Aviso ao leitor
Este livro - 2 Reis - é apresentado aqui como parte das escrituras canônicas do Antigo Testamento, reconhecido no cânon protestante, católico romano e ortodoxo, além de integrar a tradição bíblica judaica (onde compõe o conjunto histórico conhecido como “Reis”). O livro dá continuidade à narrativa da monarquia dividida, com destaque para os ministérios proféticos (como Elias e Eliseu) e para os acontecimentos que culminam na queda de Samaria e Jerusalém e no exílio.
[1] Então o rei mandou reunir junto de si todos os anciãos de Judá e de Jerusalém,[2] e o rei subiu ao Templo de Iahweh com todos os homens de Judá e todos os habitantes de Jerusalém, os sacerdotes e os profetas e todo o povo, do maior ao menor. Leu diante deles todo o conteúdo do livro da Aliança encontrado no Templo de Iahweh.[3] O rei estava de pé sobre o estrado e concluiu diante de Iahweh a Aliança que o obrigava a seguir Iahweh e a guardar seus mandamentos, seus testemunhos e seus estatutos de todo o seu coração e de toda a sua alma, para pôr em prática as cláusulas da Aliança escrita neste livro. Todo o povo aderiu à Aliança.[4] O rei ordenou a Helcias, ao sacerdote que ocupava o segundo lugar e aos guardas das portas que retirassem do santuário de Iahweh todos os objetos de culto que tinham sido feitos para Baal, para Aserá e para todo o exército do céu; queimou-os fora de Jerusalém, nos campos do Cedron e levou suas cinzas para Betel.[5] Destituiu os falsos sacerdotes que os reis de Judá haviam estabelecido e que ofereciam sacrifícios nos lugares altos, nas cidades de Judá e nos arredores de Jerusalém, e os que ofereciam sacrifícios a Baal, ao sol, à lua, às constelações e a todo o exército do céu.[6] Transportou do Templo de Iahweh para fora de Jerusalém, para o vale do Cedron, o poste sagrado e queimou-o no vale do Cedron; reduziu-o a cinzas e lançou suas cinzas nos sepulcros da plebe.[7] Demoliu a morada dos prostitutos sagrados, que estavam no Templo de Iahweh, onde as mulheres teciam véus para Aserá.[8] Mandou vir das cidades de Judá todos os sacerdotes e profanou os lugares altos onde esses sacerdotes haviam oferecido sacrifícios, desde Gaba até Bersabéia. Demoliu o lugar alto das portas, que se achava à entrada da porta de Josué, governador da cidade, à esquerda de quem entra na porta da cidade.[9] Mas os sacerdotes dos lugares altos não podiam subir ao altar de Iahweh em Jerusalém; comiam, porém, pães sem fermento no meio de seus irmãos.[10] O rei profanou o Tofet do vale de Ben-Enom, para que ninguém mais pudesse passar pelo fogo seu filho ou sua filha em honra de Moloc.[11] Fez desaparecer os cavalos que os reis de Judá tinham dedicado ao sol na entrada do Templo de Iahweh, perto do aposento do eunuco Natã-Melec, nas dependências, e queimou o carro do sol.[12] Os altares que estavam no terraço, edificados pelos reis de Judá, e os que Manassés tinha construído nos dois pátios do Templo de Iahweh, o rei os demoliu, quebrou-os lá e lançou suas cinzas no vale do Cedron.[13] O rei profanou os lugares altos situados diante de Jerusalém, ao sul do monte das Oliveiras, e que Salomão, rei de Israel, tinha construído para Astarte, abominação dos sidônios, e para Camos, abominação dos moabitas, e para Melcom, abominação dos amonitas.[14] Quebrou as esteias, despedaçou os postes sagrados e encheu de ossos humanos o seu local.[15] Demoliu também o altar que estava em Betel, lugar alto edificado por Jeroboão, filho de Nabat, que havia arrastado Israel ao pecado; destruiu este lugar alto, quebrou suas pedras, reduziu-as a cinzas e queimou o poste sagrado.[16] Josias voltou-se e viu os túmulos que estavam na montanha; mandou buscar os ossos daqueles túmulos e queimou-os sobre o altar. Profanou-o assim, cumprindo a palavra de Iahweh que o homem de Deus havia anunciado, quando Jeroboão, durante a festa, estava junto ao altar. Voltando-se, Josias ergueu os olhos para o túmulo do homem de Deus que havia anunciado essas coisas[17] e perguntou: “Que sepulcro é esse que estou vendo?” Os homens da cidade responderam: “É o túmulo do homem de Deus que veio de Judá e anunciou essas coisas que acabas de realizar contra o altar.”[18] Disse o rei: “Deixai-o em paz e que ninguém toque em seus ossos.” Deixaram, pois, seus ossos intactos, bem como os do profeta que era de Samaria.”[19] Josias fez desaparecer também todos os templos dos lugares altos que estavam nas cidades da Samaria, e que os reis de Israel haviam construído, irritando com isso a Iahweh, e procedeu com eles exatamente como tinha agido em Betel.[20] Todos os sacerdotes dos lugares altos que ali se achavam foram por ele imolados sobre os altares e queimou sobre esses altares ossos humanos. Depois regressou a Jerusalém.[21] O rei ordenou a todo o povo: “Celebrai a Páscoa em honra de Iahweh, vosso Deus, do modo como está escrito neste livro da Aliança.”[22] Não se havia celebrado uma Páscoa semelhante a esta em Israel desde os dias dos Juízes que haviam governado Israel, nem durante todo o tempo dos reis de Israel e dos reis de Judá.[23] Foi somente no décimo oitavo ano do rei Josias que semelhante Páscoa foi celebrada em honra de Iahweh em Jerusalém.[24] Josias eliminou também os necromantes, os adivinhos, os deuses domésticos, os ídolos e todas as abominações que se viam na terra de Judá e em Jerusalém, a fim de executar as palavras da Lei inscritas no livro que o sacerdote Helcias havia encontrado no Templo de Iahweh.[25] Não houve antes dele rei algum que se tivesse voltado, como ele, para Iahweh, de todo o seu coração, de toda a sua alma e com toda a sua força, em toda a fidelidade à Lei de Moisés; nem depois dele houve algum que se lhe pudesse comparar.[26] Contudo, Iahweh não abrandou o furor de sua grande ira, que se havia inflamado contra Judá, por causa das provocações que Manassés lhe havia feito.[27] Iahweh decidiu: “Também a Judá expulsarei da minha presença, como expulsei Israel; rejeitarei esta cidade de Jerusalém que eu tinha escolhido, e o Templo do qual eu dissera: Aí residirá meu Nome.”[28] O resto da história de Josias, tudo o que fez, não está escrito no livro dos Anais dos reis de Judá?[29] No seu tempo, o Faraó Necao, rei do Egito, partiu para junto do rei da Assíria, às margens do rio Eufrates. O rei Josias marchou contra ele, mas Necao matou-o em Meguido, no primeiro encontro.[30] Seus servos transportaram seu corpo de carro desde Meguido, e o conduziram para Jerusalém e o sepultaram no seu túmulo. O povo da terra tomou Joacaz, filho de Josias, ungiu-o e o constituiu rei em lugar de seu pai.[31] Joacaz tinha vinte e três anos quando começou a reinar e reinou três meses em Jerusalém; sua mãe chamava-se Hamital, era filha de Jeremias e era natural de Lebna.[32] Ele fez o mal aos olhos de Iahweh, como o haviam feito seus pais.[33] O Faraó Necao o aprisionou em Rebla, no território de Emat, para que não reinasse mais em Jerusalém, e impôs ao país um tributo de cem talentos de prata e talentos de ouro.[34] O Faraó Necao constituiu como rei a Eliacim, filho de Josias, em lugar de seu pai Josias, e mudou seu nome para Joaquim. Tomou Joacaz e levou-o para o Egito, onde ele morreu.[35] Joaquim pagou ao Faraó a prata e o ouro, mas teve de criar impostos na terra, para pagar a quantia exigida pelo Faraó; exigiu de cada um, segundo suas posses, a prata e o ouro que era preciso dar ao Faraó Necao.[36] Joaquim tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar e reinou onze anos em Jerusalém; sua mãe chamava-se Zebida, era filha de Fadaías e natural de Ruma.[37] Ele fez o mal aos olhos de Iahweh, como o haviam feito seus pais.

