Aviso ao leitor
Este livro - 2 Reis - é apresentado aqui como parte das escrituras canônicas do Antigo Testamento, reconhecido no cânon protestante, católico romano e ortodoxo, além de integrar a tradição bíblica judaica (onde compõe o conjunto histórico conhecido como “Reis”). O livro dá continuidade à narrativa da monarquia dividida, com destaque para os ministérios proféticos (como Elias e Eliseu) e para os acontecimentos que culminam na queda de Samaria e Jerusalém e no exílio.
[1] No nono ano de seu reinado, no décimo mês, no dia dez, Nabucodonosor, rei de Babilônia, veio atacar Jerusalém com todo o seu exército; acampou diante da cidade e levantou trincheiras ao seu redor.[2] A cidade ficou sitiada até o décimo primeiro ano de Sedecias.[3] No quarto mês, no dia nove, quando a fome se agravava na cidade e a população não tinha mais nada para comer,[4] abriram uma brecha nas muralhas da cidade. Então o rei fugiu de noite, com todos os guerreiros, pela porta que há entre os dois muros perto do jardim do rei — os caldeus ainda cercavam a cidade —, e tomou o caminho da Arabá.[5] O exército dos caldeus perseguiu o rei e o alcançou nas planícies de Jericó, onde todos os seus soldados se dispersaram para longe dele.[6] Os caldeus agarraram o rei e o conduziram a Rebla, à presença do rei de Babilônia, que pronunciou a sentença contra ele.[7] Mandou degolar os filhos de Sedecias na presença dele, furou-lhe os olhos, algemou-o e o conduziu para Babilônia.[8] No quinto mês, no dia sete — era o décimo nono ano de Nabucodonosor, rei de Babilônia —, Nabuzardã, comandante da guarda, oficial do rei de Babilônia, fez sua entrada em Jerusalém.[9] Incendiou o Templo de Iahweh, o palácio real e todas as casas de Jerusalém.[10] E todo o exército caldeu que acompanhava o comandante da guarda destruiu as muralhas que rodeavam Jerusalém.[11] Nabuzardã, comandante da guarda, exilou o resto da população que tinha ficado na cidade, os desertores que haviam passado para o lado do rei de Babilônia e o resto da multidão.[12] Do povo pobre da terra, o comandante da guarda deixou uma parte, como viticultores e agricultores.[13] Os caldeus quebraram as colunas de bronze do Templo de Iahweh, as bases entalhadas e o Mar de bronze, que estavam no Templo de Iahweh, e levaram o bronze para Babilônia.[14] Levaram também os recipientes para cinzas, as pás, as facas, as taças e todos os objetos de bronze que serviam para o culto.[15] O comandante da guarda tomou os turíbulos e os vasos de aspersão, tudo o que era de ouro e tudo o que era de prata.[16] Quanto às duas colunas, ao Mar único e às bases entalhadas, que Salomão havia feito para o Templo de Iahweh, não se poderia calcular quanto pesava o bronze de todos esses objetos.[17] A altura de uma coluna era de dezoito côvados e sobre ela havia um capitel de bronze, da altura de cinco côvados; havia uma rede e romãs em torno do capitel, tudo de bronze. A segunda coluna era feita do mesmo modo.[18] O comandante da guarda prendeu Saraías, sacerdote chefe, Sofonias, sacerdote que ocupava o segundo lugar, e os três guardas das portas.[19] Na cidade, prendeu um eunuco, chefe dos guerreiros, cinco conselheiros do rei, que foram encontrados na cidade, o secretário do chefe do exército, encarregado da mobilização, e sessenta homens do povo, que foram encontrados na cidade.[20] Nabuzardã, comandante da guarda, prendeu-os e os levou à presença do rei de Babilônia, em Rebla,[21] e o rei de Babilônia mandou matá-los em Rebla, na terra de Emat. Assim, Judá foi exilado para longe de sua terra.[22] Quanto ao povo que ficou na terra de Judá, aí deixado por Nabucodonosor, rei de Babilônia, ele o entregou ao governo de Godolias, filho de Aicam, filho de Safã.[23] Quando todos os oficiais das tropas e seus homens souberam que o rei de Babilônia havia nomeado Godolias governador, vieram ter com ele em Masfa; eram eles: Ismael, filho de Natanias, Joanã, filho de Carea, Saraías, filho de Taneumet, netofatita, Jezonias, maacatita; eles e seus homens.[24] Godolias declarou-lhes sob juramento, a eles e a seus homens, e disse-lhes: “Nada tendes a temer dos caldeus; ficai na terra, submetei-vos ao rei de Babilônia e tudo vos correrá bem.”[25] Mas no sétimo mês, Ismael, filho de Natanias, filho de Elisama, que era de linhagem real, veio com dez homens e matou Godolias, bem como os judeus e os caldeus que estavam com ele em Masfa.[26] Então todo o povo, desde o maior até o menor, como também os chefes das tropas, partiram e foram para o Egito, porque tinham medo dos caldeus.[27] No trigésimo sétimo ano da deportação de Joaquin, rei de Judá, no décimo segundo mês, no dia vinte e sete, Evil-Merodac, rei de Babilônia, no ano em que subiu ao trono, deu anistia a Joaquin, rei de Judá, e o tirou da prisão.[28] Falou-lhe benignamente e deu-lhe um trono mais alto que o dos outros reis que estavam com ele em Babilônia.[29] Joaquin deixou suas vestes de prisioneiro e passou a comer sempre na mesa do rei, por toda a vida.[30] Seu sustento foi garantido constantemente pelo rei, dia após dia, enquanto viveu.

