No pó da estrada eu vi gente cansar
Sol batendo forte, mão querendo parar
Trabalhei o dia inteiro, peso no meu chão
Mas o vento soprava outra intenção
Eu disse “é meu suor que paga meu pão”
Mas algo lá no fundo mexeu meu coração
O dono da vinha chamou todo mundo igual
Do primeiro ao último, todo mundo no final
E a moeda que veio na palma da mão
Fez tremer meu orgulho, remexeu meu chão
No brilho da graça eu vi
Que a conta do céu não é bem assim
Os homens resmungavam, “isso aí não é justo não”
Mas o velho da vinha falou com mansidão:
“Eu vejo a necessidade, não vejo competição
Meu pagamento é vida, não é comparação”
A inveja é um bicho que morde no escuro
Rói o peito da gente e rouba o futuro
O dono da vinha chamou todo mundo igual
Do primeiro ao último, todo mundo no final
E a moeda que veio na palma da mão
Fez tremer meu orgulho, remexeu meu chão
No brilho da graça eu vi
Que a conta do céu não é bem assim
Quando a graça desce, ela vira a mesa
Não pesa esforço, mede a beleza
Do simples viver, do ato de amar
Da porta que abre pra quem chega devagar
O dono da vinha chamou todo mundo igual
E o amor que ele deu… não tinha rival
A luz que desceu no meu coração
Fez cair meu rancor, desatou minha mão
E a última voz, no fim, ouvi:
“Quem chega por último também pode sorrir”

