[1] Em seguida, ela me enviou um alimento preparado com poções mágicas. E aconteceu que quando o eunuco me trouxe aquele manjar, eu tive a visão de um homem terrível que me trazia um prato com uma espada, e entendi que o seu intento era envenenar-me à alma.
[2] Depois que ele se foi eu me pus a chorar, e não provei nenhum alimento da sua mão.
[3] Um dia depois, ela foi me ver e notou que o alimento ainda jazia ali, pelo que me disse: Que é isso, que não comeste o alimento que te hei mandado?!
[4] E eu lhe respondi: Não o comi porque tu o recheaste com a morte. E como tu mesma o dizes: eu não sirvo aos deuses mudos, mas ao Senhor que fez o céu e a terra.
[5] Portanto, saibas agora que o Deus de meus pais me enviou o seu anjo e me revelou a tua maldade, e eu aqui o deixei para te certificar, porque se o contemplares talvez te arrependas.
[6] Sabe, porém, que a maldade dos ímpios não tem poder algum sobre aqueles que servem ao Senhor em verdade.
[7] Então tomei aquela comida e a comi perante seus olhos, e lhe disse: O Deus de meu pai e o Anjo de Abrão estão comigo.
[8] Ao ver o que fiz, o seu semblante desabou, e ela se lançou aos meus pés e chorou.
[9] Mas eu a ajudei a se levantar e a repreendi, então jurou que nunca mais voltaria a cometer tal iniqüidade.

