Arquivo de 2 Macabeus - VCirculi https://vcirculi.com/category/volumina/memoria/2-macabeus/ Corpus et Sanguis Christi Tue, 28 Jul 2026 13:38:02 +0000 pt-BR hourly 1 https://vcirculi.com/wp-content/uploads/2025/07/cropped-et5t-Copia-32x32.png Arquivo de 2 Macabeus - VCirculi https://vcirculi.com/category/volumina/memoria/2-macabeus/ 32 32 2 Macabeus https://vcirculi.com/2-macabeus/ Tue, 10 Mar 2026 22:38:25 +0000 https://vcirculi.com/?p=33301 O post 2 Macabeus apareceu primeiro em VCirculi.

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2 Macabeus 15 https://vcirculi.com/2-macabeus-15/ Mon, 23 Feb 2026 01:07:12 +0000 https://vcirculi.com/?p=26735 Aviso ao leitor Este livro – 2 Macabeus – é um livro histórico-teológico do período intertestamentário, preservado na tradição grega da Septuaginta, que aborda episódios da resistência judaica e do...

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[1] Nicanor, entretanto, informado de que os homens de Judas encontravam-se em terras da Samaria, decidiu atacá-los no dia do repouso, contando fazê-lo com toda segurança.

[2] Disseram-lhe então os judeus, que o estavam seguindo coagidos: “Não vás fazê-los perecer de modo tão selvagem e bárbaro, mas antes tributa a glória devida ao dia que mais que os outros foi honrado com santidade por Aquele que vela sobre todas as coisas!”

[3] Esse tríplice criminoso, porém, ainda perguntou se acaso havia no céu um soberano que houvesse ordenado celebrar o dia do sábado.

[4] Ao lhe responderem eles claramente: “Sim, é o Senhor vivo, o próprio soberano do céu, quem ordenou que se observasse o sétimo dia”,

[5] ele retrucou: “Pois sou também eu soberano sobre a terra. E ordeno que se tomem as armas e se realizem os desígnios do rei!” Entretanto, não conseguiu realizar o seu cruel desígnio.

[6] De fato, enquanto Nicanor, exaltando-se com toda a sua arrogância, decidira levantar um troféu público com os despojos dos homens de Judas,

[7] o Macabeu, por sua parte, estava ininterruptamente persuadido, com plena esperança, de que obteria socorro da parte do Senhor.

[8] Assim, exortava ele seus companheiros a não temerem o ataque dos gentios, mas, tendo em mente os socorros já vindos a eles do céu, a esperarem, também agora, a vitória que lhes adviria da parte do Todo-poderoso.

[9] Confortando-os então por meio da Lei e dos Profetas, e recordando-lhes também os combates que já haviam sustentado, tornou-os mais ardorosos.

[10] Tendo assim despertado o seu ardor, deu-lhes as suas instruções, ao mesmo tempo que lhes chamava a atenção para a perfídia dos gentios e a quebra dos seus juramentos.

[11] Tendo, pois, armado a cada um deles, menos com a segurança dos escudos e das lanças do que com o conforto das boas palavras, referiu-lhes ainda um sonho digno de fé, uma espécie de visão, que os alegrou a todos.

[12] Ora, este foi o espetáculo que lhe coube apreciar: Onias, que tinha sido sumo sacerdote, homem honesto e bom, modesto no trato e de caráter manso, expressando-se convenientemente no falar, e desde a infância exercitado em todas as práticas da virtude, estava com as mãos estendidas, intercedendo por toda a comunidade dos judeus.

[13] Apareceu a seguir, da mesma forma, um homem notável pelos cabelos brancos e pela dignidade, sendo maravilhosa e majestosíssima a superioridade que o circundava.

[14] Tomando então a palavra, disse Onias: “Este é o amigo dos seus irmãos, aquele que muito ora pelo povo e por toda a cidade santa, Jeremias, o profeta de Deus.”

[15] Estendendo, por sua vez, a mão direita, Jeremias entregou a Judas uma espada de ouro, pronunciando estas palavras enquanto a entregava:

[16] “Recebe esta espada santa, presente de Deus, por meio da qual esmagarás teus adversários!”

[17] Encorajados pelas palavras de Judas, realmente belas e capazes de incitar à valentia e tornar viris os ânimos dos jovens, os judeus resolveram não continuar acampados, mas tomar bravamente a ofensiva.

[18] Assim, batendo-se com toda a valentia, decidiriam a questão pela sorte das armas, uma vez que tanto a Cidade como o lugar santo e o Templo estavam correndo perigo.

[19] De fato, a preocupação pelas mulheres e pelos filhos, bem como pelos irmãos e pelos parentes, era por eles reduzida a bem pouca coisa, enquanto era máximo e estava em primeiro plano o temor pelo Santuário consagrado.

[20] Entretanto, a angústia dos que tinham sido deixados na cidade não era menor, perturbados como estavam pelo reencontro em campo aberto.

[21] Todos já viviam a expectativa do próximo desfecho, enquanto os inimigos já se haviam concentrado, dispondo o seu exército em linha de batalha e colocando os elefantes em posição adequada, alinhando-se a cavalaria conforme as alas.

[22] Ao considerar a presença de tais multidões, o equipamento variegado de suas armas e o aspecto selvagem dos elefantes, o Macabeu estendeu as mãos ao céu invocando o Senhor que faz prodígios. Pois bem sabia que não é pela força das armas que ele concede a vitória, mas sim aos que dela são dignos, segundo o seu próprio critério.

[23] E assim falou, fazendo a sua invocação: “Tu, ó Dominador, enviaste o teu anjo no tempo de Ezequias, rei da Judéia, e ele exterminou cento e oitenta e cinco mil homens do acampamento de Senaquerib.

[24] Também agora, Soberano dos céus, envia um anjo bom à nossa frente, para espanto e tremor.

[25] Sejam feridos, pela grandeza do teu braço, aqueles que, blasfemando, vieram atacar o teu povo santo!” Com estas palavras, terminou sua oração.

[26] Entretanto, os homens de Nicanor iam avançando entre clangores de trombetas e cânticos de guerra, enquanto os homens de Judas se misturavam com os inimigos por entre invocações e preces.

[27] Com suas mãos combatendo, mas suplicando a Deus em seus corações, estenderam por terra não menos de trinta e cinco mil homens, rejubilando-se grandemente por esta manifestação de Deus.

[28] Saindo da refrega e estando para regressar com alegria, reconheceram a Nicanor, tombado de bruços, com a sua armadura.

[29] Seguiu-se um clamor confuso, enquanto, na língua de seus pais, bendiziam o Soberano.

[30] Então, aquele que, em todos os sentidos, no corpo e na alma, havia sido o primeiro na luta pelos seus concidadãos, é que havia conservado para com seus conacionais a afeição da idade juvenil, ordenou que cortassem a cabeça de Nicanor e também a mão com o braço até a espádua, e que os conduzissem a Jerusalém.

[31] Aí chegando, convocou os conacionais e, fazendo os sacerdotes permanecerem diante do altar, mandou chamar os ocupantes da Cidadela.

[32] Mostrou então a cabeça do imundo Nicanor bem como a mão desse infame, estendendo a qual contra a morada santa do Todo-poderoso ele havia ostentado a sua arrogância.

[33] Depois, tendo cortado a língua do mesmo ímpio Nicanor, ordenou que a dessem em pedaços aos pássaros. E, quanto ao salário da sua loucura, que o pendurassem diante do Santuário.

[34] Todos, então, voltados para o Céu, bendisseram o Senhor glorioso, nestes termos: “Bendito Aquele que conservou o seu Lugar isento de contaminação!”

[35] Quanto à cabeça de Nicanor, Judas mandou pendurá-la na Cidadela, como um sinal claro e evidente, para todos, da ajuda do Senhor.

[36] A seguir decidiram todos, por um decreto de comum acordo, não deixar de modo algum passar despercebida essa data, mas observar com solenidade o dia treze do duodécimo mês, chamado Adar em aramaico, um dia antes da festa de Mardoqueu.

[37] Tendo-se passado assim os acontecimentos referentes a Nicanor e como, desde esses tempos, a cidade ficou em poder dos hebreus, também eu, aqui, porei fim ao meu relato.

[38] Se o fiz bem, de maneira conveniente a uma composição escrita, era justamente isso que eu queria; se vulgarmente e de modo medíocre, é isso o que me foi possível.

[39] De fato, como é nocivo beber somente vinho, ou somente água, ao passo que o vinho misturado à água é agradável e causa um prazer delicioso, assim o (trabalho) da preparação do relato encanta os ouvidos daqueles que entram em contacto com a composição. Aqui, porém, será o fim.

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2 Macabeus 14 https://vcirculi.com/2-macabeus-14/ Mon, 23 Feb 2026 01:01:44 +0000 https://vcirculi.com/?p=26733 Aviso ao leitor Este livro – 2 Macabeus – é um livro histórico-teológico do período intertestamentário, preservado na tradição grega da Septuaginta, que aborda episódios da resistência judaica e do...

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[1] Após um intervalo de três anos, chegou aos homens de Judas a notícia de que Demétrio, filho de Seleuco, havia desembarcado no porto de Tripoli com um forte exército e uma frota

[2] e que se havia apoderado do país, depois de haver eliminado Antíoco e seu tutor Lísias.

[3] Ora, certo Alcimo, que anteriormente fora sumo sacerdote mas que voluntariamente se havia contaminado no tempo da revolta, compreendeu que para ele não havia mais salvação de espécie alguma, nem qualquer possibilidade de acesso ao santo altar.

[4] Dirigiu-se, pois, ao rei Demétrio, por volta do ano cento e cinquenta e um, oferecendo-lhe uma coroa de ouro e uma palma e, além disso, alguns dos ramos de oliveira que se costumam oferecer no Templo. E nesse dia manteve a reserva.

[5] Mas encontrou uma oportunidade cúmplice da sua demência, ao ser chamado por Demétrio perante o Conselho. Interrogado sobre a disposição de ânimo e as intenções dos judeus, a essas questões assim respondeu:

[6] “Aqueles, dentre os judeus, que se chamam assideus, a cuja frente está Judas Macabeu, fomentam a guerra e provocam sedições, não permitindo que o reino alcance a estabilidade.

[7] Eis por que, tendo sido despojado da dignidade que herdei de meus pais — quero dizer, do sumo sacerdócio — aqui vim, neste momento,

[8] antes de tudo pensando sinceramente nos interesses do rei, mas em segundo lugar tendo em vista também os meus concidadãos: pois é pela insensatez desses homens, mencionados acima, que todo o nosso povo sofre não pouco prejuízo.

[9] Tu, portanto, ó rei, depois de te informares a respeito de cada uma destas coisas, assume o cuidado do país e do nosso povo rodeado de perigos, de acordo com a benevolência afável que demonstras para com todos.

[10] De fato, enquanto Judas estiver em vida, é impossível alcançar a paz.”

[11] Ditas por ele tais coisas, logo os outros amigos do rei, que não viam com bons olhos os feitos de Judas, puseram-se a incitar Demétrio.

[12] Este, então, escolhendo logo Nicanor, que havia ocupado o posto de chefe da divisão dos elefantes, e promovendo-o a estratego da Judéia, enviou-o,

[13] dando-lhe as ordens seguintes: quanto ao próprio Judas, eliminá-lo; quanto aos seus partidários, dispersá-los; e quanto a Alcimo, constituí-lo sumo sacerdote do máximo Templo.

[14] Os gentios da Judéia, que haviam fugido diante de Judas, aderiam agora em massa a Nicanor, calculando que os infortúnios e desgraças dos judeus reverteriam em sua própria ventura.

[15] Tendo ouvido a notícia da expedição de Nicanor e da agressão dos gentios, os judeus cobriram de terra as cabeças e puseram-se a suplicar Àquele que constituíra o seu povo para a eternidade e que sempre, com a manifestação da sua presença, vem em socorro da sua própria herança.

[16] A seguir, a uma ordem do seu chefe, partiram imediatamente dali e se embateram com eles perto da aldeia de Dessau.

[17] Simão, o irmão de Judas, havia-se entretanto atirado em combate contra Nicanor; mas, por causa da repentina chegada dos adversários, tinha sido lentamente obrigado a ceder.

[18] Apesar disso, tomando conhecimento da valentia que demonstravam os homens de Judas e da coragem em seus combates em prol da pátria, Nicanor ficou receoso de resolver a questão com derramamento de sangue.

[19] Por isso enviou Posidônio, Teódoto e Matatias com a missão de estenderem a mão aos judeus e receberem a deles.

[20] Feito um amplo debate a respeito dessas coisas, cada chefe as levou ao conhecimento de suas tropas. Estas, manifestado o seu parecer unânime através de uma votação, anuíram aos acordos.

[21] Fixaram então uma data na qual se dirigiriam (os chefes) reservadamente, para o mesmo lugar. De ambos os lados adiantou-se uma liteira e dispuseram cadeiras de honra.

[22] Judas, entretanto, havia postado homens armados nos lugares estratégicos, de prontidão para impedir que se consumasse inesperadamente uma perfídia da parte dos inimigos. Assim realizaram a conferência que se fazia necessária.

[23] Quanto a Nicanor, passou a residir em Jerusalém, mas nada fez de inconveniente. Ao contrário, despediu aquela gente que havia acorrido em massa para ajuntar-se a ele.

[24] E começou a admitir Judas constantemente na sua presença, sentindo-se cordialmente inclinado para com ele.

[25] Chegou mesmo a aconselhá-lo a se casar e a ter filhos. E Judas casou-se, desfrutou de tranquilidade e tomou parte na vida comum.

[26] Alcimo, ao notar a benevolência entre ambos, conseguiu uma cópia dos acordos concluídos e foi ter com Demétrio, acusando Nicanor de ter sentimentos contrários aos interesses do Estado.

[27] E isto por ter ele designado como seu sucessor a Judas, o perturbador do reino.

[28] Fora de si pela cólera e exasperado pelas calúnias desse malvado, o rei escreveu a Nicanor, declarando-lhe que absolutamente não tolerava esses acordos e ordenando-lhe que enviasse de imediato o Macabeu, algemado, para Antioquia.

[29] Chegando essas ordens ao conhecimento de Nicanor, ele ficou consternado. Custava-lhe enormemente romper os tratados com um homem que nada havia cometido de injusto.

[30] Contudo, como não era possível agir em desacordo com o rei, ficou aguardando uma ocasião propícia para executar a ordem, por meio de um estratagema.

[31] O Macabeu, por sua vez, observando que Nicanor passara a comportar-se de modo mais reservado para com ele e que tornara mais ásperos os encontros costumeiros, concluiu que tal reserva não era do melhor augúrio. Por isso, reunindo não poucos dos seus homens, subtraiu-se à vista de Nicanor.

[32] Quando o outro percebeu que havia sido habilmente suplantado pela estratégia desse homem, apresentou-se diante do grandioso e santo Templo, enquanto os sacerdotes ofereciam os sacrifícios costumeiros, e ordenou-lhes que lhe entregassem o homem.

[33] Como lhe declarassem eles com juramento que não sabiam onde poderia encontrar-se o homem a quem procurava,

[34] Nicanor estendeu a mão direita contra o Santuário e assim jurou: “Se não me entregardes Judas algemado, arrasarei ao solo esta habitação de Deus, abaterei o altar e aqui mesmo levantarei um templo insigne a Dionísio!”

[35] Ditas essas palavras, retirou-se. Os sacerdotes, então, estendendo as mãos para o céu, puseram-se a invocar Aquele que sempre tem sido o defensor da nossa gente, dizendo:

[36] “Tu, ó Senhor, que de nenhuma de todas as coisas tens necessidade, te comprazeste em que surgisse em meio a nós o Santuário no qual habitas.

[37] Agora, pois, ó Senhor santo, fonte de toda santificação, guarda para sempre incontaminada esta Casa, que acaba de ser purificada!”

[38] Certo Razias, um dos anciãos de Jerusalém, foi então denunciado a Nicanor. Era um homem interessado por seus concidadãos, de muito boa fama, a quem, por sua bondade, chamavam de “pai dos judeus”.

[39] Ele, já no período precedente da revolta, havia incorrido em condenação por professar o judaísmo, e pelo mesmo judaísmo se expusera, com toda a constância possível, em seu corpo e em sua alma.

[40] Foi quando Nicanor, querendo deixar às claras a hostilidade que nutria para com os judeus, mandou mais de quinhentos soldados para prendê-lo.

[41] Estava certo de infligir a eles um grave golpe, se capturasse este homem.

[42] As tropas estavam para se apoderar da torre e forçavam a porta do pátio, e já se dera a ordem de trazer fogo para se incendiarem as portas quando Razias, cercado de todos os lados, atirou-se sobre a própria espada.

[43] Quis assim nobremente morrer antes que deixar-se cair nas mãos dos celerados para sofrer ultrajes indignos da sua nobreza.

[44] Contudo, não tendo acertado com o golpe, por causa da pressa do combate, e irrompendo já as tropas para dentro dos portais, correu ele animosamente para a muralha e, com intrepidez viril, precipitou-se em cima da multidão.

[45] Recuando todos rapidamente, fez-se um espaço livre. E no meio desse vazio ele tombou.

[46] Ainda respirando e ardendo de indignação, ele ergueu-se, apesar de o sangue escorrer-lhe em borbotões e serem-lhe insuportáveis as feridas. Passou então correndo por entre as tropas e, de pé sobre uma rocha escarpada,

[47] já completamente exangue, arrancou as entranhas e, tomando-as com as duas mãos, arremessou-as contra a multidão. Invocando, ao mesmo tempo, Aquele que é o Senhor da vida e do espírito, para que lhos restituísse um dia, desse modo passou para a outra vida.

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2 Macabeus 13 https://vcirculi.com/2-macabeus-13/ Mon, 23 Feb 2026 00:57:15 +0000 https://vcirculi.com/?p=26731 Aviso ao leitor Este livro – 2 Macabeus – é um livro histórico-teológico do período intertestamentário, preservado na tradição grega da Septuaginta, que aborda episódios da resistência judaica e do...

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[1] No ano cento e quarenta e nove, chegou aos homens de Judas a notícia de que Antíoco Eupátor estava dirigindo-se contra a Judéia à frente de multidões.

[2] E que Lísias, seu tutor e primeiro ministro, vinha com ele, dispondo (cada um) de um exército grego de cento e dez mil soldados, cinco mil e trezentos cavaleiros, vinte e dois elefantes e trezentos carros armados de foices.

[3] A eles ajuntara-se também Menelau, o qual, com grande dissimulação, pôs-se a exortar Antíoco. Isto, porém, não pela salvação de sua pátria, mas contando com ser restabelecido em sua dignidade.

[4] Entretanto, o Rei dos reis excitou contra o celerado a indignação de Antíoco, o qual, tendo Lísias demonstrado ser ele o causador de todos os males, ordenou que o conduzissem a Beréia e ali o executassem de acordo com o costume no lugar.

[5] Com efeito, há nesse lugar uma torre de cinquenta côvados, cheia de cinza, dotada de um instrumento giratório que em qualquer lado fazia precipitar sobre a cinza.

[6] É ali que fazem subir o culpado de roubo sacrílego, ou quem chegou ao cúmulo de outros determinados delitos, para precipitá-lo à morte.

[7] Foi em tal suplício que lhe coube morrer, a esse ímpio Menelau, que não obteve sequer a sepultura.

[8] E isso com plena justiça, pois ele havia cometido muitos pecados contra o altar, cujo fogo é puro como é pura a cinza. E na cinza ele encontrou a morte.

[9] Aproximava-se, pois, o rei, feito um bárbaro em seus sentimentos, pretendendo mostrar aos judeus coisas ainda piores que as acontecidas no tempo de seu pai.

[10] Ciente disto, Judas conclamou a multidão a invocar o Senhor dia e noite para que, como de outras vezes, também agora viesse em socorro dos que estavam para ser privados da Lei, da pátria e do Templo sagrado;

[11] e não permitisse que o povo, apenas começando a retomar alento, se tornasse presa dos gentios infames.

[12] Tendo todos unanimemente feito isso, implorando o Senhor misericordioso por três dias contínuos, com lamentos, jejuns e prostrações, Judas encorajou-os e ordenou-lhes que se mantivessem preparados.

[13] A seguir, tendo-se reunido em particular com os anciãos, resolveu, sem esperar que o exército do rei invadisse a Judéia e se apoderasse da cidade, sair a campo a fim de decidir a situação com a ajuda de Deus.

[14] Por isso, confiando o resultado ao Criador do mundo, exortou seus companheiros a lutarem nobremente, até à morte, pelas leis, pelo Templo, pela cidade, pela pátria e por seus direitos de cidadãos.

[15] E fez seu exército acampar nas cercanias de Modin.

[16] Tendo então dado aos seus a palavra de ordem “Vitória de Deus!”, acompanhado de alguns jovens escolhidos entre os mais valentes, irrompeu de noite contra a tenda do rei, em seu acampamento.

[17] Matou cerca de dois mil homens e abateu o maior dos elefantes, junto com o soldado que estava em sua torreta.

[18] Enfim, tendo enchido o acampamento de terror e de confusão, retiraram-se bem sucedidos,

[19] quando já começava a raiar o dia, tendo isto acontecido por causa da proteção do Senhor, que socorria a Judas.

[20] Tendo o rei experimentado uma amostra da audácia dos judeus, tentou com artifícios apoderar-se de suas posições.

[21] Dirigiu-se então contra Betsur, poderosa fortaleza dos judeus, mas foi várias vezes repelido, derrotado, dizimado.

[22] Enquanto isso, Judas fazia chegar, aos que estavam dentro, o que lhes era necessário.

[23] Entretanto, certo Rôdoco, pertencente às fileiras judaicas, estava transmitindo os segredos de guerra aos inimigos: foi, por isso, procurado, detido, executado.

[24] Parlamentou o rei uma segunda vez com os que estavam em Betsur, estendeu-lhes a mão, estreitou a deles e retirou-se.

[25] Teve ainda um reencontro com os soldados de Judas, mas levou a pior.

[26] Soube então que Filipe, deixado à frente dos negócios do reino, havia perdido a razão em Antioquia.

[27] Consternado, entrou em negociações com os judeus, condescendeu com eles e prestou juramento sobre todas as condições que fossem justas.

[28] Reconciliado, chegou a oferecer um sacrifício e deu mostras de respeito para com o Santuário e de benevolência para com o Lugar.

[29] Deu ainda boa acolhida ao Macabeu e deixou Hegemônida como estratego da região compreendida entre Ptolemaida e o país dos gerrênios.

[30] Dirigiu-se então a Ptolemaida.

[31] Os ptolemaidenses andavam manifestando o seu descontentamento por causa dos tratados, pois estavam indignados por algumas das convenções que desejariam rescindir.

[32] Lísias subiu então à frente da tribuna, defendeu-se o melhor que pôde, persuadiu, acalmou, tornou-os benevolentes, e partiu para Antioquia.

[33] Assim se passaram as coisas referentes à expedição e à retirada do rei.

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2 Macabeus 12 https://vcirculi.com/2-macabeus-12/ Mon, 23 Feb 2026 00:50:35 +0000 https://vcirculi.com/?p=26729 Aviso ao leitor Este livro – 2 Macabeus – é um livro histórico-teológico do período intertestamentário, preservado na tradição grega da Septuaginta, que aborda episódios da resistência judaica e do...

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[1] Concluídos esses tratados, Lísias voltou para junto do rei, enquanto os judeus retornaram ao cultivo da terra.

[2] Dentre os estrategos locais, porém, Timóteo e Apolônio, filho de Geneu, bem como Jerônimo e Demofonte e, além desses, Nicanor, o cipriarca, não os deixavam viver tranquilos nem realizar as obras da paz.

[3] Além disso, os habitantes de Jope chegaram a este cúmulo de impiedade: convidaram os judeus que moravam com eles a subir, com suas mulheres e filhos, a umas barcas por eles mesmos preparadas, como se não houvesse malevolência alguma contra eles.

[4] Antes, pareciam agir segundo uma resolução pública da cidade. Os judeus aceitaram, como gente que deseja viver em paz e sem ter qualquer suspeita. Mas, chegados ao largo, fizeram-nos ir ao fundo. E eram não menos de duzentos.

[5] Quando Judas soube da crueldade cometida contra os seus conacionais, deu ordens de prontidão a seus homens.

[6] E, tendo invocado a Deus, o justo Juiz, marchou contra os assassinos dos seus irmãos. Incendiou de noite o porto, queimou as barcas e passou ao fio de espada todos os que nelas haviam procurado refúgio.

[7] Estando, porém, fechada a cidade, ele partiu, mas com a intenção de vir outra vez a fim de extirpar completamente a população dos jopitas.

[8] Informado, entretanto, de que os habitantes de Jâmnia queriam proceder da mesma forma para com os judeus que moravam entre eles,

[9] caiu de surpresa também sobre os jamnitas, à noite, e incendiou-lhes o porto com a frota, de tal sorte que os clarões do fogo puderam ser vistos até em Jerusalém, embora distante duzentos e quarenta estádios.

[10] Tendo-se afastado dali nove estádios, ao fazerem a marcha contra Timóteo, uns árabes arremessaram-se contra ele, não menos de cinco mil, sendo quinhentos os cavaleiros.

[11] Travando-se um combate violento, mas, pela ajuda de Deus, levando a melhor os homens de Judas, os nômades, vencidos, pediram a Judas que lhes estendesse a mão direita. E prometeram entregar-lhe gado e ser-lhe úteis em tudo o mais.

[12] Judas compreendeu que eles na verdade poderiam ser úteis em muitas coisas e consentiu em oferecer-lhes a paz. Assim, tendo-se dado as mãos, eles retiraram-se para suas tendas.

[13] Judas assaltou também uma cidade defendida com trincheiras, circundada por muralhas e habitada por gente de todas as raças, cujo nome era Caspin.

[14] Os de dentro, confiando na solidez dos muros e na provisão dos víveres, portavam-se de modo cada vez mais insolente para com os homens de Judas, insultando-os e ainda blasfemando e proferindo o que não convém.

[15] Os homens de Judas, então, invocando o grande Soberano do mundo, o qual, sem aríetes nem máquinas de guerra fizera cair Jericó nos tempos de Josué, irromperam como feras contra a muralha.

[16] Tendo-se, então, pela vontade de Deus, tornado senhores da cidade, fizeram aí matanças indescritíveis. E isto a tal ponto que um lago vizinho, com a largura de dois estádios, parecia repleto do sangue que havia escorrido.

[17] Tendo-se afastado de lá setecentos e cinquenta estádios, chegaram a Cáraca, onde se encontravam os judeus chamados tubianos.

[18] Quanto a Timóteo, não o surpreenderam nessas paragens: ele partira desses lugares sem ter podido fazer qualquer coisa, embora houvesse deixado em certo posto uma guarnição, por sinal bem equipada.

[19] Mas Dositeu e Sosípatro, que faziam parte do grupo de generais do Macabeu, tendo para lá realizado uma incursão, aniquilaram os homens deixados por Timóteo na fortaleza, em número de mais de dez mil.

[20] O Macabeu, por seu turno, havendo distribuído o seu exército em alas, confiou a ambos o seu comando e arremeteu contra Timóteo, o qual tinha consigo cento e vinte mil soldados e dois mil e quinhentos cavaleiros.

[21] Informado da aproximação de Judas, Timóteo mandou adiante as mulheres, as crianças e todo o restante das bagagens, para o lugar chamado Cárnion. Tratava-se de uma fortaleza inexpugnável e de difícil acesso, por causa das passagens estreitas de toda a região.

[22] Entretanto, ao aparecer a primeira ala de Judas, apoderou-se dos inimigos o terror e ainda o medo suscitado pela manifestação, contra eles, daquele que tudo vê.

[23] Começaram então a fugir desabaladamente, um arrastado para cá e outro para lá, a ponto de muitas vezes serem feridos pelos próprios companheiros e atravessados ao fio das próprias espadas.

[24] Judas pôs-se então a persegui-los cada vez mais vigorosamente, trespassando esses criminosos, dos quais acabou com cerca de trinta mil homens.

[25] O próprio Timóteo, caído nas mãos dos soldados de Dositeu e Sosípatro, pôs-se a suplicar com muita artimanha que o deixassem partir com vida, afirmando ter em seu poder os pais de muitos deles, e de alguns dos irmãos, aos quais poderia acontecer serem eliminados.

[26] Tendo ele, com muitas palavras, dado garantia ao pacto de restituí-los incólumes, deixaram-no ir livre, a bem da salvação dos seus irmãos.

[27] Entretanto, havendo feito uma incursão contra o Cárnion e o Atargateion, Judas aí matou vinte e cinco mil pessoas.

[28] Depois de infligida essa derrota e chacina, ele conduziu o seu exército também contra Efron, cidade fortificada, onde morava Lisânias.

[29] Moços robustos, postados diante da muralha, defendiam-na valorosamente, enquanto dentro havia grandes reservas de máquinas e projéteis.

[30] Mas, tendo invocado o Soberano que por seu poder esmaga as forças dos inimigos, eles tomaram a cidade em suas mãos.

[31] E, dos que nela estavam, abateram cerca de vinte e cinco mil.

[32] Partindo de lá, marcharam com ímpeto contra Citópolis, distante de Jerusalém seiscentos estádios.

[33] Tendo, porém, os judeus que nela residiam dado testemunho da benevolência que os citopolitanos demonstravam para com eles e da acolhida benigna que lhes haviam dado também nas ocasiões de infortúnio,

[34] Judas e os seus exprimiram-lhes sua gratidão e os exortaram a que continuassem a mostrar-se benignos, também no futuro, para com os de sua raça.

[35] Assim é que chegaram a Jerusalém, estando bem próxima a festa das Semanas.

[36] Depois da festa chamada Pentecostes, marcharam impetuosamente contra Górgias, estratego da Iduméia,

[37] o qual saiu a campo com três mil soldados e quatrocentos cavaleiros.

[38] Aconteceu que, ao se darem combate, tombaram mortos alguns dos judeus.

[39] Mas certo Dositeu, cavaleiro do grupo dos tubianos, homem valente, conseguiu lançar a mão sobre Górgias: tendo-o agarrado pela clâmide, obrigava-o vigorosamente a segui-lo, a fim de capturar vivo esse maldito.

[40] Foi quando um dos cavaleiros trácios, investindo contra ele, cortou-lhe o ombro, e assim Górgias pôde escapar para Marisa.

[41] Entretanto, os que estavam com Esdrin combatiam havia tempo e já sentiam-se exaustos.

[42] Judas então invocou o Senhor para que se manifestasse como seu aliado e guia no combate.

[43] A seguir, entoando o grito de guerra com hinos na língua paterna, arremessou-se de surpresa contra os homens de Górgias, constrangendo-os à retirada.

[44] Tendo depois reunido o seu exército, Judas atingiu a cidade de Odolam.

[45] Chegado o sétimo dia, purificaram-se conforme o costume e, ali mesmo, celebraram o sábado.

[46] No dia seguinte, sendo já urgente a tarefa, partiram os homens de Judas para recolherem os corpos dos que haviam tombado, a fim de inumá-los junto com os seus parentes, nos túmulos de seus pais.

[47] Então encontraram, debaixo das túnicas de cada um dos mortos, objetos consagrados aos ídolos de Jâmnia, cujo uso a Lei vedava aos judeus.

[48] Tornou-se assim evidente, para todos, que foi por esse motivo que eles sucumbiram.

[49] Todos, pois, tendo bendito o modo de proceder do Senhor, justo Juiz que torna manifestas as coisas escondidas,

[50] puseram-se em oração para pedir que o pecado cometido fosse completamente cancelado.

[51] E o nobre Judas exortou a multidão a se conservar isenta de pecado, tendo com os próprios olhos visto o que acontecera por causa do pecado dos que haviam tombado.

[52] Depois, tendo organizado uma coleta individual, enviou a Jerusalém cerca de duas mil dracmas de prata, a fim de que se oferecesse um sacrifício pelo pecado: agiu assim absolutamente bem e nobremente, com o pensamento na ressurreição.

[53] De fato, se ele não esperasse que os que haviam sucumbido iriam ressuscitar, seria supérfluo e tolo rezar pelos mortos.

[54] Mas, se considerava que uma belíssima recompensa está reservada para os que adormecem na piedade, então era santo e piedoso o seu modo de pensar.

[55] Eis por que ele mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado.

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2 Macabeus 11 https://vcirculi.com/2-macabeus-11/ Mon, 23 Feb 2026 00:46:06 +0000 https://vcirculi.com/?p=26727 Aviso ao leitor Este livro – 2 Macabeus – é um livro histórico-teológico do período intertestamentário, preservado na tradição grega da Septuaginta, que aborda episódios da resistência judaica e do...

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[1] Bem pouco tempo depois, Lísias, tutor e parente do rei, encarregado dos negócios do reino, levando muito a mal esses acontecimentos,

[2] reuniu cerca de oitenta mil soldados com toda a sua cavalaria e pôs-se em marcha contra os judeus. Seu propósito era transformar a Cidade numa residência para os gregos,

[3] submeter o Templo a um tributo, à semelhança dos outros lugares de culto das nações, e pôr à venda, ano por ano, a dignidade de sumo sacerdote.

[4] Isto, porém, não tendo em conta alguma o poder de Deus, mas confiando somente nas suas miríades de soldados, nos seus milhares de cavaleiros e nos seus oitenta elefantes.

[5] Tendo, pois, penetrado na Judéia, aproximou-se de Betsur, que é uma praça forte, distante de Jerusalém cerca de cinco esquenos, e começou a apertá-la com o cerco.

[6] Quando os homens do Macabeu souberam que ele estava sitiando as fortalezas, começaram a suplicar ao Senhor, entre gemidos e lágrimas, junto com a população, para que enviasse um anjo bom para a salvação de Israel.

[7] O próprio Macabeu, sendo o primeiro a empunhar as armas, exortava os outros a exporem-se ao perigo juntamente com ele, para levarem socorro a seus irmãos. E eles, unidos e cheios de ardor, puseram-se em marcha.

[8] Encontravam-se ainda perto de Jerusalém, quando apareceu-lhes à frente, revestido de branco, um cavaleiro, que brandia armas de ouro. Todos, então, unânimes, bendisseram o Deus misericordioso e sentiram-se revigorados em seus ânimos, achando-se prontos a traspassar não só a homens, mas também a feras das mais selvagens e até a muros de ferro.

[9] Avançaram, pois, em ordem de batalha, tendo consigo esse aliado vindo do céu, graças à misericórdia que deles tivera o Senhor.

[10] Assim, atirando-se contra os inimigos como leões, estenderam por terra onze mil dentre eles, além de mil e seiscentos cavaleiros, obrigando os outros todos a fugir.

[11] A maior parte dentre estes, porém, escaparam feridos e sem armas. O próprio Lísias salvou-se fugindo de maneira vergonhosa.

[12] Como, porém, não era homem insensato, refletindo sobre o revés que lhe tocara, Lísias compreendeu que os hebreus eram invencíveis porque o Deus poderoso combatia com eles.

[13] Por isso enviou-lhes uma delegação, a fim de persuadi-los a chegarem a um acordo em tudo o que fosse justo, prometendo-lhes também constranger o rei a tornar-se amigo deles.

[14] O Macabeu consentiu em tudo o que propunha Lísias, preocupado somente com a utilidade comum. E tudo o que o Macabeu transmitiu por escrito a Lísias, a respeito dos judeus, o rei o concedeu.

[15] A carta escrita por Lísias aos judeus estava redigida nestes termos: “Lísias ao povo dos judeus, saudações!

[16] João e Absalão, por vós enviados, entregaram-me o documento abaixo transcrito, suplicando em favor dos pedidos nele contidos.

[17] Submeti, então, ao rei todas as coisas que deviam ser-lhe manifestadas, e ele concedeu o que era aceitável.

[18] Se, portanto, conservardes uma disposição favorável para com os negócios do estado, eu me esforçarei por ser promotor dos vossos interesses, também no futuro.

[19] Sobre esses pontos e seus pormenores, já dei instruções aos vossos e meus enviados, a fim de que os discutam convosco.

[20] Passai bem. No ano cento e quarenta e oito, aos vinte e quatro dias do mês de Dióscoro.”

[21] A carta do rei estava assim redigida: “O rei Antíoco a seu irmão Lísias, saudações.

[22] Tendo-se trasladado nosso pai para junto dos deuses, querendo nós que os súditos do nosso reino estejam livres de qualquer incômodo a fim de poderem dedicar-se ao cuidado dos próprios interesses,

[23] ouvimos dizer que os judeus não consentem na adoção dos costumes gregos, querida por nosso pai. Mas antes, preferindo o seu modo de vida particular, desejam que se lhes permita a observância das suas leis.

[24] Querendo, pois, que também este povo possa viver sem temor, decidimos que o Templo lhes seja restituído e que possam governar-se segundo os costumes dos seus antepassados.

[25] Por isso, bem farás enviando-lhes embaixadores que lhes dêem as mãos, a fim de que, sabedores da nossa intenção, fiquem de ânimo sereno e se entreguem prazerosamente às próprias ocupações.”

[26] A carta do rei ao povo, enfim, foi a seguinte: “O rei Antíoco ao Conselho dos anciãos dos judeus e aos outros judeus, saudações!

[27] Se passais bem, é como desejamos. Quanto a nós, também vamos bem de saúde.

[28] Menelau nos fez conhecer o desejo que tendes de voltar, para cuidardes dos vossos interesses.

[29] Aos que regressarem, pois, até o dia trinta do mês de Xântico, ser-lhes-á estendida a mão. E isto com a licença

[30] de poderem servir-se, os judeus, de seus alimentos e de suas leis, como o faziam anteriormente. E que nenhum deles seja de modo algum molestado pelas faltas cometidas por ignorância.

[31] Estou enviando também Menelau, para tranquilizar-vos.

[32] Passai bem. No ano cento e quarenta e oito, aos quinze dias do mês de Xântico.”

[33] Também os romanos endereçaram-lhes uma carta, assim redigida: “Quinto Mêmio, Tito Manílio e Mânio Sérgio, legados romanos, ao povo dos judeus, saudações!

[34] A respeito das coisas que Lísias, parente do rei, vos concedeu, também nós estamos de acordo.

[35] Quanto às que ele julgou necessário submeter à apreciação do rei, vós, depois de tê-las examinado, enviai-nos imediatamente alguém, a fim de que possamos expô-las (ao rei) como melhor convém para vós. Pois estamos de partida para Antioquia.

[36] Por isso, apressai-vos em mandar-nos alguns dentre vós para que também nós saibamos qual é a vossa opinião.

[37] Passai bem. No ano cento e quarenta e oito, aos quinze dias do mês de Dióscoro.”

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2 Macabeus 10 https://vcirculi.com/2-macabeus-10/ Mon, 23 Feb 2026 00:40:17 +0000 https://vcirculi.com/?p=26725 Aviso ao leitor Este livro – 2 Macabeus – é um livro histórico-teológico do período intertestamentário, preservado na tradição grega da Septuaginta, que aborda episódios da resistência judaica e do...

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[1] Sob a guia do Senhor, Macabeu e os seus companheiros retomaram o Templo e a cidade.

[2] Demoliram então os altares construídos pelos estrangeiros na praça pública, bem como seus oratórios.

[3] Depois, tendo purificado o Santuário, levantaram outro altar para os holocaustos. E logo, extraindo a centelha das pedras, tomaram do fogo resultante e ofereceram sacrifícios, após uma interrupção de dois anos. Queimaram também o incenso, acenderam as lâmpadas e fizeram a apresentação dos pães.

[4] Realizadas essas coisas, prostraram-se com o ventre por terra, suplicando ao Senhor que não mais os deixasse cair em tão grandes males. Mas que, se tornassem a pecar, fossem por ele corrigidos com moderação, sem contudo serem entregues às nações blasfemas e bárbaras.

[5] Assim, no dia em que o Santuário havia sido profanado pelos estrangeiros, nesse mesmo dia sucedeu realizar-se a purificação do Santuário, isto é, no vigésimo quinto dia do mesmo mês, que era o de Casleu.

[6] E com júbilo celebraram oito dias de festa, como para as Tendas, recordando-se que, pouco tempo antes, durante a própria festa das tendas, estavam obrigados a viver nas montanhas e nas cavernas, à maneira de feras.

[7] Eis por que, trazendo tirsos e ramos vistosos, bem como palmas, entoavam hinos Àquele que de modo tão feliz os conduzira à purificação do seu Lugar.

[8] Depois, com um público edito confirmado por votação, prescreveram a toda a nação dos judeus que celebrassem anualmente esses dias.

[9] Tais foram as circunstâncias da morte de Antíoco, cognominado Epifanes.

[10] Agora, quanto aos fatos que concernem a Antíoco Eupátor, filho desse ímpio, vamos narrá-los, embora resumindo os males que resultaram de suas guerras.

[11] Ele, pois, tendo herdado o reino, pôs à frente de sua administração certo Lísias, estratego e comandante supremo da Celessíria e da Fenícia.

[12] Ora, Ptolomeu, chamado Macron, que havia tomado a iniciativa de praticar a justiça para com os judeus, em reparação da injustiça contra eles cometida, esforçava-se por resolver em paz as questões que a eles se referiam.

[13] Por esse motivo, foi acusado junto a Eupátor pelos amigos do rei. De fato, a toda hora chamavam-no de traidor, pelo fato de haver abandonado Chipre, que lhe fora confiada por Filométor, e por haver passado para o lado de Antíoco Epifanes. Assim, não conseguindo mais exercer com honra o seu cargo, tomando veneno, abandonou a vida.

[14] Entretanto, havendo-se tornado estratego dessas regiões, Górgias mantinha tropas mercenárias e fomentava, a cada oportunidade, a guerra contra os judeus.

[15] Ao mesmo tempo, também os idumeus, que possuíam fortalezas bem situadas, molestavam os judeus e procuravam manter o estado de guerra, acolhendo os proscritos de Jerusalém.

[16] Por isso, tendo feito preces públicas e suplicando a Deus que se tornasse seu aliado, os homens do Macabeu arremessaram-se contra as fortalezas dos idumeus.

[17] Tendo-as assaltado vigorosamente, conseguiram apoderar-se dessas posições, repelindo a todos os que combatiam sobre a muralha: trucidando a quantos lhes caíam nas mãos, mataram não menos de vinte mil.

[18] Entretanto, não menos de nove mil conseguiram refugiar-se em duas torres solidamente fortificadas, dotadas de todo o necessário para sustentar um cerco.

[19] O Macabeu deixou Simão e José e ainda Zaqueu com os seus companheiros, em número suficiente para sitiá-los, enquanto ele pessoalmente partiu para lugares mais necessitados.

[20] Mas os companheiros de Simão, ávidos de dinheiro, deixaram-se corromper por alguns dos sitiados nas torres e, deles recebendo setenta mil dracmas, permitiram que alguns escapassem.

[21] Tendo sido levada ao Macabeu a notícia do que havia ocorrido, ele reuniu os chefes do povo e denunciou os que por dinheiro haviam vendido seus irmãos, deixando livres contra eles seus inimigos.

[22] A esses, pois, que se haviam tornado traidores, mandou-os executar, e imediatamente ocupou as duas torres.

[23] Conduzindo a bom termo, com suas armas, tudo o que empreendia, ele matou nessas duas fortalezas mais de vinte mil pessoas.

[24] Timóteo, que já antes havia sido derrotado pelos judeus, tendo recrutado forças estrangeiras em grande número e reunido não poucos cavalos vindos da Ásia, apareceu para conquistar a Judéia à força das armas.

[25] Aproximando-se ele, os homens do Macabeu espargiram terra sobre suas cabeças e cingiram os rins com pano grosseiro, em sinal de súplica a Deus.

[26] Prostrados no supedâneo diante do altar, rezavam para que, sendo favorável a eles, o Senhor se fizesse inimigo dos seus inimigos e adversário dos seus adversários, como o declara a Lei.

[27] Chegados ao fim desta oração, tomaram as armas e adiantaram-se para fora da cidade até boa distância. Entretanto, ao chegarem perto dos inimigos, detiveram-se.

[28] Apenas começava a difundir-se a madrugada, entraram uns e outros em batalha: uns tendo como garantia do sucesso e da vitória, além da sua bravura, o recurso ao Senhor; os outros, porém, tomando o seu próprio furor como guia dos combates.

[29] Tornando-se renhida a luta, apareceram aos adversários, vindos do céu, sobre cavalos com rédeas de ouro, cinco homens magníficos, que se puseram à frente dos judeus.

[30] E logo, conservando o Macabeu no meio deles e defendendo-o com as suas armaduras, tornavam-no invulnerável. Ao mesmo tempo, lançavam dardos e raios contra os adversários, os quais, desnorteados pela impossibilidade de ver, dispersavam-se, repletos de confusão.

[31] Foram assim trucidados vinte mil e quinhentos soldados, além de seiscentos cavaleiros.

[32] Quanto a Timóteo, conseguiu refugiar-se na fortaleza chamada Gazara, muito bem fortificada, cujo comandante era Quéreas.

[33] Os homens do Macabeu, porém, sitiaram a praça forte durante quatro dias, cheios de entusiasmo.

[34] Os de dentro, confiados na inexpugnabilidade do lugar, blasfemavam sem conta e proferiam palavras ímpias.

[35] Ao amanhecer do quinto dia, vinte jovens dentre os soldados do Macabeu, inflamados de cólera por causa das blasfêmias, arremessaram-se varonilmente contra a muralha e com ardor feroz começaram a trucidar a quem lhes caísse nas mãos.

[36] Outros, igualmente, subindo contra os assediados pelo lado oposto da muralha, puseram fogo às torres e, tendo acendido fogueiras, queimaram vivos os blasfemadores. Entretanto os primeiros, abatendo as portas e acolhendo o restante do exército, à sua frente ocuparam a cidade.

[37] Passaram então a fio de espada Timóteo, que se havia escondido numa cisterna, bem como seu irmão Quéreas e Apolófanes.

[38] Tendo realizado esses feitos, eles bendisseram com hinos e louvores o Senhor, que tão grandiosamente havia outorgado benefícios a Israel e lhes concedera a vitória.

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2 Macabeus 9 https://vcirculi.com/2-macabeus-9/ Mon, 23 Feb 2026 00:36:15 +0000 https://vcirculi.com/?p=26723 Aviso ao leitor Este livro – 2 Macabeus – é um livro histórico-teológico do período intertestamentário, preservado na tradição grega da Septuaginta, que aborda episódios da resistência judaica e do...

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[1] Por essa mesma ocasião, sucedeu que Antíoco teve de voltar desordenadamente das regiões da Pérsia.

[2] De fato, havendo entrado na cidade chamada Persépolis, tentou despojar-lhe o templo e dominar a própria cidade. A multidão, por isso, irrompendo, recorreu às armas, e o resultado foi que Antíoco, acossado pelos habitantes do país, teve de empreender uma retirada vergonhosa.

[3] Estando ele perto de Ecbátana, chegou-lhe a notícia do que havia acontecido a Nicanor e aos homens de Timóteo.

[4] Fora de si pela cólera, pensou em fazer pesar sobre os judeus também a injúria dos que o haviam posto em fuga. Por esse motivo, ordenou ao cocheiro que completasse o percurso prosseguindo sempre, sem parar, enquanto já o acompanhava o julgamento do céu. De fato, assim havia ele falado, na sua soberba: “Farei de Jerusalém um cemitério de judeus, apenas chegue lá!”

[5] Foi quando o Senhor, que tudo vê, o Deus de Israel, feriu-o com uma doença incurável e invisível: apenas terminara ele a sua frase, acometeu-o uma dor insuportável nas entranhas e tormentos atrozes no ventre.

[6] Isso era plenamente justo em quem havia atormentado as entranhas dos outros com numerosas e rebuscadas torturas.

[7] Mesmo assim, não desistia em nada da sua arrogância. Antes, regurgitando de soberba e exalando contra os judeus o fogo dos seus furores, mandou ainda acelerar a marcha. Sucedeu-lhe então cair da carruagem que corria com estrépito e, sofrendo queda tão violenta, descontaram-se-lhe todos os membros do corpo.

[8] E ele que, pouco antes, na sua arrogância sobre-humana, achava poder dar ordens às ondas do mar e se imaginava pesando na balança os cumes das montanhas, estendido por terra, via-se transportado numa padiola, dando assim, a todos, mostras evidentes do poder de Deus.

[9] Tanto mais que, do corpo desse ímpio, começaram a pulular os vermes. E, estando ele ainda vivo, as carnes se lhe caíam aos pedaços entre espasmos lancinantes, enquanto o exército inteiro, por causa do odor fétido, mal suportava essa podridão.

[10] Assim, aquele que pouco antes parecia estar tocando nos astros do céu, ninguém agora aguentava carregá-lo, por causa do peso insuportável desse odor fétido.

[11] Nessas circunstâncias, pois, todo chagado, começou a moderar seu orgulho excessivo e a tomar consciência da realidade, enquanto, sob o açoite divino, era a cada momento atormentado pelas dores.

[12] E não podendo, nem mesmo ele, suportar o próprio fedor, assim falou: “É justo submeter-se a Deus. E não aspirar, o simples mortal, a igualar-se à divindade.”

[13] Orava, pois, o celerado, àquele Soberano que não mais devia ter compaixão dele. E assegurava

[14] que haveria de proclamar livre a cidade santa para a qual se dirigia apressadamente a fim de arrasá-la ao solo e transformá-la em cemitério;

[15] que haveria de igualar aos atenienses todos os judeus, os quais ele antes reputava indignos até da sepultura e merecedores, ao contrário, de serem expostos às aves de rapina e atirados, com seus filhinhos, às feras;

[16] que adornaria com as mais belas oferendas o sagrado Santuário, que ele havia outrora despojado; e restituiria, em número ainda maior, todos os vasos sagrados; e com as próprias rendas proveria às despesas necessárias para os sacrifícios;

[17] e, além de tudo isso, que se tornaria judeu e, percorrendo todos os lugares habitados, anunciaria o poder de Deus.

[18] Como de modo algum cessassem as suas dores, pois o alcançara o justo juízo de Deus, e perdendo assim toda esperança no próprio restabelecimento, escreveu aos judeus a carta seguinte, em tom de súplica, assim redigida:

[19] “Aos honrados cidadãos judeus, Antíoco, rei e estratego: muitas saudações e votos de saúde e bem-estar!

[20] Se passais bem, vós e vossos filhos, e se vossos negócios correm de acordo com a expectativa, rendemos copiosas ações de graças.

[21] Quanto a mim, estou sem forças, estendido sobre um leito e conservo uma afetuosa lembrança de vós. Voltando das regiões da Pérsia, ao ser acometido por incômoda enfermidade, julguei necessário preocupar-me com a comum segurança de todos.

[22] Não que eu desespere do meu estado, pois tenho, ao contrário, muitas esperanças de escapar desta enfermidade.

[23] Considerando, porém, que meu pai, todas as vezes que fazia expedições às regiões do planalto, designava seu futuro sucessor,

[24] a fim de que, no caso de acontecer algo inesperado ou de se espalhar uma notícia infausta, não se agitassem os habitantes do país, visto saberem a quem fora deixada a administração dos negócios;

[25] e refletindo, além disso, que os soberanos próximos de nós e vizinhos ao nosso reino estão atentos aos momentos e aguardam as eventualidades, designei como rei meu filho Antíoco. Já muitas vezes, ao subir para as províncias do planalto, confiei-o e recomendei-o a muitos dentre vós. Aliás, a ele escrevi a carta que segue abaixo.

[26] Exorto-vos, pois, e rogo que, lembrados dos benefícios que de mim recebestes em comum e individualmente, cada um de vós conserve, para comigo e também para com meu filho, a presente benevolência.

[27] Estou persuadido de que ele, seguindo esta minha decisão, portar-se-á com brandura e humanidade no seu relacionamento convosco.”

[28] Assim este assassino e blasfemo, no meio dos piores sofrimentos, do mesmo modo como havia tratado os outros, terminou a vida em terra estranha, nas montanhas, no mais lastimável dos destinos.

[29] Filipe, seu companheiro de infância, trasladou-lhe o corpo. Mas, temendo o filho de Antíoco, retirou-se para o Egito, para junto de Ptolomeu Filométor.

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2 Macabeus 8 https://vcirculi.com/2-macabeus-8/ Mon, 23 Feb 2026 00:31:42 +0000 https://vcirculi.com/?p=26721 Aviso ao leitor Este livro – 2 Macabeus – é um livro histórico-teológico do período intertestamentário, preservado na tradição grega da Septuaginta, que aborda episódios da resistência judaica e do...

O post 2 Macabeus 8 apareceu primeiro em VCirculi.

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[1] Entretanto Judas, também chamado macabeu, e os seus companheiros, iam introduzindo-se às ocultas nas aldeias. Chamando a si os coirmãos de raça e recrutando os que haviam perseverado firmes no judaísmo, chegaram a reunir cerca de seis mil pessoas.

[2] E invocavam o Senhor, a fim de que volvesse o olhar para o povo, espezinhado por todos; que tivesse piedade também do Templo, profanado pelos ímpios;

[3] que se compadecesse ainda da cidade, arruinada e em vias de ser nivelada ao solo, e escutasse os clamores do sangue que gritava até ele;

[4] enfim, que se recordasse da matança iníqua das crianças inocentes, bem como das blasfêmias lançadas contra o seu nome, e pusesse em ação a sua ira contra os malvados.

[5] Transformada a sua gente em grupo organizado, o Macabeu começou a tornar-se irresistível para os gentios, tendo-se mudado em misericórdia a cólera do Senhor.

[6] Chegando de improviso às cidades e aldeias, ateava-lhes fogo; e, apoderando-se dos pontos estratégicos, punha em fuga a não poucos de entre os inimigos.

[7] Para tais incursões, escolhia de preferência a noite como colaboradora. De resto, a fama da sua valentia propagava-se por toda parte.

[8] Filipe, vendo este homem chegar pouco a pouco ao sucesso e cada vez mais solidamente progredir nas vitórias, escreveu a Ptolomeu, estratego da Celessíria e da Fenícia, para que viesse em socorro dos interesses do rei.

[9] Este escolheu sem demora a Nicanor, filho de Pátroclo e um dos primeiros amigos do rei, confiando-lhe o comando de não menos de vinte mil gentios de todas as raças, e enviando-o com a ordem de exterminar todo o povo dos judeus. Mas associou-lhe também Górgias, general de profissão e experimentado em assuntos de guerra.

[10] Nicanor tinha-se proposto, por seu turno, com a venda dos judeus a serem aprisionados, levantar a quantia de dois mil talentos, que era o tributo devido pelo rei aos romanos.

[11] Sem demora, por isso, mandou mensageiros às cidades do litoral, convidando-as a virem comprar escravos judeus, chegando a prometer noventa cabeças por um talento. É que ele não contava com o castigo que deveria alcançá-lo da parte do Todo-poderoso.

[12] Entretanto, a notícia do avanço de Nicanor chegou a Judas, o qual notificou aos seus a aproximação do exército.

[13] Os que ficaram com medo e não confiavam na justiça de Deus fugiram para se porem a salvo e abandonaram o seu posto.

[14] Os outros, porém, vendiam tudo o que lhes havia restado, e ao mesmo tempo suplicavam ao Senhor que conservasse livres aqueles que pelo ímpio Nicanor já tinham sido vendidos antes mesmo do combate.

[15] E isto, se não por causa deles, ao menos em consideração das alianças concluídas com seus pais e por causa do seu nome augusto e cheio de majestade, que eles invocavam.

[16] Reunindo então seus companheiros, em número de seis mil, o Macabeu exortou-os repetidamente a que não se deixassem amedrontar diante dos inimigos, nem se preocupassem com a multidão enorme dos gentios que injustamente vinham atacá-los, mas que lutassem com bravura.

[17] Que tivessem diante dos olhos o ultraje por eles iniquamente consumado contra o lugar santo, a desfiguração da cidade vilipendiada e ainda a abolição dos direitos dos antepassados.

[18] E acrescentou: “Eles confiam nas armas e em seus atos de audácia, enquanto nós depositamos nossa confiança no Deus Todo-poderoso, que bem pode, com um único aceno, abater os que marcham contra nós, e mesmo o mundo inteiro!”

[19] Além disso, recordou-lhes os socorros que seus antepassados haviam recebido, especialmente o que ocorrera no tempo de Senaquerib, quando pereceram cento e oitenta e cinco mil homens.

[20] E também a batalha que se travou em Babilônia contra os gálatas, quando oito mil ao todo, junto com quatro mil macedônios, entraram em combate: os oito mil, estando os macedônios em dificuldade, aniquilaram cento e vinte mil inimigos, graças ao socorro que lhes veio do céu, e ainda recolheram imensos despojos.

[21] Tendo-os encorajado com essas palavras e tornando-os prontos a morrerem pelas leis e pela pátria, dividiu seu exército em quatro partes aproximadamente iguais.

[22] À frente de cada grupo colocou seus irmãos Simão, José e Jônatas, dando a cada um o comando de mil e quinhentos homens,

[23] e destacando ainda a Eleazar. Lido então o livro sagrado e dada a palavra de ordem — “Auxílio de Deus!” —, pôs-se ele mesmo à frente do primeiro grupo e lançou-se contra Nicanor.

[24] Tendo-se feito seu aliado o Todo-poderoso, trucidaram mais de nove mil dos inimigos, feriram e mutilaram a maior parte do exército de Nicanor, e ainda obrigaram todos à fuga.

[25] Quanto ao dinheiro dos que tinham vindo para comprá-los como escravos, eles o tomaram. Perseguindo os fugitivos por longo tempo, tiveram de desistir, constrangidos pelo adiantado da hora,

[26] pois era véspera do sábado, motivo pelo qual não continuaram a acossá-los.

[27] Tendo, pois, recolhido as armas e despojado os cadáveres dos inimigos, eles entregaram-se à celebração do sábado, bendizendo profundamente e exaltando o Senhor que os havia preservado até esse dia, dando assim início à sua misericórdia em favor deles.

[28] Passado o sábado, distribuíram parte dos despojos aos que haviam sido prejudicados, às viúvas e aos órfãos, enquanto eles e seus filhos repartiram entre si o restante.

[29] Tendo feito isto, e organizada uma rogação comum, pediram ao Senhor misericordioso que se reconciliasse plenamente com os seus servos.

[30] A seguir, defrontando-se com os soldados de Timóteo e de Báquides, mataram mais de vinte mil dentre eles e apoderaram-se facilmente de algumas fortalezas em pontos elevados. E dividiram os abundantes despojos em partes iguais: uma para si e outra para os prejudicados, os órfãos e as viúvas, e também os anciãos.

[31] Com diligência recolheram as armas dos inimigos, depositando-as todas em lugares convenientes. Quanto ao restante dos despojos, transportaram-nos a Jerusalém.

[32] Mataram o filarca, um dos homens mais achegados a Timóteo, celerado da pior espécie, que havia afligido muitíssimo os judeus.

[33] Finalmente, ao celebrarem na pátria os festejos pela vitória, queimaram vivos os que haviam incendiado os portais sagrados, e com eles Calístenes, todos refugiados no mesmo esconderijo. Assim receberam a digna recompensa da sua impiedade.

[34] O celeradíssimo Nicanor, que fizera vir os mil negociantes para a venda dos judeus,

[35] foi humilhado, com a ajuda do Senhor, por aqueles que eram tidos por ele na mínima conta: teve de depor suas vestes esplêndidas e, dispensando toda comitiva, atravessou o interior do país à maneira de um escravo fugitivo, até chegar a Antioquia. E ainda podia dar-se por muito bem sucedido, em vista da ruína do seu exército.

[36] Assim, aquele que havia assumido o empenho de saldar o tributo devido aos romanos com a venda dos prisioneiros de Jerusalém, começou a proclamar que os judeus tinham um Defensor, e que justamente por isto eram os judeus invulneráveis: porque seguiam as leis por ele estabelecidas.

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2 Macabeus 7 https://vcirculi.com/2-macabeus-7/ Mon, 23 Feb 2026 00:27:42 +0000 https://vcirculi.com/?p=26719 Aviso ao leitor Este livro – 2 Macabeus – é um livro histórico-teológico do período intertestamentário, preservado na tradição grega da Septuaginta, que aborda episódios da resistência judaica e do...

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[1] Aconteceu também que sete irmãos, detidos com sua mãe, começaram a ser coagidos pelo rei a tocar na proibida carne de porco, sendo por isso atormentados com flagelos e nervos.

[2] Um dentre eles, fazendo-se porta-voz dos outros, assim falou: “Que pretendes interrogar e saber de nós? Estamos prontos a morrer, antes que a transgredir as leis de nossos pais.”

[3] O rei, enfurecido, ordenou que se pusessem ao fogo assadeiras e caldeirões.

[4] Tornados estes logo incandescentes, ordenou que se cortasse a língua ao que se havia feito porta-voz dos outros, e lhe arrancassem o couro cabeludo e lhe decepassem as extremidades, tudo isto aos olhos dos outros irmãos e de sua mãe.

[5] Já mutilado em todos os seus membros, mandou que o levassem ao fogo e o fizessem assar, enquanto ainda respirava. Difundindo-se abundantemente o vapor da assadeira, os outros exortavam-se entre si e com sua mãe, a morrer generosamente. E diziam:

[6] “O Senhor Deus nos observa e tem verdadeiramente compaixão de nós, segundo o que Moisés declarou no seu cântico, que atesta abertamente: ‘Ele terá compaixão de seus servos.’ ”

[7] Tendo passado o primeiro desta forma à outra vida trouxeram o segundo para o ludíbrio. Tendo-lhe arrancado a pele da cabeça com os cabelos, perguntaram-lhe: “Queres comer, antes que teu corpo seja torturado membro por membro?”

[8] Ele, porém, na língua de seus pais, respondeu: “Não!” Por isso, foi também submetido aos mesmos tormentos que o primeiro.

[9] Chegado já ao último alento, disse: “Tu, celerado, nos tiras desta vida presente. Mas o Rei do mundo nos fará ressurgir para uma vida eterna, a nós que morremos por suas leis!”

[10] Depois deste, começaram a torturar o terceiro. Intimado a pôr fora a língua, ele a apresentou sem demora e estendeu suas mãos com intrepidez,

[11] dizendo nobremente: “Do céu recebi estes membros, e é por causa de suas leis que os desprezo, pois espero dele recebê-los novamente.”

[12] O próprio rei e os que o rodeavam ficaram espantados com o ânimo desse adolescente, que em nada reputava os sofrimentos.

[13] Passado também este à outra vida, começaram a torturar da mesma forma ao quarto, desfigurando-o.

[14] Estando ele já próximo a morrer, assim falou: “É desejável passar para a outra vida às mãos dos homens, tendo da parte de Deus as esperanças de ser um dia ressuscitado por ele. Mas para ti, ao contrário, não haverá ressurreição para a vida!”

[15] Imediatamente trouxeram à frente o quinto, começando a torturá-lo.

[16] Ele, porém, fixando os olhos sobre o rei disse: “Tendo autoridade sobre os homens, tu, embora sejas corruptível, fazes o que bem queres. Não penses, porém, que o nosso povo tenha sido abandonado por Deus.

[17] Quanto a ti, espera um pouco e verás o seu grande poder: como ele há de atormentar a ti e à tua descendência!”

[18] Depois deste trouxeram o sexto, que disse antes de morrer: “Não te iludas em vão! Nós sofremos tudo isto por nossa própria causa, porque pecamos contra o nosso Deus, acontecendo-nos em consequência coisas espantosas.

[19] Tu, porém, não creias que ficarás impune, depois de teres empreendido fazer guerra contra Deus!”

[20] Mas sobremaneira admirável e digna de abençoada memória foi a mãe, a qual, vendo morrer seus sete filhos no espaço de um só dia, soube portar-se animosamente por causa das esperanças que no Senhor depositava.

[21] A cada um deles exortava na língua de seus pais, cheia de nobres sentimentos, animando com ardor viril o seu raciocínio de mulher. E lhes dizia:

[22] “Não sei como é que viestes a aparecer no meu seio, nem fui eu que vos dei o espírito e a vida, nem também fui eu que dispus organicamente os elementos de cada um de vós.

[23] Por conseguinte, é o Criador do mundo que formou o homem em seu nascimento e deu origem a todas as coisas, quem vos retribuirá, na sua misericórdia, o espírito e a vida, uma vez que agora fazeis pouco caso de vós mesmos, por amor às suas leis.”

[24] Antíoco suspeitou estar sendo vilipendiado e desconfiou ser de censura aquela voz. Estando, pois, ainda em vida o mais moço, começou a exortá-lo não só com palavras, mas ainda com juramentos lhe assegurava que o faria rico e o tornaria feliz, contanto que abandonasse as tradições dos antepassados. Mais: que o teria na conta de seu amigo e lhe confiaria altos encargos.

[25] Como não lhe desse o moço a mínima atenção, o rei mandou chamar a mãe para convidá-la a fazer-se conselheira de salvação para o rapaz.

[26] Tendo-a exortado longamente, ela aceitou tentar persuadir ao filho.

[27] Inclinou-se para este e, ludibriando o cruel tirano, assim falou na língua de seus pais: “Filho, tem compaixão de mim, que por nove meses te trouxe em meu seio e por três anos te amamentei, alimentei-te e te eduquei até esta idade, provendo sempre ao teu sustento.

[28] Eu te suplico, meu filho, contempla o céu e a terra e observa tudo o que neles existe. Reconhece que não foi de coisas existentes que Deus os fez, e que também o gênero humano surgiu da mesma forma.

[29] Não temas este carrasco. Ao contrário, tornando-te digno dos teus irmãos, aceita a morte, a fim de que eu torne a receber-te com eles na Misericórdia.”

[30] Mal estava ela terminando de falar quando o moço disse: “Que estais esperando? Eu não obedeço ao mandamento do rei! Ao mandamento da Lei, porém, que foi dada aos nossos pais por meio de Moisés, a esse eu obedeço.

[31] Quanto a ti, que te fizeste o inventor de toda a maldade que se abate sobre os hebreus, não escaparás às mãos de Deus.

[32] Porquanto nós, é por causa dos nossos pecados que padecemos.

[33] E se agora, a escopo de castigo e de correção, o Senhor, que vive, está momentaneamente irritado contra nós, ele novamente se reconciliará com os seus servos.

[34] Mas tu, ó ímpio e mais celerado que todos os homens, não te eleves estultamente, agitando-te em vãs esperanças, enquanto levantas a mão contra os servos do Céu,

[35] pois ainda não escapaste ao julgamento de Deus todo-poderoso, que tudo vê.

[36] Nossos irmãos, agora, depois de terem suportado uma aflição momentânea por uma vida eterna, já estão na Aliança de Deus. Tu, porém, pelo julgamento de Deus, hás de receber os justos castigos da tua soberba.

[37] Quanto a mim, como meus irmãos, entrego o corpo e a vida pelas leis de nossos pais, suplicando a Deus que se mostre logo misericordioso para com a nação e que, mediante provas e flagelos, te obrigue a reconhecer que só ele é Deus.

[38] Possa afinal deter-se, em mim e nos meus irmãos, a ira do Todo-poderoso, que se abateu com justiça por sobre todo o nosso povo!”

[39] Enfurecido, o rei tratou a este com crueldade ainda mais feroz que aos outros, sentindo amargamente o sarcasmo.

[40] Assim também este, ilibado, passou para a outra vida, confiando totalmente no Senhor.

[41] Por último, depois dos filhos, morreu a mãe.

[42] Seja suficiente, porém, sobre os banquetes sacrificais e as torturas exorbitantes, o que foi até aqui referido.

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