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[1] Pois nós oferecemos oração pela segurança de nossos príncipes ao Deus eterno, verdadeiro e vivo, cujo favor, acima de todos os outros, eles mesmos devem desejar.

[2] Eles sabem de quem receberam o seu poder; sabem, por serem homens, de quem receberam a própria vida; estão convictos de que somente Ele é Deus, de cujo poder unicamente dependem por inteiro, diante de quem são segundos, depois de quem ocupam os mais altos lugares, antes e acima de todos os deuses.

[3] E por que não seria assim, já que estão acima de todos os homens vivos, e os vivos, enquanto vivos, são superiores aos mortos?

[4] Eles refletem sobre a extensão de seu poder, e assim chegam a compreender Aquele que é o Altíssimo; reconhecem que toda a sua força vem d’Aquele contra quem a força deles nada é.

[5] Que o imperador faça guerra contra o céu; que conduza o céu cativo em seu triunfo; que ponha guardas sobre o céu; que imponha tributos ao céu!

[6] Ele não pode.

[7] Justamente porque é menor que o céu, ele é grande.

[8] Pois ele próprio pertence Àquele a quem pertencem o céu e toda criatura.

[9] Ele recebe o cetro de onde primeiro recebeu a sua humanidade; recebe o poder de onde recebeu o sopro da vida.

[10] Para lá elevamos os nossos olhos, com as mãos estendidas, porque livres de pecado; com a cabeça descoberta, porque nada temos de que nos envergonhar; e, por fim, sem a necessidade de um orientador, porque suplicamos de coração.

[11] Sem cessar, oferecemos oração por todos os nossos imperadores.

[12] Oramos por longa vida; pela segurança do império; pela proteção da casa imperial; por exércitos valentes; por um senado fiel; por um povo virtuoso; por um mundo em paz; por tudo quanto, como homem ou como César, um imperador possa desejar.

[13] Essas coisas eu não posso pedir a nenhum outro senão ao Deus de quem sei que as obterei, tanto porque só Ele as concede, quanto porque tenho diante d’Ele o direito de pedi-las, sendo seu servo, prestando homenagem somente a Ele, perseguido por causa de sua doutrina, oferecendo-Lhe, segundo sua própria exigência, esse sacrifício precioso e nobre da oração, enviado de um corpo casto, de uma alma sem mancha, de um espírito santificado;

[14] não alguns poucos grãos de incenso comprados por um vintém — lágrimas de uma árvore da Arábia — nem algumas gotas de vinho, nem o sangue de algum boi miserável para o qual a morte é um alívio;

[15] e ainda, além dessas outras coisas ofensivas, não uma consciência poluída, de modo que causa espanto, quando vossas vítimas são examinadas por esses sacerdotes vis, que o exame não recaia mais sobre os sacrificadores do que sobre os próprios sacrifícios.

[16] Com as mãos assim estendidas e erguidas para Deus, despedaçai-nos com vossas garras de ferro, suspendei-nos em cruzes, envolvei-nos em chamas, tirai-nos a cabeça com a espada, soltai contra nós as feras — a própria postura de um cristão em oração já é uma preparação para todo castigo.

[17] Fazei isto, ó bons governantes: arrancai-nos a alma enquanto ela suplica a Deus em favor do imperador.

[18] Sobre a verdade de Deus e sobre a devoção ao seu nome, imprimi a marca do crime.

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