Aviso ao leitor
Este livro - 2 Samuel - é apresentado aqui como parte das escrituras canônicas do Antigo Testamento, reconhecido no cânon protestante, católico romano e ortodoxo, além de integrar a tradição bíblica judaica (normalmente junto ao conjunto conhecido como “Samuel”). O livro continua a narrativa da monarquia, com foco no reinado de Davi, suas vitórias, alianças, crises internas e implicações espirituais e éticas da liderança.
[1] Ora, havia ali um homem vagabundo chamado Seba, filho de Boeri, benjaminita. Ele tocou a trombeta e disse: “Não temos parte com Davi, nenhuma herança temos no filho de Jessé! Cada qual para as suas tendas, ó Israel!”[2] Todos os homens de Israel abandonaram Davi e foram com Seba, filho de Boeri, mas os homens de Judá ficaram junto do seu rei, do Jordão até Jerusalém.[3] Davi foi para o seu palácio em Jerusalém. O rei tomou as dez concubinas que tinha deixado para guardar o palácio, e as pôs em confinamento, provendo-lhes a manutenção, sem jamais delas se aproximar, e elas ficaram segregadas até o dia em que morreram, como viúvas de um vivo.[4] O rei disse a Amasa: “Convoca os homens de Judá. Dou-te três dias para te apresentares aqui.”[5] Partiu Amasa para convocar Judá, mas demorou-se além do limite que lhe fora estabelecido.[6] Então Davi disse a Abisaí: “Seba, filho de Boeri, é de hoje em diante mais perigoso para nós do que Absalão. Toma, pois, os guardas do teu senhor e acossa-o de medo, para que não alcance as cidades fortificadas e não nos escape.”[7] Após Abisaí, partiram também Joab, os cereteus, os feleteus e todos os homens valentes. Eles deixaram Jerusalém para perseguir Seba, filho de Boeri.[8] Estavam perto da grande pedra que se acha em Gabaon, quando apareceu Amasa à frente deles. Ora, Joab trajava sua roupa militar com o cinto de que pendia a espada na bainha, a qual saiu e caiu.[9] Joab perguntou a Amasa: “Vais bem, meu irmão?” E, com a mão direita, segurou a barba de Amasa para o beijar.[10] Amasa não percebeu a espada que Joab tinha na mão, e este lha cravou no abdômen, derramando-se-lhe as entranhas no chão. Não foi preciso dar-lhe um segundo golpe, e Amasa morreu. Joab e seu irmão Abisaí partiram em seguida perseguindo Seba, filho de Boeri.[11] Um dos moços de Joab, parando perto de Amasa, disse: “Quem é amigo de Joab e é por Davi siga a Joab!”[12] Amasa jazia ali no meio do caminho, numa poça de sangue. Vendo que todos paravam, aquele moço tirou Amasa do caminho e o pôs no campo e cobriu-lhe o corpo com um manto, porque ele observou que todos os que passavam perto dele se detinham.[13] Depois que Amasa foi afastado para fora do caminho, todos iam passando sem parar, seguindo a Joab na perseguição de Seba, filho de Boeri.[14] Seba atravessou todas as tribos de Israel até chegar a Abel-Bet-Maaca, e todos os bocritas se reuniram e foram também após ele.[15] Vieram e o cercaram em Abel-Bet-Maaca e levantaram junto à cidade um terrapleno, que chegava até o muro, e todo o exército que estava com Joab se esforçava por derrubar a muralha, solapando-a.[16] Então uma mulher sensata gritou de dentro da cidade: “Ouvi! Escutai! Dizei a Joab: Aproxima-te, que te quero falar!”[17] Ele se aproximou e a mulher perguntou: “És tu Joab?” Ele respondeu: “Sim, sou eu.” Ela lhe disse: “Escuta a palavra da tua serva.” Ele respondeu: “Escuto.”[18] Então ela disse: “Antigamente era assim que se dizia: ‘Quem quiser saber pergunte em Abel e em Dã se se acabou[19] o que os fiéis de Israel tinham estabelecido!’ E tu pretendes destruir uma cidade e metrópole em Israel. Por que queres acabar com a herança de Iahweh?”[20] Respondeu Joab: “Longe de mim, longe de mim querer destruir ou arruinar![21] Não é disso que se trata, mas um homem da montanha de Efraim, chamado Seba, filho de Boeri, se revoltou contra o rei, contra Davi. Basta que o entregueis, e eu suspenderei o cerco da cidade.” A mulher disse a Joab: “Pois bem! Jogaremos a cabeça dele por cima da muralha!”[22] A mulher falou do assunto a todo o povo como lhe ditava o seu bom senso; e degolaram Seba, filho de Boeri, e jogaram a cabeça a Joab. Então ele mandou soar a trombeta e se afastaram da cidade, e cada um foi para a sua tenda. Joab, porém, voltou para Jerusalém, para junto do rei.[23] Joab era o comandante supremo do exército; Banaías, filho de Joiada, comandava os cereteus e os feleteus;[24] Adoram controlava a corvéia; Josafá, filho de Ailud, era o arauto;[25] Siva era secretário; Sadoc e Abiatar eram sacerdotes.[26] Além desses, também Ira, o jairita, era sacerdote de Davi.

