Aviso ao leitor
Este livro - 2 Reis - é apresentado aqui como parte das escrituras canônicas do Antigo Testamento, reconhecido no cânon protestante, católico romano e ortodoxo, além de integrar a tradição bíblica judaica (onde compõe o conjunto histórico conhecido como “Reis”). O livro dá continuidade à narrativa da monarquia dividida, com destaque para os ministérios proféticos (como Elias e Eliseu) e para os acontecimentos que culminam na queda de Samaria e Jerusalém e no exílio.
[1] Ao ouvir essas coisas, o rei Ezequias rasgou suas vestes, cobriu-se de pano de saco e foi ao Templo de Iahweh.[2] Enviou o chefe do palácio, Eliacim, o secretário Sobna e os anciãos dos sacerdotes, cobertos de panos de saco, ao profeta Isaías, filho de Amós.[3] Estes lhe disseram: “Assim fala Ezequias: Hoje é um dia de angústia, de castigo e de opróbrio. Os filhos estão para nascer e não há força para os dar à luz.[4] Oxalá Iahweh, teu Deus, tenha ouvido todas as palavras do copeiro-mor, que o rei da Assíria, seu senhor, mandou para insultar o Deus vivo; oxalá Iahweh, teu Deus, dê o castigo merecido pelas palavras que ele ouviu! Faze uma prece em favor do resto que ainda subsiste.”[5] Os ministros do rei Ezequias foram ter com Isaías,[6] e este lhes disse: “Direis a vosso senhor: Assim fala Iahweh: Não tenhas medo das palavras que ouviste, das blasfêmias que os servos do rei da Assíria lançaram contra mim.[7] Vou insuflar-lhe um espírito” e, ao ouvir uma certa notícia, voltará para sua terra e farei com que pereça pela espada em sua terra.”[8] O copeiro-mor retirou-se e encontrou o rei da Assíria combatendo contra Lebna. O copeiro-mor, com efeito, tinha ouvido dizer que o rei se retirara de Laquis,[9] pois tinha recebido esta notícia a respeito de Taraca, rei de Cuch: “Ele partiu para te fazer a guerra.”[10] Outra vez enviou Senaquerib mensageiros a Ezequias, para lhe dizer: “Assim falareis a Ezequias, rei de Judá: Que teu Deus, em quem confias, não te iluda, dizendo: ‘Jerusalém não será entregue às mãos do rei da Assíria!’[11] Ouviste contar o que os reis da Assíria fizeram a todas as nações, destruindo-as completamente, e tu poderias escapar?[12] Acaso seus deuses libertaram as nações que meus pais devastaram: Gozã, Harã, Resef e os edenitas que moravam em Telbasar?[13] Onde estão os deuses de Emat, o rei de Arfad, o rei de Lair, de Sefarvaim, de Ana e de Ava?”[14] Ezequias tomou a carta das mãos dos mensageiros e leu-a. Depois subiu ao Templo de Iahweh e desdobrou-a diante de Iahweh.[15] E Ezequias orou assim na presença de Iahweh: “Iahweh, Deus de Israel, que estás sentado sobre os querubins, tu és o único Deus de todos os reinos da terra, tu fizeste o céu e a terra.[16] Inclina teus ouvidos, Iahweh, e escuta, abre teus olhos, Iahweh, e vê! Escuta as palavras de Senaquerib, que mandou emissários para insultar o Deus vivo.[17] É verdade, Iahweh, os reis da Assíria devastaram as nações,[18] lançaram ao fogo seus deuses, pois aqueles não eram deuses, mas obras de mãos humanas, madeira e pedra; por isso puderam aniquilá-los.[19] Mas agora, Iahweh, nosso Deus, livra-nos de sua mão, te suplico, e que todos os reinos da terra saibam que só tu és Deus, Iahweh!”[20] Então Isaías, filho de Amós, mandou dizer a Ezequias: “Assim fala Iahweh, Deus de Israel. Ouvi a súplica que me dirigiste a respeito de Senaquerib, rei da Assíria.[21] Eis o oráculo que Iahweh pronunciou contra ele: Despreza-te, zomba de ti a virgem, filha de Sião. Atrás de ti meneia a cabeça a filha de Jerusalém.[22] A quem insultaste, blasfemaste? Contra quem elevaste a voz e olhaste com desprezo? Contra o Santo de Israel![23] Por teus mensageiros, insultaste o Senhor. Disseste: ‘Com os meus numerosos carros galguei os cimos dos montes, os píncaros do Líbano. Cortei os seus cedros mais altos e seus mais belos ciprestes. Atingi seu último abrigo, o bosque de seu pomar.[24] Cavei e bebi as águas estrangeiras, sequei com a planta dos meus pés todos os rios do Egito!’[25] Estás ouvindo? Há muito tempo preparei isso, desde tempos remotos o decidi, e agora o realizo. Tua missão foi reduzir a montes de ruínas cidades fortificadas.[26] Seus habitantes, já sem forças, consternados e confusos, eram como a erva do campo, como a grama verdejante, como as ervas dos telhados e das campinas, e o vento do oriente.[27] Eu sei quando te levantas e quando te assentas, quando sais e quando entras.[28] Porque ficaste furioso contra mim, e tua insolência chegou até meus ouvidos, passarei meu anel em tuas narinas e meu freio entre teus lábios, far-te-ei voltar pelo caminho por onde vieste.[29] Isto te servirá de sinal: Neste ano comerás o grão que caiu, no ano que vem, do grão que germinar por si só, mas no terceiro ano, semeai e colhei, plantai vinhas e comei de seu fruto.[30] O resto sobrevivente da casa de Judá produzirá novas raízes embaixo e novos frutos em cima.[31] Pois de Jerusalém sairá um resto, e do monte Sião, sobreviventes. Eis o que fará o zelo de Iahweh dos Exércitos![32] Eis, pois, o que diz Iahweh sobre o rei da Assíria: Ele não há de entrar nesta cidade, nela não lançará flecha, não empunhará escudo contra ela, nem acumulará contra ela os terraplenos.[33] Por onde veio, voltará, não entrará nesta cidade, oráculo de Iahweh.[34] Protegerei esta cidade e a salvarei em atenção a mim mesmo e a meu servo Davi.”[35] Naquela mesma noite, saiu o Anjo de Iahweh e exterminou no acampamento assírio cento e oitenta e cinco mil homens. De manhã, ao despertar, só havia cadáveres.[36] Senaquerib, rei da Assíria, levantou o acampamento e partiu. Voltou para Nínive e aí permaneceu.[37] Certo dia, estando ele a adorar no templo de Nesroc, seu deus, seus filhos Adramelec e Sarasar mataram-no a espada e fugiram para a terra de Ararat. Asaradon, seu filho, reinou em seu lugar.

