Aviso ao leitor
Este livro - 2 Reis - é apresentado aqui como parte das escrituras canônicas do Antigo Testamento, reconhecido no cânon protestante, católico romano e ortodoxo, além de integrar a tradição bíblica judaica (onde compõe o conjunto histórico conhecido como “Reis”). O livro dá continuidade à narrativa da monarquia dividida, com destaque para os ministérios proféticos (como Elias e Eliseu) e para os acontecimentos que culminam na queda de Samaria e Jerusalém e no exílio.
[1] Havia em Samaria setenta filhos de Acab. Jeú escreveu cartas e enviou-as a Samaria, aos comandantes da cidade, aos anciãos e aos tutores dos filhos de Acab. Dizia a carta:[2] “Quando esta carta vos chegar às mãos, vós, que tendes convosco os filhos de vosso senhor, carros e cavalos, uma cidade forte e armamento, 3vede qual é, entre os filhos de vosso senhor, o melhor e o mais digno, e ponde-o no trono de seu pai e combatei pela casa de vosso senhor!”[4] Eles, porém, sentiram grande medo e disseram: “Se dois reis não puderam resistir-lhe, como o poderíamos nós?”[5] E o prefeito do palácio, o comandante da cidade, os anciãos e os tutores mandaram dizer a Jeú: “Somos teus servos, faremos tudo o que ordenares, não escolheremos rei algum; faze o que te agradar.”[6] Jeú escreveu-lhes depois uma segunda carta, em que dizia: “Se estais do meu lado e quereis ouvir-me, tomai os cabeças dos homens da família de vosso senhor e vinde ter comigo amanhã a esta hora em Jezrael.” (Havia setenta filhos do rei nas casas dos notáveis da cidade, onde eram educados.)[7] Logo que a carta lhes chegou às mãos, pegaram os filhos do rei, degolaram todos os setenta e, pondo suas cabeças em cestos, enviaram-nas para Jezrael.[8] Veio um mensageiro anunciar a Jeú: “Trouxeram as cabeças dos filhos do rei.” Ele disse: “Colocai-as em dois montes à entrada da porta, até a manhã seguinte.”[9] De manhã, ele saiu e, de pé, disse a todo povo: “Vós sois inocentes. Quanto a mim, conspirei contra meu senhor e matei-o; mas, e estes todos, quem os matou?[10] Sabei, pois, que não ficará sem cumprimento nenhuma das palavras que Iahweh pronunciou contra a família de Acab; Iahweh executou o que havia dito por intermédio de seu servo Elias.”[11] E Jeú matou todos os que restavam da família de Acab em Jezrael: todos os notáveis, os parentes e os sacerdotes; não deixou escapar nenhum.[12] Jeú partiu para Samaria. Estando a caminho, em Bet-Eced-dos-Pastores,[13] encontrou os irmãos de Ocozias, rei de Judá, e perguntou: “Quem sois?” Eles responderam: “Somos irmãos de Ocozias e descemos para saudar os filhos do rei e os filhos da rainha-mãe.”[14] Ordenou Jeú: “Prendei-os vivos!” Foram apanhados vivos e degolados na cisterna de Bet-Eced. Eram quarenta e dois e nenhum foi poupado.[15] Partindo dali, encontrou-se com Jonadab, filho de Recab, que vinha ao seu encontro; saudou-o e disse-lhe: “Teu coração é leal para comigo, como meu coração para contigo?” — “Sim”, respondeu Jonadab. E Jeú retrucou: “Se é assim, dá-me a mão.” Jonadab deu-lhe a mão e Jeú fê-lo subir a seu lado no carro.[16] Disse-lhe: “Vem comigo e contempla meu zelo por Iahweh”, e o levou no carro.[17] Enítrando em Samaria, mandou matar todos os sobreviventes da família de Acab em Samaria; exterminou-a, segundo a palavra que Iahweh dissera a Elias.[18] Jeú reuniu todo o povo e disse: “Acab venerou pouco a Baal; Jeú vai venerá-lo muito.[19] Agora, pois, congregai-me todos os profetas de Baal e todos os seus sacerdotes; que ninguém falte, porque desejo oferecer um grande sacrifício a Baal. Quem faltar, perderá a vida” — Nisso Jeú agia com astúcia, para liquidar os fiéis de Baal.[20] Ordenou: “Convocai uma assembléia santa para Baal”; e eles a convocaram.[21] Jeú enviou mensageiros por todo o Israel e vieram todos os fiéis de Baal, sem faltar ninguém. Foram para o templo de Baal, que ficou lotado de uma extremidade à outra.[22] Jeú disse ao guarda do vestiário: “Traze vestes para todos os fiéis de Baal”, e ele trouxe vestes para eles.[23] Jeú veio ao templo de Baal com Jonadab, filho de Recab, e disse aos fiéis de Baal: “Reparai bem se não há servidores de Iahweh aqui convosco, mas somente fiéis de Baal”;[24] e ele se aproximou para oferecer sacrifícios e holocaustos. Ora, Jeú colocara do lado de fora oitenta homens e dissera: “Se algum de vós deixar escapar um desses homens que vou entregar-vos, responderá com a própria vida pela do outro.”[25] Quando Jeú acabou de oferecer o holocausto, ordenou aos guardas e aos escudeiros: “Entrai, matai-os! Não deixeis ninguém sair!” Os guardas e os escudeiros entraram, passaram-nos ao fio da espada e chegaram até o santuário do templo de Baal.[26] Tiraram o poste sagrado do templo de Baal e o queimaram.[27] Derrubaram a estela de Baal, demoliram também o templo de Baal e no lugar dele fizeram umas latrinas, o que permanece até hoje.[28] Assim Jeú fez Baal desaparecer de Israel.[29] Entretanto, Jeú não se desviou dos pecados que Jeroboão, filho de Nabat, fizera Israel cometer, os bezerros de ouro de Betel e de Dã.[30] Iahweh disse a Jeú: “Porque executaste bem o que era agradável a meus olhos e cumpriste toda a minha vontade contra a casa de Acab, teus filhos até a quarta geração se assentarão sobre o trono de Israel.”[31] Mas Jeú não seguiu fielmente e de todo o seu coração a lei de Iahweh, Deus de Israel; não se afastou dos pecados que Jeroboão fizera Israel cometer.[32] Por aquele tempo, Iahweh começou a retalhar o território de Israel, e Hazael venceu Israel em todas as fronteiras,[33] desde o Jordão até o oriente, arrebatando-lhe toda a terra de Galaad, a terra de Gad, de Rúben, de Manassés, desde Aroer, situado junto à torrente do Arnon, Galaad e Basã.[34] O resto da história de Jeú, tudo o que fez, todas as suas façanhas, não está tudo escrito no livro dos Anais dos reis de Israel?[35] Ele adormeceu com seus pais e foi sepultado em Samaria; seu filho Joacaz sucedeu-lhe no trono.[36] Jeú reinou sobre Israel durante vinte e oito anos, em Samaria.

