Aviso ao leitor
Este livro - Testamento dos Doze Patriarcas - é um escrito judaico do período do Segundo Templo, provavelmente composto entre os séculos II a.C. e II d.C., com possíveis interpolações cristãs posteriores. A obra apresenta discursos atribuídos aos filhos de Jacó e circulou amplamente na Antiguidade como literatura edificante e sapiencial. Não integra o cânon bíblico nas tradições protestante, católica romana ou ortodoxa, sendo classificado como literatura pseudepigráfica. Sua inclusão nesta biblioteca tem finalidade histórica, literária e comparativa, contribuindo para o entendimento do ambiente religioso e moral do judaísmo antigo e de sua influência sobre o cristianismo primitivo, sem implicar canonização ou equiparação de autoridade às escrituras reconhecidas pelas diferentes tradições cristãs.
[1] Meus filhos, vocês devem estar atentos a todas as palavras da verdade, e a todas as obras da justiça, e a toda Lei do Altíssimo, e não vos deixeis seduzir pelo espírito do ódio, pois ele é nocivo a todos os feitos dos homens.
[2] Tudo quanto o homem faz o odiador abomina; embora conheça a Lei de Deus, ele não O invoca em oração, e mesmo que seja temente a Deus, ele não terá prazer naquilo que é justo.
[3] Ele não tem apreço pela verdade, pois tem inveja da prosperidade alheia, e as palavras torpes são sempre bem-vindas aos seus lábios.
[4] Ele ama a arrogância, pois o ódio tem cegado a sua alma do mesmo modo que tinha feito comigo no tocante a José.

