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[1] Eu jejuava, sentado sobre um monte, e agradecia a Deus tudo o que ele fizera por mim. Então vi o Pastor sentado junto de mim, dizendo: “Por que vieste aqui tão cedo?” Eu respondi: “Senhor, porque estou montando guarda.”

[2] Ele perguntou: “Que quer dizer guarda?” Eu respondi: “Senhor, estou jejuando.”

[3] Ele continuou: “E que jejum é esse que estás fazendo?” Eu respondi: “Senhor, eu jejuo por costume.”

[4] Ele disse: “Não sabes jejuar para o Senhor, e esse jejum que fazes é sem valor.” Eu perguntei: “Senhor, por que dizes isso?” Ele explicou: “Digo-te que não é jejum esse que imaginas fazer. Eu te ensinarei, porém, qual é o jejum agradável e perfeito para o Senhor.” Eu disse: “Sim, senhor. Tu me farás feliz, se eu puder conhecer o jejum que agrada a Deus.” Então ele explicou: “Escuta.”

[5] “Deus não deseja esse jejum vazio. Com efeito, jejuando desse modo para Deus, não farás nada para a justiça. Jejua do seguinte modo.”

[6] “Não faças nada de mau em tua vida e serve ao Senhor de coração puro; observa seus mandamentos, andando conforme seus preceitos, e que nenhum desejo mau entre em teu coração, e crê em Deus. Se fizeres isso e o temeres, abstendo-te de toda obra má, viverás em Deus. Se cumprires essas coisas, farás um jejum grande e agradável ao Senhor.”

[7] “Escuta a parábola sobre o jejum.”

[8] “Um homem possuía um campo e muitos escravos, e mandou plantar uma vinha numa parte do campo. Ele escolheu um servo muito fiel e estimado, chamou-o e lhe disse: ‘Toma conta desta vinha que plantei e, durante minha ausência, coloca as estacas. Não faças mais nada na vinha. Observa esta minha ordem e serás livre na minha casa.’ Então o senhor do escravo saiu de viagem.”

[9] Depois que partiu, o escravo tomou conta e estaqueou. Tendo terminado de estaquear, viu que a vinha estava cheia de mato.

[10] Então refletiu e disse: “Já executei a ordem do senhor. Agora capinarei a vinha, pois capinada ficará mais bela e, não sendo sufocada pelo mato, produzirá mais fruto.” Decidido, capinou a vinha e arrancou todo o mato que havia nela. Sem o mato que a sufocava, a vinha ficou mais bela e florescente.

[11] Depois de certo tempo, o senhor do campo e do servo voltou. Foi até à vinha e, vendo que estava muito bem estaqueada, capinada, o mato extirpado e que as videiras floresciam, ficou muito satisfeito com o trabalho do escravo.

[12] Chamou então seu filho amado, que era o herdeiro, e seus amigos conselheiros. Disse-lhes o que ordenara ao escravo e tudo o que ele vira executado. Eles se alegraram com o escravo, por causa do testemunho que o patrão dera dele.

[13] Então o patrão lhe disse: “Prometi a liberdade a esse escravo, se ele executasse a ordem que lhe dera. Ele não só executou a ordem, mas fez bom trabalho na vinha, e isso me agradou muito. Portanto, como recompensa do trabalho que ele realizou, quero que seja herdeiro junto com meu filho, porque teve uma boa ideia e, ao invés de descartá-la, a realizou.”

[14] O filho do senhor aprovou a intenção de designar o escravo como seu co-herdeiro.

[15] Alguns dias mais tarde, o patrão dava um banquete e enviou muita comida do banquete ao escravo. Este aceitou a comida que o senhor lhe enviara, reteve o suficiente para si e distribuiu o resto a seus companheiros de escravidão.

[16] Os companheiros o receberam, se alegraram e começaram a rezar para que ele, que os tratara tão bem, recebesse ainda mais favores do senhor.

[17] O senhor soube de tudo o que acontecera e de novo se alegrou muito com a conduta do escravo. Chamou novamente os amigos e o filho e contou-lhes a respeito da atitude do servo quanto à comida recebida. E eles concordaram mais ainda que o servo se tornasse herdeiro juntamente com o filho do senhor.

[18] Eu lhe disse: “Senhor, não compreendo essas parábolas, nem as poderei entender, se não me explicares.”

[19] Ele respondeu: “Vou te explicar tudo, e te esclarecerei tudo que eu falar. Guarda os mandamentos do Senhor, e lhe serás agradável e contado entre os que observam seus mandamentos.”

[20] “Se fizeres algo de bom, além do mandamento de Deus, conseguirás glória maior e serás glorificado junto a Deus, mais do que deverias ser. Portanto, se, observando os mandamentos de Deus, acrescentares essas boas obras, te alegrarás, se as observares conforme a minha ordem.”

[21] Eu lhe disse: “Senhor, observarei tudo o que me indicares, pois sei que estás comigo.”

[22] Ele me respondeu: “Estarei contigo, pois tens esse desejo de fazer o bem, e estarei com todos os que têm o mesmo desejo.”

[23] “Se os mandamentos do Senhor são observados, teu jejum é muito bom. Eis como observarás o jejum que queres praticar.”

[24] “Antes de tudo, guarda-te de toda palavra má, de todo desejo mau, e purifica teu coração de todas as coisas vãs deste mundo. Se observares isso, teu jejum será perfeito.”

[25] “E jejuarás do seguinte modo: depois de cumprir o que foi escrito, no dia em que jejuares, não tomarás nada, a não ser pão e água.”

[26] “Calcularás o preço dos alimentos que poderias comer nesse dia e o porás à parte para dar a uma viúva, a um órfão ou necessitado e, desse modo, te tornarás humilde.”

[27] “Graças a essa humildade, quem tiver recebido ficará saciado e rogará ao Senhor por ti.”

[28] “Se jejuares como te ordenei, teu sacrifício será aceito por Deus, teu jejum será anotado, e o serviço, assim realizado, será bom, alegre e bem acolhido pelo Senhor.”

[29] “Observarás isso com teus filhos e toda a tua família. Desse modo, serás feliz, e todos os que ouvirem esses preceitos e os observarem, serão felizes e receberão do Senhor as coisas que pedirem.”

[30] Eu lhe pedi insistentemente que me explicasse o sentido simbólico do campo, do senhor, da vinha, do escravo que estaqueara a vinha, do filho e dos amigos conselheiros, pois compreendera que tudo isso era uma parábola.

[31] Ele me respondeu: “És muito ousado em tuas perguntas! De modo algum deves perguntar, pois, se alguma coisa se deve explicar a ti, será explicada.”

[32] Eu lhe disse: “Senhor, tudo o que me mostrares sem explicar, será inútil que eu veja, pois não compreenderei o que significa. Da mesma forma, se me contas parábolas sem explicá-las, terei ouvido em vão alguma coisa de ti.”

[33] De novo, ele me respondeu, dizendo: “Todo servo de Deus que tem o Senhor em seu coração, pode lhe pedir a compreensão e obtê-la.”

[34] “Ele poderá, então, explicar qualquer parábola e, graças ao Senhor, tudo o que for dito em parábolas será compreensível para ele.”

[35] “Os indolentes e preguiçosos para a oração, porém, vacilam em pedir ao Senhor.”

[36] “O Senhor é misericordioso e atende todos os que lhe pedem sem hesitação.”

[37] “Tu, porém, que foste fortificado pelo anjo glorioso e dele recebeste essa oração, e não és preguiçoso, por que não pedes a compreensão? Tu a receberás.”

[38] Eu repliquei: “Senhor, tendo a ti comigo, tenho necessidade de te pedir e perguntar. Com efeito, tu me mostras tudo e falas comigo. Se eu visse ou ouvisse essas coisas sem ti, pediria ao Senhor que as explicasse a mim.”

[39] Ele continuou: “Já te disse, e não faz muito, que és esperto e ousado para pedir explicação das parábolas. Como és tão perseverante, vou te explicar o sentido simbólico do campo e de tudo o mais que o acompanha, para que possas explicá-lo a todos. Escuta, portanto, e compreende.”

[40] “O campo é este mundo, e o dono do campo é aquele que criou todas as coisas, que as organizou e lhes deu força.”

[41] “O filho é o Espírito Santo, e o escravo é o Filho de Deus. As videiras são o povo, que ele mesmo plantou.”

[42] “As estacas são os santos anjos do Senhor, que protegem o seu povo.”

[43] “O mato arrancado da vinha são as iniquidades dos servos de Deus.”

[44] “A comida do banquete que ele enviou ao escravo são os mandamentos que ele deu por meio de seu filho.”

[45] “Os amigos e conselheiros são os primeiros santos anjos criados.”

[46] “A viagem do senhor é o tempo que resta para a sua parusia.”

[47] Eu lhe perguntei: “Senhor, tudo isso é grande, admirável e glorioso. Como poderei, Senhor, compreender essas coisas por mim mesmo? Nenhum outro homem, ainda que fosse muito inteligente, poderia compreendê-las. Explica-me ainda, Senhor, o que vou perguntar.”

[48] Ele disse: “Se desejas alguma explicação, podes pedi-la.”

[49] Eu perguntei: “Senhor, por que o Filho de Deus aparece na parábola sob forma de escravo?”

[50] Ele respondeu: “Escuta. O Filho de Deus não aparece sob a forma de escravo, mas com grande poder e soberania.”

[51] Eu disse: “Como, senhor? Não compreendo.”

[52] Ele continuou: “Porque Deus plantou a vinha, isto é, criou o seu povo e o entregou a seu Filho, e o Filho estabeleceu os anjos sobre eles para guardá-los individualmente.”

[53] “Ele próprio purificou os pecados deles, trabalhando muito e suportando muitas fadigas, pois ninguém pode capinar uma vinha sem trabalho e fadiga.”

[54] “Ele, portanto, tendo purificado os pecados do povo, ensinou os caminhos da vida, dando-lhes a lei, que recebera de seu Pai.”

[55] “Observa que ele é o senhor do povo, porque recebeu todo o poder do seu Pai.”

[56] “Escuta por que o senhor nomeou seu filho conselheiro e os anjos gloriosos para decidir a herança que deveria ser dada ao escravo.”

[57] “Deus fez habitar na carne que ele havia escolhido o Espírito Santo preexistente, que criou todas as coisas.”

[58] “Essa carne, em que o Espírito Santo habitou, serviu muito bem ao Espírito, andando no caminho da santidade e pureza, sem macular em nada o Espírito.”

[59] “Ela se portou digna e santamente, participou dos trabalhos do Espírito e colaborou com ele em todas as coisas.”

[60] “Comportou-se com firmeza e coragem e, por isso, Deus a escolheu como companheira do Espírito Santo.”

[61] “Com efeito, a conduta dessa carne agradou a Deus, pois ela não se maculou na terra, enquanto possuía o Espírito Santo.”

[62] “Ele tomou então o Filho e os anjos gloriosos por conselheiros, para que essa carne, que tinha servido ao Espírito irrepreensivelmente, obtivesse um lugar de repouso e não parecesse ter perdido a recompensa pelo seu serviço.”

[63] “Toda carne em que o Espírito Santo habitou e que for encontrada pura e sem mancha, receberá sua recompensa.”

[64] “Aí tens a explicação dessa parábola.”

[65] Eu disse: “Senhor, fiquei contente em ouvir a explicação.”

[66] Ele disse: “Escuta agora. Guarda tua carne pura e sem mancha; para que o espírito, que nela habita, dê testemunho em favor dela e assim seja justificada.”

[67] “Cuida para que nunca entre em teu coração a ideia de que tua carne é perecível. E cuidado para não abusar dela com alguma impureza.”

[68] “Se manchas tua carne, mancharás também o Espírito Santo. Portanto, se manchas tua carne, não viverás.”

[69] Eu perguntei: “Senhor, se tiver havido alguma ignorância antes que essas palavras tivessem sido ouvidas, como se pode salvar o homem que manchou a sua carne?”

[70] Ele respondeu: “Quanto às ignorâncias anteriores, somente Deus pode conceder a cura, pois ele tem todo o poder.”

[71] “Agora, porém, estejas atento, e o Senhor, em sua grande misericórdia, as curará, se doravante não manchares nem tua carne, nem teu espírito, pois os dois vão juntos e não podem manchar-se um sem o outro.”

[72] “Portanto, conserva os dois puros, e viverás em Deus.”

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