Aviso ao leitor
Este livro - 2 Reis - é apresentado aqui como parte das escrituras canônicas do Antigo Testamento, reconhecido no cânon protestante, católico romano e ortodoxo, além de integrar a tradição bíblica judaica (onde compõe o conjunto histórico conhecido como “Reis”). O livro dá continuidade à narrativa da monarquia dividida, com destaque para os ministérios proféticos (como Elias e Eliseu) e para os acontecimentos que culminam na queda de Samaria e Jerusalém e no exílio.
[1] No décimo segundo ano de Acaz, rei de Judá, Oséias, filho de Ela, tornou-se rei de Israel em Samaria e reinou nove anos.[2] Fez o mal aos olhos de Iahweh, mas não como os reis de Israel seus predecessores.[3] Salmanasar, rei de Assíria, marchou contra Oséias e este submeteu-se a ele, pagando-lhe tributo.[4] Mas o rei da Assíria descobriu que Oséias o traía: é que este havia mandado mensageiros a Sais, rei do Egito, e tinha deixado de pagar o tributo ao rei da Assíria, como o fazia todo ano. Então o rei da Assíria mandou encarcerá-lo e prendê-lo com grilhões.[5] Depois, o rei da Assíria invadiu toda a terra e pôs cerco a Samaria durante três anos.[6] No nono ano de Oséias, o rei da Assíria tomou Samaria e deportou Israel para a Assíria, estabelecendo-o em Hala e às margens do Habor, rio de Gozã, e nas cidades dos medos.[7] Isso aconteceu porque os filhos de Israel pecaram contra Iahweh seu Deus, que os fizera subir da terra do Egito, libertando-os da opressão do Faraó, rei do Egito. Adoraram outros deuses[8] e seguiram os costumes das nações que Iahweh havia expulsado de diante deles.[9] Os filhos de Israel proferiram palavras inconvenientes contra Iahweh seu Deus, construíram para si lugares altos em todas as cidades onde moravam, desde as torres de vigia até as cidades fortificadas.[10] Erigiram para si esteias e postes sagrados sobre toda colina elevada e debaixo de toda árvore verdejante.[11] Sacrificaram em todos os lugares altos, imitando as nações que Iahweh havia expulsado de diante deles, e cometeram ações más, provocando a ira de Iahweh.[12] Prestaram culto aos ídolos, embora Iahweh lhes houvesse dito: “Vós não fareis tal coisa.”[13] No entanto, Iahweh tinha feito esta advertência a Israel e a Judá, por meio de todos os profetas e videntes: “Convertei-vos de vossa má conduta e observai meus mandamentos e meus estatutos, conforme toda a Lei que prescrevi a vossos pais e que lhes comuniquei por intermédio de meus servos, os profetas.”[14] Mas eles não obedeceram e endureceram a sua cerviz mais do que o haviam feito seus pais, que não tinham acreditado em Iahweh seu Deus.[15] Desprezaram seus estatutos, bem como a aliança que ele havia concluído com seus pais, e as ordens que lhes havia dado. Correndo atrás da Vaidade, eles próprios se tornaram vaidade, como as nações ao redor, apesar de Iahweh lhes ter ordenado que não agissem como elas.[16] Rejeitaram todos os mandamentos de Iahweh seu Deus, fabricaram para si estátuas de metal fundido, os dois bezerros de ouro, fizeram um poste sagrado, adoraram todo o exército do céu e prestaram culto a Baal.[17] Fizeram passar pelo fogo seus filhos e filhas, praticaram a adivinhação e a feitiçaria, e venderam-se para fazer o mal na presença de Iahweh, provocando sua ira.[18] Então Iahweh irritou-se sobremaneira contra Israel e arrojou-o para longe de sua face. Restou apenas a tribo de Judá.[19] Judá tampouco guardou os mandamentos de Iahweh seu Deus; seguiu os estatutos que Israel praticava.[20] Por isso, Iahweh rejeitou toda a raça de Israel, humilhou-a e entregou-a aos saqueadores, e enfim baniu-a para longe de sua face.[21] Ele, com efeito, havia separado Israel da casa de Davi e Israel tinha proclamado como rei Jeroboão, filho de Nabat; Jeroboão afastou Israel de Iahweh e levou-o a cometer um grande pecado.[22] Os filhos de Israel imitaram o pecado que Jeroboão cometera e dele não se afastaram,[23] até que finalmente Iahweh baniu Israel de sua presença, como o havia anunciado por intermédio de seus servos, os profetas; deportou Israel para longe de sua terra, para a Assíria, onde está até hoje.[24] O rei da Assíria mandou vir gente de Babilônia, de Cuta, de Ava, de Emat e de Sefarvaim, e estabeleceu-os nas cidades de Samaria, em lugar dos filhos de Israel; tomaram posse de Samaria e fixaram-se em suas cidades.[25] Quando começaram a se instalar na terra, não veneravam a Iahweh e este mandou contra eles leões, que os matavam.[26] Disseram, pois, ao rei da Assíria: “As populações que deportaste para fixá-las nas cidades de Samaria não conhecem o ritual do deus da terra, e ele mandou leões contra elas. Os leões as matam porque elas não conhecem o ritual do deus da terra.”[27] Então o rei da Assíria ordenou: “Mandai para lá um dos sacerdotes que deportei; que ele se estabeleça lá e lhes ensine o ritual do deus da terra.”[28] Então veio um dos sacerdotes que haviam deportado de Samaria e se fixou em Betel; este ensinava-lhes como deviam venerar a Iahweh.[29] Mas cada nação fabricou para si seus próprios deuses e os colocou nos templos dos lugares altos, que os samaritanos haviam feito; assim fez cada povo nas cidades em que habitou.[30] Os babilônios fizeram uma estátua de Sucot-Benot, os de Cuta, uma de Nergel, os de Emat, uma de Asima,[31] os de Ava, uma de Nebaaz e uma de Tartac, e os de Sefarvaim queimavam seus filhos em honra de Adramelec e de Anamelec, deuses de Sefarvaim.[32] Prestavam culto também a Iahweh e dentre seus homens elegeram sacerdotes, que oficiavam para eles nos templos dos lugares altos.[33] Veneravam a Iahweh e serviam a seus deuses, segundo o costume das nações de onde tinham sido deportados.[34] Seguem ainda hoje seus ritos antigos. Não honravam a Iahweh, nem observavam seus estatutos e suas normas, nem a lei e os mandamentos que Iahweh havia determinado aos filhos de Jacó, a quem dera o nome de Israel.[35] Iahweh concluíra com eles uma aliança e lhes havia dado esta ordem: “Não adorareis outros deuses, nem vos prostrareis diante deles, não lhes prestareis culto e não lhes oferecereis sacrifícios.[36] Mas somente a Iahweh, que vos fez subir da terra do Egito pelo grande poder de seu braço estendido, é que deveis tributar vosso culto, adoração e sacrifícios.[37] Observareis os estatutos e as normas, a lei e os mandamentos que ele vos deu por escrito, a fim de que os guardeis para sempre, e não prestareis culto a outros deuses.[38] Não esqueçais a aliança que concluí convosco e não presteis culto a outros deuses;[39] adorai somente a Iahweh, vosso Deus, e ele vos libertará da mão de todos os vossos inimigos.”[40] Eles, porém, não obedeceram e continuaram a viver segundo seu costume antigo.[41] Assim, essas nações adoravam a Iahweh e prestavam culto a seus ídolos; seus filhos e seus netos continuam até hoje fazendo o que fizeram seus pais.

