Templo de Iahweh.[16] Depois se puseram em seus postos, conforme seus estatutos e segundo a Lei de Moisés, homem de Deus. Os sacerdotes derramavam o sangue que recebiam das mãos dos levitas,[17] pois na assembleia havia muitos que não se tinham santificado e os levitas estavam encarregados de imolar as vítimas pascais em lugar dos que não tinham a pureza exigida para consagrá-las a Iahweh.[18] Na verdade, a maioria do povo, muitos de Efraim, de Manassés, de Issacar e de Zabulon, não se tinham purificado; comeram a Páscoa sem obedecer à Escritura. Mas Ezequias orou por eles, dizendo: “Que Iahweh, na sua bondade, se digne perdoar o pecado de[19] todos os que aplicaram seu coração em buscar a Deus, a Iahweh, o Deus de seus pais, mesmo se não têm a pureza exigida para as coisas santas!”[20] Iahweh ouviu Ezequias e conservou o povo são e salvo.[21] Os filhos de Israel que se achavam em Jerusalém celebraram durante sete dias e com grande alegria a festa dos Ázimos, enquanto os levitas e os sacerdotes louvavam cada dia a Iahweh, com todas as suas forças.[22] Ezequias dirigiu palavras de encorajamento a todos os levitas que mostravam grande inteligência das coisas de Iahweh, e durante sete dias tomaram parte no festim da solenidade, celebrando os sacrifícios de comunhão e louvando a Iahweh, o Deus de seus pais.[23] Depois toda a assembleia resolveu celebrar mais sete dias de festa, e foram sete dias de alegria.[24] Pois Ezequias, rei de Judá, ofereceu à assembleia mil touros e sete mil ovelhas, e os oficiais juntaram a isso mil touros e dez mil ovelhas. Os sacerdotes se tinham santificado em grande número,[25] e toda a assembleia dos filhos de Judá se alegrou, como também os sacerdotes, os levitas e toda a assembleia vinda de Israel, os refugiados vindos da terra de Israel e também os que moravam em Judá.[26] Reinou imenso júbilo em Jerusalém, pois desde os dias de Salomão, filho de Davi, rei de Israel, nada de semelhante se tinha realizado em Jerusalém.[27] Os sacerdotes levitas puseram-se a abençoar o povo; sua voz foi ouvida e sua oração chegou até os céus, a morada santa de Iahweh.

