Aviso ao leitor
Este livro - 2 Reis - é apresentado aqui como parte das escrituras canônicas do Antigo Testamento, reconhecido no cânon protestante, católico romano e ortodoxo, além de integrar a tradição bíblica judaica (onde compõe o conjunto histórico conhecido como “Reis”). O livro dá continuidade à narrativa da monarquia dividida, com destaque para os ministérios proféticos (como Elias e Eliseu) e para os acontecimentos que culminam na queda de Samaria e Jerusalém e no exílio.
[1] No terceiro ano de Oséias, filho de Ela, rei de Israel, Ezequias, filho de Acaz, tornou-se rei em Judá.[2] Tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar e reinou vinte e nove anos em Jerusalém; sua mãe chamava-se Abia e era filha de Zacarias.[3] Fez o que agrada aos olhos de Iahweh, imitando tudo o que fizera Davi, seu pai.[4] Foi ele que aboliu os lugares altos, quebrou as esteias, derrubou os postes sagrados, e reduziu a pedaços a serpente de bronze que Moisés havia feito, pois os filhos de Israel até então ofereciam-lhe incenso; chamavam-na Noestã.[5] Pôs sua confiança em Iahweh, Deus de Israel. Depois dele, não houve entre todos os reis de Judá quem se lhe pudesse comparar; e antes dele também não houve.[6] Conservou-se fiel a Iahweh, sem jamais se afastar dele, e observou os mandamentos que Iahweh prescrevera a Moisés.[7] Por isso, Iahweh esteve com ele e ele teve êxito em todos os seus empreendimentos. Revoltou-se contra o rei da Assíria e não mais lhe foi submisso.[8] Derrotou os filisteus até Gaza, devastando seu território, desde as torres de vigia até as cidades fortificadas.[9] No quarto ano de Ezequias, correspondente ao sétimo ano de Oséias, filho de Ela, rei de Israel, Salmanasar, rei da Assíria, atacou Samaria e a sitiou.[10] No fim de três anos, conquistou-a. Foi no sexto ano de Ezequias, correspondente ao nono ano de Oséias, rei de Israel, que Samaria foi tomada.[11] O rei da Assíria deportou Israel para a Assíria e estabeleceu-o em Hala e às margens do Habor, rio de Gozã, e nas cidades dos medos.[12] Isso aconteceu porque eles não escutaram a palavra de Iahweh, seu Deus, e violaram sua aliança, não obedecendo a tudo o que prescrevera Moisés, servo de Iahweh. Não o ouviram nem puseram em prática.[13] No décimo quarto ano do rei Ezequias, Senaquerib, rei da Assíria, veio para atacar todas as cidades fortificadas de Judá e apoderou-se delas.[14] Então Ezequias, rei de Judá, mandou esta mensagem ao rei da Assíria, em Laquis: “Cometi um erro! Retira-te de mim e aceitarei as condições que me impuseres.” O rei da Assíria exigiu de Ezequias, rei de Judá, trezentos talentos de prata e trinta talentos de ouro,[15] e Ezequias entregou toda a prata que se achava no Templo de Iahweh e nos tesouros do palácio real.[16] Então Ezequias mandou retirar o revestimento dos batentes e dos umbrais das portas do santuário de Iahweh, que o rei Acaz, de Judá, havia revestido de ouro, e o entregou ao rei da Assíria.[17] De Laquis, o rei da Assíria mandou ao rei Ezequias, em Jerusalém, o copeiro-mor com um forte contingente de homens. Ele subiu a Jerusalém e, ao chegar, postou-se perto do aqueduto do reservatório superior, que está no caminho do campo do Pisoeiro.[18] Chamou o rei; saíram ao seu encontro o chefe do palácio, Eliacim, filho de Helcias, o secretário Sobna e o escriba Joaé, filho de Asaf.[19] O copeiro-mor lhes disse: “Dizei a Ezequias: Assim fala o grande rei, o rei da Assíria: Que confiança é essa em que tu te estribas?[20] Pensas que palavras vãs representam conselho e valentia para guerrear. Em que, pois, colocas tua confiança, para te teres revoltado contra mim?[21] Confias no apoio do Egito, esse caniço quebrado, que penetra e fura a mão de quem nele se apóia; pois não passa disso o Faraó, rei do Egito, para todos os que nele confiam.[22] Dir-me-eis talvez: ‘É em Iahweh, nosso Deus, que pomos nossa confiança’, mas não foi dele que Ezequias destruiu os lugares altos e os altares, dizendo ao povo de Judá e de Jerusalém: ‘Só diante deste altar, em Jerusalém, é que deveis vos prostrar’?[23] Pois bem! Aceita um desafio do meu senhor, o rei da Assíria: dar-te-ei dois mil cavalos, se puderes encontrar cavaleiros para montá-los![24] Como conseguirás repelir um só dos menores servos do meu senhor? Mas tu confiaste no Egito para ganhar carros e cavaleiros![25] E então, foi porventura sem o consentimento de Iahweh que eu ataquei esta cidade para a destruir? Foi Iahweh que me disse: Ataca este país e devasta-o!”[26] Eliacim, Sobna e Joaé disseram ao copeiro-mor: “Peço-te que fales a teus servos em aramaico, pois nós o entendemos; não nos fales em judaico, aos ouvidos do povo que está sobre as muralhas.”[27] Mas o copeiro-mor respondeu-lhes: “Foi a teu senhor e a ti que meu senhor mandou dizer essas coisas? Não foi antes ao povo, que está sentado sobre as muralhas e que está condenado, como vós, a comer seus excrementos e a beber a própria urina?”[28] Então o copeiro-mor se pôs de pé e, gritando em alta voz, em língua judaica, disse: “Escutai a palavra do grande rei, o rei da Assíria.[29] Assim fala o rei: Não vos deixeis enganar por Ezequias, pois não poderá vos livrar da minha mão.[30] Que Ezequias não alimente vossa confiança em Iahweh, dizendo: ‘Certamente Iahweh nos salvará, esta cidade não cairá nas mãos do rei da Assíria.’[31] Não deis ouvidos a Ezequias, pois assim fala o rei da Assíria: Fazei as pazes comigo, rendei-vos, e cada qual poderá comer o fruto da sua vinha e da sua figueira e beber a água da sua cisterna,[32] até que eu venha para vos transportar para uma terra como a vossa, terra que produz trigo e vinho, terra de pão e de videiras, terra de azeite e de mel, para que possais viver e não morrer. Mas não deis ouvidos a Ezequias, que vos ilude, dizendo: ‘Iahweh nos salvará!’[33] Acaso os deuses das nações puderam realmente livrar cada qual sua terra das mãos do rei da Assíria?[34] Onde estão os deuses de Emat e de Arfad? Onde estão os deuses de Sefarvaim, de Ana e de Ava? Onde estão os deuses da terra de Samaria? Acaso eles livraram Samaria da minha mão?[35] Dentre todos os deuses das nações, quais os que livraram sua terra da minha mão, para que Iahweh possa salvar Jerusalém?”[36] Eles guardaram silêncio e não lhe responderam nada, pois tal fora a ordem do rei: “Não lhe dareis resposta alguma.”[37] O chefe do palácio, Eliacim, filho de Helcias, o secretário Sobna e o escriba Joaé, filho de Asaf, foram à presença do rei Ezequias, de vestes rasgadas, e lhe relataram as palavras do copeiro-mor.

