[1] O ódio é maléfico, pois habita continuamente com a mentira, e protesta contra a verdade; ele faz com que as pequenas ofensas pareçam enormes, e dá mais importância às trevas do que à luz, podendo até afirmar que o doce é amargo; ele espalha calúnia, guerra, violência e todo tipo de maldade, e está apto a encher o coração com o seu veneno maldito.
[2] Eu lhes digo tais coisas com experiência, meus filhos, pois se tivesse me mantido fiel ao Senhor eu teria evitado o ódio.
[3] Os justos lançam fora o ódio e humildemente abandonam a ira, pois aqueles que são retos e modestos se envergonham de praticar coisas erradas; não por causa da consciência de outrem, mas devido ao seu próprio coração, porquanto o Senhor contempla o seu intento; ele não maldiz a nenhum homem, pois o temor do Altíssimo o faz vencedor sobre o ódio.
[4] O temor do Senhor o impede de pecar contra Deus, e não o permite praticar o mal contra o seu próximo nem mesmo em pensamentos.
[5] Ao menos isso eu pude aprender depois que me arrependi do mal que fiz a José.
[6] E o verdadeiro arrependimento traz uma maravilhosa consciência, pois destrói a ignorância, conduz para longe das trevas, ilumina os olhos, dá conhecimento à alma e conduz a mente para a salvação.
[7] De sorte que tudo aquilo que não podemos aprender com os homens, o arrependimento nos ensina.
[8] O Senhor fez vir uma enfermidade sobre o meu fígado, e se não fosse pelas orações de Jacó em meu favor eu teria morrido, pois o espírito já me abandonava o corpo.
[9] Porquanto naquilo em que o homem pecar será ele também punido.
[10] E assim como eu tinha agido impiedosamente contra José, estava o Senhor me tratando sem misericórdia, e fui castigado durante onze meses, já que essa também foi a soma de dias durante os quais estive aborrecido contra o meu irmão.

