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[1] Eu continuei: — Saibas, pois, Trifão, que aquilo que esse, que se chama diabo, fez dizer, de modo alterado, entre os gregos, assim como tudo o que realizou por meio dos magos do Egito ou dos falsos profetas no tempo de Eliasu, tudo isso não é mais do que uma confirmação do meu conhecimento e da minha fé nas Escrituras.

[2] Desse modo, quando dizem que Dioniso é filho de Zeus, nascido da união dele com Sêmele, e o tornam inventor da videira e contam que, depois de morrer despedaçado, ressuscitou e subiu ao céu, e introduzem o asno em seus mistérios, não tenho o direito de ver aí alterada a profecia do patriarca Jacó, antes citada e escrita por Moisés?

[3] De Héracles nos dizem que foi forte e percorreu toda a terra, que também foi filho de Zeus, que nasceu de Alcmena e que, depois de morto, subiu ao céu. Tudo isso não é igualmente um arremedo da Escritura, referida a Cristo: “Forte como um gigante para percorrer o seu caminho”?

[4] Finalmente, quando nos apresenta Asclépio ressuscitando mortos e curando as outras doenças, não direi que também nisso o diabo quer imitar as profecias sobre Cristo?

[5] Mas como não vos citei nenhuma Escritura que indique que Cristo devia realizar essas curas, terei forçosamente que relembrar ao menos uma. Por meio dela, vos será fácil compreender como para os que eram um deserto no que se refere ao conhecimento de Deus, isto é, aos pagãos, que tendo olhos não viam e tendo coração não entendiam, pois adoravam objetos de matéria, a Palavra lhes predisse que renegariam a estes e poriam a sua confiança nesse Cristo.

[6] A profecia diz o seguinte: “Alegra-te, deserto, que estás sedento; regozija-te, deserto, e floresce como lírio. Os desertos do Jordão regozijaram-se e florescerão. Foi-lhe dada a glória do Líbano e a magnificência do Carmelo. E meu povo verá a altura do Senhor e a glória de Deus. Fortalecei-vos, mãos enfraquecidas e joelhos debilitados. Consolai-vos, pusilânimes de coração; fortalecei-vos e não temais. Vede que o nosso Deus paga em julgamento, e ele pagará. Ele virá e nos salvará. Então os olhos dos cegos se abrirão e os ouvidos dos surdos ouvirão; então o coxo saltará como cervo e a língua dos mudos falará com clareza. Porque a água irrompeu no deserto, e uma torrente na terra sedenta; e a que não tinha água se transformará em terra encharcada, e na terra sedenta saltará uma fonte de água”.

[7] Como fonte de água viva da parte de Deus, este Cristo brotou no deserto do conhecimento de Deus, isto é, na terra das nações. Ele apareceu no meio do vosso povo, curou os cegos de nascimento segundo a carne, os surdos e coxos, fazendo, apenas com a sua palavra, que uns saltassem, outros ouvissem, outros recobrassem a vista; ressuscitando os mortos e dando-lhes a vida, por suas obras estimulava os homens para que o reconhecessem.

[8] Eles, porém, mesmo vendo tais prodígios, os consideraram como coisa mágica e, de fato, tiveram a ousadia de dizer que Jesus era um mago e sedutor do povo. Mas ele fazia isso para persuadir aos que iriam acreditar naquele que, mesmo quando alguém tivesse algum defeito corporal, como guardião dos ensinamentos que por meio dele nos foram dados, o ressuscitará íntegro em sua segunda vinda e, ao mesmo tempo, o tornará imortal, incorruptível e impassível.

[9] Quando os que ensinam os mistérios de Mitrax afirmam que ele nasceu de uma pedra, e chamam “gruta” o lugar onde se iniciam os seus crentes, como não reconhecer aqui o que disse Daniel: “Uma pedra foi cortada da grande montanha sem mão nenhuma”, e da mesma forma o que disse Isaías, cujas palavras todas tentaram arremedar?

[10] Com efeito, tiveram a arte de introduzir entre eles até palavras sobre a prática da justiça.

[11] Sou obrigado a citar-vos as palavras ditas por Isaías, a fim de que, por meio delas, percebais que é assim. São as seguintes: “Vós que estais distantes, escutai o que eu fiz; os que se aproximam conhecerão a minha força. Afastaram-se os que em Sião eram iníquos. O tremor surpreenderá os ímpios. Quem vos anunciará o lugar eterno? Aquele que caminha na justiça, aquele que anda no caminho reto, aquele que odeia a iniqüidade e a injustiça, aquele que guarda as mãos limpas de subornos e tapa seus ouvidos para não ouvir o julgamento injusto de sangue; fecha seus olhos para não ver a injustiça: esse habitará na caverna elevada de um forte rochedo.

[12] Ser-lhe-á dado pão e a sua água lhe será assegurada. Vereis o rei com glória e vossos olhos verão longe. Vossa alma meditará o temor do Senhor. Onde está aquele que enumera os que são alimentados, o povo pequeno e grande? Não se aconselharam com ele, não reconheceram a profundidade das vozes, de modo que não ouviram. Povo envilecido e que não tem inteligência quando ouve”.

[13] Portanto, é evidente que nesta profecia ele também fala sobre o pão que nosso Cristo nos mandou celebrar como memória dele se ter feito homem por amor dos que nele crêem — pelos quais também se tornou passível —, e do cálice que, como lembrança do seu sangue, nos mandou igualmente consagrar com ação de graças.

[14] A mesma profecia deixa claro que veremos este mesmo como rei glorioso, e suas próprias palavras estão dizendo aos gritos que o povo que foi de antemão conhecido como seu crente, também foi conhecido como meditante do temor do Senhor.

[15] Essas Escrituras também clamam que aqueles que imaginam conhecer a letra das Escrituras, ao ouvirem as profecias, não atingem a compreensão delas. Portanto, Trifão, quando ouço falar que Perseu nasceu de uma virgem, compreendo que a serpente enganadora também quis arremedar isso.

[16] Não me deixo persuadir por vossos mestres, que não admitem estar bem feita a tradução de vossos setenta anciãos que estiveram com Ptolomeu, rei do Egito, mas colocaram-se eles mesmos a traduzir.

[17] Além disso, quero que saibais que eles eliminaram completamente muitas passagens da versão dos setenta anciãos que estiveram com o rei Ptolomeu, nas quais se demonstra que esse mesmo Jesus crucificado foi claramente anunciado como Deus e homem, e que havia de ser crucificado e morrer.

[18] Como sei que todos de vossa raça os rejeitam, não me detenho em discuti-los, mas passo às provas tomadas dos que ainda admitis.

[19] Com efeito, todos vós reconheceis todos os textos que até agora vos citei, exceto o seguinte: “Eis que uma virgem conceberá”, que vós dizeis que se deve ler: “Eis que uma jovem conceberá”. Eu vos prometi demonstrar que esta profecia não se refere a Ezequias, como vos ensinaram, mas a este meu Cristo.

[20] Trifão disse: — Antes, pedimos que nos digas algumas das Escrituras que tu dizes terem sido completamente eliminadas.

[21] Eu lhe respondi: — Farei como desejardes. Dos comentários que Esdras fez à lei da Páscoa, tiraram a seguinte passagem: “E Esdras disse ao povo: Esta Páscoa é nosso salvador e nosso refúgio. Se refletirdes e subir ao vosso coração que iremos humilhá-lo na cruz e, depois disso, esperardes nele, este lugar jamais ficará desolado, diz o Senhor das virtudes. Porém, se não crerdes nele, nem ouvirdes a sua pregação, sereis a zombaria das nações.”

[22] Das profecias de Jeremias tiraram também esta passagem: “Eu sou como cordeiro que é levado para o sacrifício. Contra mim cogitaram pensamentos, dizendo: Vinde, atiremos um pedaço de madeira em seu pão, arranquemo-lo da terra dos vivos e o nome dele nunca mais será lembrado”.

[23] Esta passagem de Jeremias ainda se encontra em alguns exemplares das sinagogas dos judeus, pois a eliminação foi feita recentemente. Pois bem. Quando por essas palavras se procura demonstrar que os judeus conspiraram contra o próprio Cristo, decidindo tirar-lhe a vida pelo suplício da cruz, e que ele é indicado, conforme foi profetizado por Isaías, como o cordeiro que é levado ao matadouro e aí se nos apresenta como cordeiro inocente, por não terem o que responder, eles se refugiam na blasfêmia.

[24] Das palavras de Jeremias também eliminaram esta passagem: “O Senhor, o Deus Santo de Israel, lembrou-se de seus mortos, dos que dormiram na terra amontoada, e desceu até eles para anunciar-lhes a sua salvação”.

[25] Do salmo 96, das palavras de Davi, eliminaram estas curtas expressões: “Do alto do madeiro”. Porque dizendo a palavra: Dizei entre as nações: o Senhor reina do alto do madeiro, deixaram apenas: “Dizei entre as nações: o Senhor reina”.

[26] Entre as nações, nunca se referiu a homem nenhum de vossa descendência como Deus e Senhor, que tenha reinado, exceto desse que foi crucificado, do qual, no mesmo salmo, o Espírito Santo nos diz que se salvou e ressuscitou, dando-nos a entender que não é semelhante aos deuses das nações; estes, de fato, são apenas imagens de demônios.

[27] E para que compreendais o que estou dizendo, vou recitar-vos todo o salmo, que assim diz: “Cantai ao Senhor um cântico novo; cantai ao Senhor, terra inteira; cantai ao Senhor e bendizei o seu nome. Levai dia a dia a boa nova da sua salvação. Anunciai entre as nações a sua glória, em todos os povos as suas maravilhas. Porque o Senhor é grande e muito digno de louvor. Ele é terrível sobre todos os deuses. Porque todos os deuses das nações são demônios, mas o Senhor fez os céus. Louvor e beleza estão diante dele, santidade e magnificência estão em seu santuário. Levai ao Senhor, famílias das nações, levai ao Senhor glória e honra. Levai ao Senhor glória em seu nome. Tomai sacrifícios e entrai em seus átrios, adorai ao Senhor em seu átrio santo. Que a terra inteira estremeça em sua presença. Dizei entre as nações: O Senhor reina do alto do madeiro. Porque ele endireitou a terra, que não se abalará. Julgará os povos com retidão. Alegrem-se os céus e regozije-se a terra; estremeça o mar e tudo o que ele contém. Todas as árvores do bosque se alegrarão na presença do Senhor, porque ele vem, porque vem para julgar a terra. Julgará o orbe da terra com justiça e os povos com a sua verdade”.

[28] Trifão disse: — Se, de fato, nossos chefes do povo suprimiram algo das Escrituras, como tu dizes, é coisa que só Deus sabe; contudo, parece incrível.

[29] Eu repliquei: — Sim, parece incrível, porque isso é mais terrível do que ter fabricado o bezerro de ouro, depois de terem sido saciados na terra com o maná celestial; é mais terrível do que sacrificar os filhos aos demônios e matar os próprios profetas. Entretanto, agis como se não tivésseis ouvido as Escrituras que eu vos disse que eles suprimiram. De fato, para demonstrar as questões que discutimos, são suficientes e até sobram as que foram citadas e as que vos citarei daquelas que são conservadas por vós.

[30] Trifão disse: — Sabemos que as citaste porque nós pedimos. Quanto ao último salmo que tomaste das palavras de Davi, não me parece que se refira a um outro além do Pai, aquele que fez o céu e a terra. Tu, porém, dizes que se refere a esse Jesus passível, que te esforças por demonstrar-nos ser o Cristo.

[31] Eu repondi: — Eu vos peço: enquanto eu vos recito este salmo, refleti sobre a expressão que o Espírito Santo emprega, e sabereis que não falo mal e que nem vós estais realmente sendo enganados. Desse modo, atendendo-vos a vós mesmos, poderíeis compreender muitas outras coisas ditas pelo Espírito Santo: “Cantai ao Senhor, terra inteira; cantai ao Senhor e bendizei o seu nome; cantai ao Senhor um cântico novo. Levai dia a dia a boa nova da sua salvação e anunciai a todos os povos as suas maravilhas”.

[32] O que o Espírito Santo ordena aqui é que cantem sem interrupção e celebrem com instrumentos o Deus e Pai do universo todos aqueles que em toda a terra conheceram esse mistério salvador, isto é, a paixão de Cristo, pela qual ele os salvou, reconhecendo que é digno de louvor e terrível e criador do céu e da terra aquele que por amor ao gênero humano realizou essa salvação, e também aquele que morreu crucificado e a quem ele concedeu ser rei sobre toda a terra.

[33] “…a terra, em que este entrará, e me abandonarão e desfarão a minha aliança que eu estabeleci com eles naquele dia. Eu os abandonarei e afastarei deles o meu rosto. Haverá aniquilação e muitos males e tribulações o alcançarão; e dirá, naquele dia: Estes males me aconteceram, porque o Senhor meu Deus não está entre nós; mas eu com afastamento afastarei deles o meu rosto, naquele dia, por causa de todas as maldades que fizeram, pois voltaram-se para deuses estrangeiros”.

[34] Além disso, de modo misterioso, Moisés deu a entender, no livro do Êxodo, que o próprio nome de Deus era Jesus, dizendo que não foi manifestado a Abraão, nem a Jacó, e nós o compreendemos. Porque ele diz assim: “O Senhor disse a Moisés: ‘Dize a este povo: Eis que eu envio o meu anjo diante de ti, para que te guarde no caminho e te introduza na terra que preparei para ti. Atende a ele, escuta-o, e não lhe desobedeças, porque ele não te abandonará, pois o meu nome está nele”.

[35] Portanto, quem introduziu vossos pais na terra, compreendei-o de uma vez por todas, foi aquele que, chamando-se antes Ausés, recebeu o nome de Jesus. Com efeito, se compreendeis isso, reconhecereis que o nome do mesmo que disse a Moisés: “Meu nome está nele”, era Jesus. De fato, ele também se chamava Israel e, do mesmo modo, mudou o nome de Jacó para esse nome.

[36] Além disso, mediante Isaías, os profetas são claramente chamados de anjos e enviados de Deus. Com efeito, eles são enviados para anunciar o que ele quer. Isaías assim diz: “Envia-me”. É algo manifesto a todos que aquele que recebeu o nome de Jesus foi profeta poderoso e grande.

[37] Pois bem. Se sabemos que esse Deus se manifestou em várias formas a Abraão, Jacó e Moisés, como duvidamos e não cremos que ele poderia, conforme o desígnio do Pai do universo, nascer homem da virgem, tendo tantas Escrituras pelas quais literalmente é fácil entender que assim de fato aconteceu, conforme o desígnio do Pai?

[38] De fato, ao dizer “como filho do homem” àquele que recebe o reino eterno, Daniel nos dá a entender justamente isso. Com efeito, dizer “como filho do homem” significa que ele apareceu e nasceu como homem e deixa claro ao mesmo tempo que não é de gérmen humano.

[39] E quando Isaías diz: “Quem contará a sua geração?” deixa claro que sua origem é inexplicável, porque ninguém, que seja homem, nascido de homens, tem origem inexplicável.

[40] E quando Moisés diz que “ele lavaria sua roupa no sangue da uva”, não é o que já vos disse muitas vezes ele ter profetizado misteriosamente? De fato, Moisés deu a entender antecipadamente que Cristo teria sangue sim, mas não de homens, do mesmo modo como não é o homem quem dá origem ao sangue da uva, e sim Deus.

[41] E Isaías, ao chamá-lo de anjo do grande conselho, não manifestou antecipadamente que Cristo, uma vez vindo, haveria de ser mestre daquilo que ensinou? De fato, os grandes conselhos do Pai a respeito de todos os homens, que lhe foram agradáveis ou o serão, assim como sobre os anjos ou homens que se afastaram de sua vontade, somente Cristo os ensinou sem qualquer véu.

[42] “Virão do oriente e do ocidente e se reclinarão com Abraão, Isaac e Jacó no reino dos céus; mas os filhos do Reino serão atirados nas trevas exteriores.”

[43] “Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não comemos e bebemos, profetizamos e expulsamos demônios em teu nome?’ Então eu lhes direi: ‘Apartai-vos de mim’”.

[44] Em outras passagens, também disse as palavras com as quais condenará os que não são dignos de salvar-se: “Ide para as trevas exteriores que meu Pai preparou para Satanás e seus anjos”.

[45] De novo, em outra passagem, disse: “Eu vos dou poder para pisar sobre serpentes, escorpiões, centopéias e por cima de todo o poder do inimigo”. Nós, que cremos em nosso Senhor Jesus, que foi crucificado sob Pôncio Pilatos, exorcizando, temos sob o nosso poder os demônios e espíritos maus.

[46] Com efeito, se pelos profetas foi misteriosamente anunciado que Cristo devia vir de forma passível e depois alcançar o senhorio sobre todas as coisas, sem dúvida ninguém era capaz de entender isso, até que ele próprio persuadiu seus apóstolos que assim estava expressamente anunciado nas Escrituras.

[47] Com efeito, antes de ser crucificado, ele gritava: “É preciso que o Filho do Homem sofra muito, seja rejeitado pelos escribas e fariseus, seja crucificado e ressuscite no terceiro dia”.

[48] E Davi proclamou que havia de nascer do ventre antes do sol e da lua, conforme o desígnio do Pai, e manifestou que, por ser Cristo, era Deus forte e adorável.

[49] Trifão replicou: — Realmente confesso que tantos argumentos assim são suficientes para me convencer. Contudo, quero que saibas que ainda estou esperando que demonstres aquela tua palavra que já pronunciaste muitas vezes. Vai até o fim para nós, para que vejamos como demonstras que a profecia de Isaías se refere a esse vosso Cristo. Nós dizemos que essa profecia foi feita sobre Ezequias.

[50] Eu lhe respondi: — Como desejais, também farei isso. Antes, porém, demonstrai-me, pois que foi profetizado sobre Ezequias, como antes de ser capaz de dizer “pai” e “mãe” tomou o poder de Damasco e os despojos de Samaria diante do rei dos assírios.

[51] Com efeito, não se pode concordar convosco pelo fato de interpretardes como desejais, dizendo que Ezequias fez a guerra contra os de Damasco e os de Samaria na presença do rei dos assírios. “De fato, antes que o menino saiba dizer pai e mãe, tomará o poder de Damasco e os despojos de Samaria, diante do rei dos assírios”, disse a palavra profética.

[52] Com efeito, o espírito profético não teria dito isso, acrescentando “antes de o menino saber dizer pai e mãe, ele tomará o poder de Damasco e os despojos de Samaria”, mas teria dito simplesmente: “E dará à luz um filho e tomará o poder e os despojos de Samaria”.

[53] Poderíeis então dizer que como Deus previa que Ezequias iria tomar isso, ele o predisse. Todavia, é fato que a profecia disse isso, com este acréscimo: “Antes de o menino saber dizer pai e mãe, tomará o poder de Damasco e os despojos de Samaria”.

[54] Agora, vós não podeis demonstrar que isso aconteceu alguma vez a algum judeu; nós, porém, podemos demonstrar que se realizou em nosso Cristo.

[55] Com efeito, logo que ele nasceu, alguns magos vieram da Arábia para adorá-lo, depois de se apresentarem a Herodes, que era então rei da vossa terra. Herodes, por causa de seu caráter ímpio e iníquo, é aquele a quem a palavra chama de rei dos assírios.

[56] Eu continuei: — De fato, sabeis dessas coisas. Muitas vezes o Espírito Santo fala por meio de parábolas e comparações, como fez com o povo de Jerusalém, dizendo muitas vezes: “Teu pai foi um amorreu e tua mãe uma hetéia”.

[57] Com efeito, esse rei Herodes informou-se com os anciãos de vosso povo. Os magos tinham então chegado da Arábia, dizendo terem visto aparecer uma estrela no céu e terem conhecido, por ela ter nascido em vossa terra, um rei, a quem eles vinham adorar.

[58] Os anciãos disseram que ele devia ter nascido em Belém, porque no profeta assim está escrito: “E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá o chefe que apascentará o meu povo”.

[59] Portanto, os magos da Arábia chegaram a Belém, adoraram o menino e lhe ofereceram seus dons de ouro, incenso e mirra.

[60] Contudo, depois de adorar o menino em Belém, receberam ordem, através de uma revelação, para não voltarem a Herodes.

[61] José, o esposo de Maria, queria antes expulsar de casa a sua esposa, acreditando que ela estava grávida por alguma relação com um homem, isto é, por adultério.

[62] Todavia, por meio de uma visão, foi-lhe ordenado não expulsar a sua esposa; o anjo que lhe apareceu lhe explicou que o que ela levava em seu seio era obra do Espírito Santo.

[63] Temeroso, José não a expulsou de casa. Ao contrário, na ocasião do primeiro recenseamento da Judéia, no tempo de Quirino, subiu de Nazaré, onde vivia, para inscrever-se em Belém, sua terra de origem.

[64] Com efeito, José procedia por descendência da tribo de Judá, que havia povoado essa terra. Ele, juntamente com Maria, recebe a ordem de partir para o Egito e permanecer aí com o menino, até que novamente lhes seja revelado que podem voltar para a Judéia.

[65] Antes, porém, quando o menino nasceu em Belém, como José não encontrasse onde alojar-se nessa aldeia, retirou-se para uma gruta próxima. Então, estando aí os dois, Maria deu à luz a Cristo e o colocou num presépio, onde os magos da Arábia o encontraram ao chegar.

[66] Já vos citei as palavras com que Isaías profetizou sobre o símbolo da gruta. Por causa dos que vieram hoje convosco, vou recordá-las novamente.

[67] Citei de novo a passagem de Isaías, anteriormente transcrita, repetindo-lhes que, justamente com essas palavras de Isaías, o diabo fez com que os mestres das iniciações de Mitra digam que as praticam no lugar que eles chamam de gruta.

[68] Eu continuei: — Como os magos da Arábia não voltassem para vê-lo, conforme ele havia pedido, mas, seguindo a ordem que lhes fora dada, voltassem ao seu país por outro caminho; como José, juntamente com Maria e o menino, conforme também lhes fora revelado, houvessem já partido para o Egito; não conhecendo o menino que os magos tinham vindo adorar, Herodes mandou matar, sem exceção, todos os meninos de Belém.

[69] E isso foi profetizado por Jeremias, pois assim diz o Espírito Santo por meio dele: “Uma voz se ouviu em Ramá, pranto e muito lamento. Raquel chora seus filhos e não quer consolar-se, porque já não existem”.

[70] Portanto, pela voz que deveria ouvir-se desde Ramá, isto é, desde a Arábia, pois até agora se conserva na Arábia um lugar chamado Ramá, o pranto deveria encher o lugar onde está enterrada Raquel, a mulher do santo patriarca Jacó, que foi chamado Israel; isto é: o pranto encheria Belém, com as mulheres chorando seus próprios filhos assassinados e não aceitando consolo em sua desgraça.

[71] Ademais, quando Isaías diz: “Tomará o poder de Damasco e os despojos de Samaria”, ele quis dizer que logo que Cristo nascesse, seria vencido por ele o poder do demônio mau, que mora em Damasco, coisa que vemos ter-se cumprido.

[72] De fato, os magos que antes tinham sido presa do demônio para a realização de todo tipo de más ações realizadas por influência dele, depois de irem e adorarem a Cristo, se afastaram daquele poder que os havia combatido, o qual misteriosamente a palavra nos diz que morava em Damasco.

[73] E por ser pecador e iníquo, com razão a palavra chama aquele poder de “Samaria”. Que Damasco pertenceu e pertence à Arábia, ainda que atualmente esteja circunscrita à chamada Siro-Fenícia, é coisa que nem vós podereis negar.

[74] Amigos, concluindo tudo isso, seria bom que vós aprendêsseis o que não entendeis de nós, cristãos, que recebemos a graça de Deus, e não lutar de todos os modos para sustentar as vossas próprias doutrinas, desprezando as de Deus.

[75] Por isso, também para nós foi transferida essa graça, como diz Isaías: “Este povo se aproxima de mim. Com seus lábios me honram, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me reverenciam, ensinando preceitos e doutrinas de homens. Por isso, eis que vou continuar transportando este povo, e o transportarei. Tirarei a sabedoria dos seus sábios e anularei a inteligência de seus inteligentes”.

[76] Trifão, um pouco incomodado, mas conservando respeito pelas Escrituras, como se via claramente por seu semblante, disse-me: — As palavras de Deus são santas, mas as vossas interpretações são artificiosas, como aparece pelas que acabas de fazer. Além disso, blasfemas, pois dizes que os anjos foram maus e se afastaram de Deus.

[77] Eu, em tom mais suave, pois desejava dispô-lo a me ouvir, respondi-lhe dizendo: — Amigo, admiro esse teu respeito e peço a Deus que te dê a mesma disposição para com aquele sobre quem está escrito que os anjos servem, como diz Daniel que ele foi apresentado como Filho de Homem ao Ancião dos dias e lhe foi dado todo o reino pelos séculos dos séculos.

[78] Amigo, para que reconheças que não foi a ousadia que nos guiou nessa interpretação que estás censurando, eu te citarei o testemunho do próprio Isaías, o qual diz que os anjos maus habitavam e ainda habitam em Tânis, região do Egito.

[79] Eis as suas palavras: “Ai dos filhos desertores! Isto diz o Senhor: Formastes um conselho não por mim e fizestes alianças não por meu espírito, para acrescentar pecados a pecados. Sem me haverdes consultado, desceis ao Egito, para ser ajudados pelo faraó e protegidos sob a sombra dos egípcios; mas a proteção do faraó se transformará em vossa vergonha e a confiança nos egípcios em opróbrio. Porque em Tânis há príncipes que são anjos maus. Em vão se cansarão com um povo que não lhes servirá de ajuda, mas de vergonha e opróbrio”.

[80] Também Zacarias, como tu mesmo recordaste, diz que o diabo se colocou à direita do sacerdote Jesus como adversário e que o Senhor disse: “Que te acuse o Senhor que escolheu Jerusalém”.

[81] E em Jó também está escrito, numa passagem também citada por ti, que os anjos vieram colocar-se na presença de Deus e que com eles veio também o diabo. Sabemos que os magos do Egito tentaram imitar os prodígios realizados por Deus através de seu fiel servo Moisés.

[82] Por fim, não ignorais que Davi disse que os deuses das nações são demônios.

[83] Diante disso, Trifão me respondeu: — Amigo, já te disse que tu te esforças em tudo para te agarrares às Escrituras. Dize-me, porém: vós realmente confessais que a cidade de Jerusalém será reconstruída e esperais que aí vosso povo irá reunir-se e alegrar-se com Cristo, com os patriarcas, os profetas e os santos de nossa descendência, e até com os prosélitos que viveram antes da vinda de vosso Cristo? Ou chegaste a essa conclusão somente para dar a impressão de que ganhavas de nós a todo custo na discussão?

[84] Eu lhe retruquei: — Trifão, não sou tão baixo para dizer alguma coisa diferente do que sinto. Antes já lhe confessei que eu e muitos outros sentimos dessa forma, de modo que sabemos absolutamente que assim acontecerá. Todavia, também te mostrei que há muitos cristãos, de mentalidade pura e piedosa, que não admitem essas ideias.

[85] Com efeito, os que se chamam cristãos, mas são realmente hereges sem Deus e sem piedade, já te expliquei, ensinam apenas blasfêmias, impiedades e insensatez. Quanto a mim, para que saibais que não digo isso apenas diante de vós, penso compor, conforme a minha possibilidade, um resumo de todos os argumentos que vos apresentei.

[86] Nele escreverei que confesso a mesma coisa que digo diante de vós. De fato, eu não me disponho a seguir homens ou ensinamentos humanos, mas a Deus e aos ensinamentos que dele provêm.

[87] Se vós encontrastes alguns que se dizem cristãos e não confessam isso, mas atrevem-se a blasfemar contra o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, e dizem que não há ressurreição dos mortos, mas que no momento de morrer suas almas são recebidas no céu, não os considereis como cristãos.

[88] Quando se examina atentamente a coisa, ninguém considerará como judeus os saduceus e seitas semelhantes dos genistas, meristas, galileus, helenianos, fariseus e batistas, mas como pessoas que se chamam judeus e filhos de Abraão, porém que honram a Deus somente com os lábios, como ele próprio clama, enquanto o seu coração está muito longe dele.

[89] De minha parte, eu e alguns outros cristãos de mentalidade correta não só admitimos a futura ressurreição da carne, mas também mil anos em Jerusalém reconstruída, embelezada e aumentada, como o prometem Ezequiel, Isaías e os outros profetas.

[90] Com efeito, Isaías diz a respeito desse tempo de mil anos: “Haverá céu novo e terra nova e não se recordarão dos passados, nem lhes virão à lembrança, mas encontrarão na terra alegria e regozijo que eu crio. Porque eis que eu trago a Jerusalém regozijo e a meu povo alegria, e me regozijarei em Jerusalém e me alegrarei com o meu povo. Nela não mais se ouvirá voz de pranto, nem voz de grito: Aí não nascerá mais um prematuro que vive dias, nem velho que não preencha seu tempo, porque o jovem será filho de cem anos e o pecador, quando morrer, será filho de cem anos, e será amaldiçoado.

[91] Construirão casas, e as habitarão; plantarão vinhas e comerão seus produtos; não construirão e outros habitarão; nem plantarão e outros comerão. Porque os dias do meu povo serão conforme os dias da árvore da vida: as obras de seus trabalhos envelhecerão. Os meus escolhidos não trabalharão em vão, nem gerarão filhos para a maldição, porque são descendência justa e abençoada pelo Senhor, e seus netos estão com eles.

[92] Acontecerá que, antes de gritarem, eu já os terei ouvido; enquanto ainda estiverem falando, eu direi: ‘O que foi?’ Então o lobo e o cordeiro pastarão juntos; o leão comerá capim como o boi, e a serpente comerá terra como pão. Não danificarão, nem destruirão nada no monte santo, diz o Senhor”.

[93] O que se diz nestas palavras: “Porque os dias do meu povo serão conforme os dias da árvore da vida: as obras de seus trabalhos envelhecerão”? Compreendemos que significa misteriosamente os mil anos. Com efeito, como foi dito a Adão que ele morreria no dia em que comesse da árvore da vida, sabemos que os mil anos não se realizaram.

[94] Compreendemos também que vem ao encontro de nosso propósito a expressão: “Um dia do Senhor é como mil anos”.

[95] Além disso, houve entre nós um homem chamado João, um dos apóstolos de Cristo, que, numa revelação que lhe foi feita, profetizou que os que tiverem acreditado em nosso Cristo passarão mil anos em Jerusalém e que, depois disso, viria a ressurreição universal e, dizendo brevemente, a ressurreição eterna e o julgamento de todos juntos.

[96] A mesma coisa foi dita por nosso Senhor: “Não se casarão, nem serão dadas em matrimônio, mas serão como os anjos, pois são filhos do Deus da ressurreição”.

[97] Entre nós, com efeito, até o presente existem carismas proféticos. De onde, vós mesmos deveis compreender que os de antes que existiam em vosso povo, passaram para nós.

[98] Contudo, da mesma forma que entre os santos profetas que houve entre vós se misturaram também falsos profetas, hoje também entre nós existem muitos falsos mestres. Nosso Senhor já nos avisara de antemão que nos precavêssemos deles, de modo que nada nos pegasse de surpresa, pois sabemos que ele previu o que havia de nos acontecer depois de sua ressurreição dos mortos e subida ao céu.

[99] Com efeito, ele disse que seríamos assassinados e odiados por causa do seu nome e que muitos falsos profetas e falsos cristos apareceriam em seu nome e fariam muitos se extraviarem, o que realmente acontece.

[100] Porque muitos, com marca falsa de verdade, ensinaram em seu nome coisas ímpias, blasfemas e iníquas; ensinaram e continuam ensinando o que o espírito impuro do diabo lhes inspirou em suas mentes.

[101] De minha parte, tanto em relação a eles como a vós, ponho todo o meu empenho em tirá-los do erro, sabendo que todo aquele que, podendo dizer a verdade, não a diz, será julgado por Deus como o próprio Deus o testemunhou por meio de Ezequiel, dizendo: “Eu te coloquei como vigia da casa de Judá. Se o pecador pecar e tu não o repreenderes, ele certamente perecerá em seu pecado. Mas eu reclamarei de ti o sangue dele. Se o repreenderes, porém, ficarás sem culpa”.

[102] Portanto, por temor de Deus, também nós nos esforçamos em conversar conforme as Escrituras, não por amor ao dinheiro, à honra ou ao prazer, coisas que ninguém pode nos atirar no rosto.

[103] Também não queremos viver como os príncipes do vosso povo, que Deus acusa com estas palavras: “Vossos príncipes são companheiros de ladrões, que amam os presentes e procuram a recompensa”.

[104] Todavia, se também entre nós encontrais alguns desse tipo, ao menos não blasfemeis contra Cristo por causa deles, nem vos esforceis para interpretar falsamente as Escrituras.

[105] Vossos mestres tiveram a ousadia de afirmar que se aplica a Ezequias esta frase: “O Senhor disse a meu Senhor: Senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos como escabelo para teus pés.” Tratar-se-ia da ordem que lhe foi dada para sentar-se à direita do templo, quando o rei dos assírios lhe enviou uma embaixada ameaçadora e através de Isaías lhe foi dito que não tivesse medo.

[106] Quanto a nós, sabemos e reconhecemos que se cumpriu o que foi dito por Isaías. De fato, o rei dos assírios se retirou sem ter conquistado Jerusalém nos dias de Ezequias e o anjo do Senhor exterminou uns cento e oitenta e cinco mil do acampamento dos assírios.

[107] Contudo, é evidente que o salmo não fala dele. Seu teor é o seguinte: “O Senhor disse a meu Senhor: Senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos como escabelo para teus pés. Enviará um cetro de poder sobre Jerusalém e dominará em meio dos teus inimigos. No esplendor dos santos, antes do astro da manhã, eu te gerei. Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec”.

[108] Pois bem. Quem não confessa que Ezequias não é sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedec? Quem não sabe que não foi ele que libertou Jerusalém? Quem não está a par de que não foi Ezequias que enviou um cetro de poder sobre Jerusalém, nem dominou em meio a seus inimigos, e sim que foi Deus quem afastou os inimigos de Ezequias, que chorava e se lamentava?

[109] Nosso Jesus, porém, sem ainda ter vindo glorioso, enviou a Jerusalém um cetro de justiça, isto é, a palavra do chamado e da conversão dirigida a todas as nações sobre as quais dominavam os demônios, como o diz Davi: “Os deuses das nações são demônios”.

[110] E sua poderosa palavra persuadiu muitos a abandonarem os demônios a quem serviam e a crer, por meio dele, no Deus onipotente, porque os deuses das nações são demônios.

[111] Por fim, a frase: “No esplendor dos santos, antes do astro da manhã, eu te gerei”, já dissemos antes que se refere a Cristo.

[112] Quanto à frase: “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho”, foi dita em relação a Cristo.

[113] De fato, se este, de quem Isaías falava, não haveria de nascer de uma virgem, então por que o Espírito Santo clamava: “Eis que o próprio Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho”?

[114] Se também este teria que nascer de união carnal como qualquer outro primogênito, então por que Deus falava em realizar um sinal que não fosse comum a todos os primogênitos?

[115] No entanto, trata-se verdadeiramente de um sinal maravilhoso e digno de ser crido pelo gênero humano: de um ventre virginal nasceria como verdadeiro menino, feito carne, aquele que é primogênito de todas as criaturas.

[116] E esse é aquele que antecipadamente, por meio do Espírito profético, Deus anunciou de uma e outra forma, como já vos mostrei, para que, quando acontecesse, reconhecêssemos ter acontecido por poder e desígnio do Criador de todas as coisas.

[117] Do mesmo modo, Eva foi formada de uma costela de Adão e assim também, pela palavra de Deus, no princípio foram criados todos os seres viventes.

[118] Vós, porém, inclusive nesta passagem, tendes a ousadia de mudar a interpretação dada pelos vossos anciãos que trabalharam junto a Ptolomeu, rei do Egito.

[119] E dizeis que não consta no texto original o que eles interpretaram, mas: “Eis que uma mulher jovem conceberá”, como se fosse sinal de grande obra que uma mulher conceba através de relação carnal, coisa que fazem todas as mulheres jovens, exceto as estéreis.

[120] E mesmo estas, se Deus quiser, pode fazê-las conceber.

[121] De fato, a mãe de Samuel, que não concebia, concebeu por vontade de Deus; do mesmo modo, a mulher do santo patriarca Abraão, assim como Isabel, aquela que deu à luz João Batista, e outras.

[122] De modo que não tendes motivo para supor que Deus não possa fazer o que ele quiser.

[123] Sobretudo, tendo sido profetizado que haveria de acontecer, não vos atrevais a mudar ou interpretar falsamente as Escrituras, pois com isso prejudicareis somente a vós mesmos e não a Deus.

 

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