oh, hmmmmm
oh, hmmmmm
Descia um homem na estrada sem nome,
entre pedra e silêncio, um cortejo de pó.
Jericó lá embaixo, Jerusalém atrás,
e o sol era testemunha do que o mundo faz.
Vieram mãos sem rosto, vieram dentes e pressa,
roubaram o pouco, levaram a dignidade depressa.
Deixaram pele aberta, deixaram fé no chão,
meio vivo, meio morto, sem voz e sem razão.
E o céu viu primeiro a religião passar:
um sacerdote, túnica limpa, olhar de desviar.
Viu sangue, viu gemido, mas protegeu a rota,
porque às vezes a regra vira porta trancada, torta.
Depois veio um levita, passos medidos, respeito,
sabia o salmo certo… mas não o tocou no peito.
Olhou e atravessou, como quem lava as mãos:
tem gente que reza alto e se cala nas ações.
E a estrada gritou: “Quem é teu próximo, afinal?”
Se o amor é só discurso, ele vira ritual.
Mas Deus não é só palavras, nem moral de ocasião:
Deus é Ágape em Cristo — amor como coluna e direção.
Então vem… derrama azeite na ferida,
faz do teu coração uma casa verdadeira.
Não pergunta o preço da compaixão,
paga com o próprio corpo, com a própria mão.
Porque o Reino não passa por cima do ferido,
o Reino desce a estrada e ajuda o caído.
Se eu te amo, eu fico — eu não finjo oração:
eu te ergo do chão.
E então veio um samaritano — o improvável, o desprezado,
o que a cidade chamava de impuro, errado, quebrado.
Ele viu e não calculou, não fez tese pra justificar,
não chamou de “mão divina”, não mandou só “orar”.
Ele parou o próprio destino, feriu o próprio tempo,
ajoelhou onde a poeira vira lamento.
Lavou a ferida e cuidou, agiu pra curar,
derramou azeite como quem decide amar.
Rasgou pano, fez faixa, segurou o tremor,
não foi ação bonita, foi trabalho e suor.
Ergueu o estranho no próprio animal,
a dor do outro virou objetivo principal.
Levou até a estalagem, comprou noite e pão,
transformou compaixão em responsabilidade no chão.
E disse ao dono: “Cuida dele… eu vou voltar.
Se faltar algo, põe na conta — eu vou pagar.”
E a pergunta de Jesus vira lança no peito:
não é “quem merece?”, é “quem e o que você tem feito?”.
Porque amar não é ver e seguir o caminho;
amar é interromper o mal antes que ele vire porvir.
Então vem… derrama azeite na ferida,
faz do teu coração uma casa verdadeira.
Não pergunta o preço da compaixão,
paga com o próprio corpo, com a própria mão.
Porque o Reino não passa por cima do ferido,
o Reino desce a estrada e ajuda o caído.
Se eu te amo, eu fico — eu não finjo oração:
eu te ergo do chão.
Eu confesso: eu já fui o que “tinha motivo” pra passar,
eu já fui o que viu e preferiu se preservar.
Já chamei de prudência o que era covardia,
já deixei a ferida virar somente pura teologia.
Mas Tu me encontraste também meio morto por dentro,
quando eu era só casco, um quebrado por fora e vazio por dentro.
Tu paraste por mim, Tu pagaste por mim,
Teu amor foi verdadeiro — foi a cruz até o fim.
Agora eu sei:
o próximo não é o parecido, é o encontrado.
O amor não é uma palavra vazia, é o custo assumido.
E a fé não é fuga, é presença no caminho:
mãos sujas de cura, coração limpo em compaixão.
Então vem… derrama azeite na ferida,
faz do teu coração uma casa verdadeira.
Não pergunta o preço da compaixão,
paga com o próprio corpo, com a própria mão.
Porque o Reino não passa por cima do ferido,
o Reino desce a estrada e ajuda o caído.
Se eu te amo, eu fico — eu não finjo oração:
eu te ergo do chão.
E quando eu voltar à estrada, eu vou lembrar do sinal:
amor de Jesus não é apenas fala — é ato real.
No pó de Jericó, eu aprendi a direção:
“Vai… e faz o mesmo” — com a fé, com amor e oração.

