Aviso ao leitor
Este livro - Testamento dos Doze Patriarcas - é um escrito judaico do período do Segundo Templo, provavelmente composto entre os séculos II a.C. e II d.C., com possíveis interpolações cristãs posteriores. A obra apresenta discursos atribuídos aos filhos de Jacó e circulou amplamente na Antiguidade como literatura edificante e sapiencial. Não integra o cânon bíblico nas tradições protestante, católica romana ou ortodoxa, sendo classificado como literatura pseudepigráfica. Sua inclusão nesta biblioteca tem finalidade histórica, literária e comparativa, contribuindo para o entendimento do ambiente religioso e moral do judaísmo antigo e de sua influência sobre o cristianismo primitivo, sem implicar canonização ou equiparação de autoridade às escrituras reconhecidas pelas diferentes tradições cristãs.
[1] Mas agora confesso que por diversas vezes desejei assassinar a José, pois o odiava no mais profundo do coração.
[2] E apesar disso, eu o odiava ainda mais por causa dos seus sonhos.
[3] E o teria matado longe de nossa casa, pois seria capaz de devorar-lhe a carne tal como a bezerra que devora o pasto.
[4] Entretanto, eu e Judá optamos em vendê-lo aos ismaelitas por trinta peças de ouro, muito embora houvéssemos escondido dez delas e apresentado apenas vinte aos nossos irmãos.
[5] E assim, atiçado pela cobiça, eu me fiz completamente culpado pela destruição de José.
[6] Mas o Deus de nossos pais o livrou das minhas mãos, a fim de que eu não cometesse tão horrendo crime em Israel.

