Aviso ao leitor
Este livro - 2 Samuel - é apresentado aqui como parte das escrituras canônicas do Antigo Testamento, reconhecido no cânon protestante, católico romano e ortodoxo, além de integrar a tradição bíblica judaica (normalmente junto ao conjunto conhecido como “Samuel”). O livro continua a narrativa da monarquia, com foco no reinado de Davi, suas vitórias, alianças, crises internas e implicações espirituais e éticas da liderança.
[1] Depois da morte de Saul, Davi, ao voltar da vitória sobre os amalecitas, ficou dois dias em Siceleg.[2] Ao terceiro dia, chegou um homem que vinha do acampamento, de junto de Saul. Tinha as vestes rasgadas e a cabeça coberta de pó. Ao chegar perto de Davi, atirou-se por terra e se prostrou.[3] Disse-lhe Davi: “Donde vens?” Ele respondeu: “Escapei com vida do acampamento de Israel.”[4] Davi perguntou: “Que aconteceu? Dize logo!” O homem disse: “As tropas fugiram do campo de batalha, e muitos caíram e estão mortos. O próprio Saul e seu filho Jônatas pereceram!”[5] Perguntou Davi ao que trouxera a notícia: “Como sabes que Saul e o seu filho Jônatas estão mortos?”[6] O mensageiro respondeu: “Eu estava casualmente no monte Gelboé e vi quando Saul se atirou sobre a própria lança, quando se aproximavam os carros e cavaleiros.”[7] “Ele voltou-se, viu-me e me chamou. Eu disse: ‘Eis-me aqui!’”[8] “Ele perguntou-me: ‘Quem és tu?’ E eu lhe disse: ‘Sou um amalecita.’”[9] “Ele então me disse: ‘Aproxima-te e mata-me porque estou com muita vertigem, apesar de sentir a vida toda em mim.’”[10] “Então me aproximei dele e lhe dei a morte, porque eu sabia que ele não poderia sobreviver, tendo caído. Depois apanhei o diadema que ele trazia na cabeça e o bracelete que estava no seu braço e os trouxe ao meu senhor.”[11] Então Davi apanhou as suas vestes e as rasgou, e todos os homens que o acompanhavam fizeram o mesmo.[12] Lamentaram-se, choraram e jejuaram até à tarde por Saul e por Jônatas, seu filho, e por causa do povo de Iahweh e da casa de Israel, porque haviam caído pela espada.[13] Davi perguntou ao moço que lhe trouxera as notícias: “Donde és tu?” Ele respondeu: “Eu sou filho de um estrangeiro residente, de um amalecita.”[14] Disse-lhe Davi: “Como não receaste levantar a mão contra o ungido de Iahweh para tirar-lhe a vida?”[15] Davi chamou um dos moços e disse: “Aproxima-te e mata-o!” O moço o golpeou e ele morreu.[16] Disse-lhe Davi: “Que o teu sangue caia sobre a tua cabeça, porque a tua boca testemunhou contra ti quando disseste: ‘Fui eu quem matou o ungido de Iahweh’.”[17] Davi compôs a seguinte lamentação sobre Saul e seu filho Jônatas.[18] Ele disse (para ensinar os filhos de Judá a manejar o arco; está escrito no Livro do Justo):[19] “Pereceu o esplendor de Israel nas tuas alturas? Como caíram os heróis?”[20] “Não o publiqueis em Gat, não o anuncieis nas ruas de Ascalon, que não se alegrem as filhas dos filisteus, que não exultem as filhas dos incircuncisos!”[21] “Montanhas de Gelboé, nem orvalho nem chuva se derramem sobre vós, campos traiçoeiros, pois foi desonrado o escudo dos heróis!”[22] “O escudo de Saul não foi ungido com óleo, mas com o sangue dos feridos, com a gordura dos guerreiros; o arco de Jônatas jamais hesitou, nem a espada de Saul foi inútil.”[23] “Saul e Jônatas, amados e encantadores, na vida e na morte não se separaram. Mais do que as águias eram velozes, mais do que os leões eram fortes.”[24] “Filhas de Israel, chorai sobre Saul, que vos vestiu de escarlate e de linho fino, que adornou com ouro os vossos vestidos.”[25] “Como caíram os heróis no meio do combate? Jônatas, a tua morte dilacerou-me o coração.”[26] “Tenho o coração apertado por tua causa, meu irmão Jônatas. Tu me eras imensamente querido, a tua amizade me era mais cara do que o amor das mulheres.”[27] “Como caíram os heróis e pereceram as armas de guerra?”

