Aviso ao leitor
Este livro - Juízes - é apresentado aqui como parte das escrituras canônicas do Antigo Testamento, reconhecido no cânon protestante, católico romano e ortodoxo, além de integrar a tradição bíblica judaica. Por retratar um período de instabilidade social e religiosa em Israel — com narrativas fortes, ciclos de queda e restauração e episódios moralmente complexos — é comum que existam notas de contexto histórico, leitura literária e discussão ética sobre o mundo antigo.
[1] Todos os filhos de Israel saíram então e, como um só homem, toda a comunidade se reuniu desde Dã até Bersabéia e a terra de Galaad, diante de Iahweh, em Masfa.[2] Os chefes de todo o povo, todas as tribos de Israel assistiram à assembleia do povo de Deus, quatrocentos mil homens a pé, que sabiam usar a espada.[3] Os benjaminitas tiveram notícia de que os filhos de Israel haviam chegado a Masfa. Então os filhos de Israel disseram: “Explicai-nos como se cometeu esse crime!”[4] O levita, o marido da mulher que tinha sido morta, tomou a palavra e disse: “Eu chegara com minha concubina a Gabaá de Benjamim, para aí pernoitar.[5] Os habitantes de Gabaá se amotinaram contra mim e, durante a noite, cercaram a casa onde eu estava. Eles queriam tirar-me a vida, e violentaram a minha concubina causando a sua morte.[6] Então tomei a minha concubina e a retalhei em pedaços e os mandei a toda a extensão da herança de Israel, porque cometeram tal ato ignominioso, uma infâmia em Israel.[7] Todos vós estais aqui, filhos de Israel! Consultai-vos uns aos outros e aqui mesmo tomai uma decisão.”[8] Todo o povo se levantou como se fosse um só homem, e disse: “Nenhum de nós voltará à sua tenda, nenhum de nós retornará à sua casa![9] Isto é o que faremos agora em Gabaá. Tiraremos a sorte,[10] e tomaremos de todas as tribos de Israel dez homens em cada cem, cem em mil, e mil em dez mil, os quais providenciarão mantimento para o povo, para que, chegando a Gabaá de Benjamim, a tratem conforme a infâmia que ela cometeu em Israel.”[11] Assim se reuniram contra aquela cidade todos os homens de Israel, unidos como um só homem.[12] As tribos de Israel enviaram emissários a toda a tribo de Benjamim com a mensagem: “Que crime é esse que se cometeu entre vós?[13] Agora, pois, entregai-nos esses homens, esses bandidos que estão em Gabaá, para que os executemos e extirpemos o mal do meio de Israel.” Mas os benjaminitas não quiseram ouvir os seus irmãos, os filhos de Israel.[14] Os benjaminitas, deixando as suas cidades, se concentraram em Gabaá para combater contra os filhos de Israel.[15] Contaram-se naquele dia os benjaminitas vindos das diversas cidades: eram vinte e seis mil homens hábeis no manejo da espada, sem contar os habitantes de Gabaá.[16] Em todo esse exército havia setecentos homens de escol, canhotos. Todos eles, com a pedra da sua funda, eram capazes de acertar um fio de cabelo sem errar.[17] Os homens de Israel foram também contados, sem incluir Benjamim; eram quatrocentos mil que sabiam brandir a espada, todos homens de guerra.[18] Puseram-se em marcha para ir a Betel, a fim de consultar a Deus. “Quem de nós subirá primeiro para o combate contra os benjaminitas?”, indagaram os filhos de Israel. E Iahweh respondeu: “Judá subirá primeiro.”[19] Pela manhã, os filhos de Israel saíram e acamparam defronte de Gabaá.[20] Os de Israel avançaram para o combate contra Benjamim, e se dispuseram em ordem de batalha diante de Gabaá.[21] Mas os benjaminitas saíram de Gabaá e, naquele dia, massacraram vinte e dois mil homens de Israel.[22] Então o exército do povo de Israel se encheu de coragem e outra vez se dispôs em ordem de batalha, da mesma forma como no primeiro dia.[23] Os filhos de Israel vieram chorar na presença de Iahweh até à tarde, e depois consultaram a Iahweh, dizendo: “Devo ainda voltar a lutar contra os filhos de Benjamim, meu irmão?” E Iahweh respondeu: “Marchai contra ele!”[24] No segundo dia, os filhos de Israel chegaram perto dos benjaminitas,[25] porém, nesse segundo dia, Benjamim saiu de Gabaá ao seu encontro e massacrou ainda dezoito mil homens dos filhos de Israel, todos eles guerreiros hábeis no manejo da espada.[26] Então todos os filhos de Israel e todo o povo vieram a Betel, choraram, ficaram ali diante de Iahweh, jejuaram todo o dia até à tarde, e ofereceram holocaustos e sacrifícios de comunhão perante Iahweh;[27] e depois os filhos de Israel consultaram Iahweh. A Arca da Aliança de Deus estava, naqueles dias, naquela região,[28] e Finéias, filho de Eleazar, filho de Aarão, prestava serviço junto a ela. Eles disseram: “Devo sair ainda para combater contra os filhos de Benjamim, meu irmão, ou devo desistir?” E Iahweh respondeu: “Marchai, porque amanhã o entregarei nas vossas mãos.”[29] Então Israel arranjou as tropas em emboscadas, em redor de Gabaá.[30] No terceiro dia, os filhos de Israel marcharam contra os benjaminitas e, como das outras vezes, se organizaram em ordem de batalha defronte de Gabaá.[31] Os benjaminitas saíram ao encontro do povo e foram atraídos para longe da cidade. Começaram, como das outras vezes, a ferir alguns do povo, pelos caminhos que vão um para Betel, outro para Gabaá pelo campo: uns trinta homens de Israel.[32] Os benjaminitas pensaram: “Vencemos como da primeira vez,” mas os filhos de Israel disseram: “Vamos fugir para atraí-los para longe da cidade, nos caminhos.”[33] Então todos os homens de Israel abandonaram as suas posições e se organizaram em Baal-Tamar, e a emboscada de Israel surgiu do lugar em que estava, a oeste de Gaba.[34] Dez mil homens de elite, escolhidos de todo o Israel, vieram contra Gabaá; recrudesceu o combate, mas os outros não sabiam a desgraça que os aguardava.[35] Iahweh feriu Benjamim na presença de Israel e, naquele dia, os filhos de Israel mataram vinte e cinco mil e cem homens, todos hábeis no manejo da espada.[36] Os benjaminitas perceberam que tinham sido vencidos. Os de Israel cederam terreno a Benjamim porque confiavam na emboscada que tinham preparado contra Gabaá.[37] Os da emboscada se lançaram rápidos contra Gabaá; apareceram subitamente e passaram toda a cidade ao fio da espada.[38] Ora, havia sido combinado um sinal entre os israelitas e os da emboscada: estes deviam fazer subir da cidade uma nuvem de fumaça, como sinal;[39] então os homens de Israel que combatiam na batalha recuariam, dando meia-volta. Benjamim começava já a matar alguns da multidão dos homens de Israel, uns trinta homens. “Certamente nós os vencemos”, pensaram eles, “como na primeira batalha.”[40] Mas o sinal, a coluna de fumaça, começou a elevar-se da cidade, e Benjamim, ao voltar-se, julgou que a cidade inteira estava subindo em chamas para o céu.[41] Os de Israel, então, deram meia-volta e os benjaminitas se assombraram, vendo que o mal lhes tocava.[42] Então fugiram dos homens de Israel na direção do deserto, mas os perseguidores os alcançavam, e os que vinham da cidade os massacraram atacando-os pela retaguarda.[43] Eles cercaram Benjamim, perseguiram-no sem tréguas e o esmagaram até perto de Gaba, do lado do nascente.[44] Dezoito mil homens caíram de Benjamim, todos homens valentes.[45] Então eles viraram-lhes as costas e fugiram para o deserto, para os lados do Rochedo de Remon. Pelos caminhos ainda caíram cerca de cinco mil, depois os seguiram de perto até Gadaam, e mataram mais dois mil homens deles.[46] O número total dos benjaminitas que tombaram naquele dia foi de vinte e cinco mil homens que sabiam usar a espada, todos homens valentes.[47] Seiscentos retrocederam e fugiram para o deserto na direção do Rochedo de Remon. Ali permaneceram quatro meses.[48] Os de Israel voltaram aos benjaminitas e passaram ao fio da espada a população masculina da cidade, e até mesmo o gado e tudo o que ali se achava. E atearam fogo também a todas as cidades que encontraram.

