[1] Fique claro, antes de tudo, se aqueles a quem se oferecem sacrifícios são realmente capazes de proteger o imperador ou qualquer outra pessoa; e então julgai-nos culpados de traição, caso anjos e demônios — espíritos da mais perversa natureza — façam algum bem; caso os perdidos salvem, os condenados concedam liberdade, e os mortos (refiro-me àquilo que bem conheceis) defendam os vivos.
[2] Pois, certamente, a primeira coisa de que cuidariam seria da proteção de suas estátuas, imagens e templos, os quais, ao contrário, creio eu, devem sua segurança à guarda mantida pelos soldados de César.
[3] Mais ainda: penso que os próprios materiais de que essas coisas são feitas vêm das minas de César, e não há templo algum que não dependa da vontade de César.
[4] Sim, e muitos deuses já provaram o desagrado de César.
[5] Isso até favorece meu argumento, se eles também participam de seu favor, quando ele lhes concede algum dom ou privilégio.
[6] Como poderão aqueles que estão assim sob o poder de César, que lhe pertencem inteiramente, ter nas mãos a proteção do próprio César, a ponto de imaginardes que sejam capazes de dar a César aquilo que, mais prontamente, recebem dele?
[7] É, pois, por este motivo que somos acusados de traição contra a majestade imperial: a saber, porque não colocamos os imperadores sob a dependência de suas próprias posses; porque não oferecemos, em favor deles, um serviço meramente simulado, já que não cremos que sua segurança repouse em mãos de chumbo.
[8] Mas vós sois profundamente ímpios, ao buscá-la onde ela não está, ao procurá-la naqueles que não a podem conceder, deixando de lado Aquele que a tem inteiramente em Seu poder.
[9] Além disso, perseguis aqueles que sabem onde buscá-la e que, sabendo onde buscá-la, são também capazes de obtê-la.

