Sinto a fome na alma
não é raiva, é um chamado
um mundo que respira reto
e ninguém fica no fundo calado
Tenho sede de justiça
como vento preso no peito
um pedido que nunca dorme
mas me mantém inteira no leito
E quando olho o outro
vejo espelhos do que sou
misericórdia é estrada dupla
vai e volta no mesmo tom
Eu quero paz, mas não fujo
crio pontes no lugar do medo
cada passo, um fio de luz
num amor teimoso, firme e inteiro
Eu quero paz, mas não cedo
minha mão abre espaço no escuro
onde alguém cavaria abismos
eu desenho caminhos seguros
Coração limpo não é perfeito
só não se esconde no silêncio
é pele viva mostrando o tremor
e ainda assim, buscando o céu por dentro
A presença brilha pequena
nos detalhes que a noite guarda
um gesto simples levanta mundos
e cura aquilo que pesa e tarda
Se a fome é sagrada
então sigo sem me quebrar
o desejo de um tempo justo
me ensina também a amar
Eu quero paz, mas não fujo
crio pontes no lugar do medo
cada passo, um fio de luz
num amor teimoso, firme e inteiro
Eu quero paz, mas eu juro
que não deixo ninguém sozinho
se o mundo fecha portas duras
abro nelas um novo caminho

