[1] Depois dessas coisas, estando Tamar viúva e sem marido [E já se tinham passado dois anos], ela soube que eu subia a tosquiar minhas ovelhas, pelo que se enfeitou de jóias e se vestiu de noiva, e pôs-se a espreitar junto ao portão da cidade.
[2] Porquanto há uma lei entre os amorreus que determina que uma mulher, estando noiva, deve entregar-se a fornicação por sete dias diante do portão da cidade.
[3] E eis que eu estava bêbado próximo às águas de Cozeba, e vendo-a não a reconheci, pois estava encantado pela sua beleza, mas muito mais fascinado fiquei em razão dos adornos que usava.
[4] Então me coloquei ao seu lado e sussurrei: “Eu adoraria possuir-te”. E ela me respondeu: “O que me darias por isso?”
[5] Então lhe entreguei o meu cinto, o meu cajado e um diadema como penhor. Eu a possuí, e ela ficou grávida.
[6] Quando fiquei sabendo que Tamar estava grávida, eu a quis matar, mas ela me apresentou os meus pertences, e a minha vergonha veio à tona.
[7] Eu a chamei e escutei aquelas palavras que lhe tinha pronunciado em secreto quando na minha embriaguez sussurrei aos seus ouvidos; então compreendi que não podia matá-la, pois isso vinha do Senhor.
[8] Mas eu imaginava que talvez ela astutamente tivesse se apropriado do penhor que com outra mulher eu houvera deixado.
[9] Entretanto, não ousei me aproximar dela até este dia, já que enfim compreendi que tinha cometido horrendo pecado em Israel.
[10] Além do mais, os homens daquela cidade me garantiram que ali não havia ocorrido nenhum noivado, de modo que aquela mulher só podia ter vindo de outro lugar, e se pôs ali apenas por alguns instantes.
[11] Por outro lado, julguei que ninguém soubesse que eu tinha me envolvido com Tamar.
[12] Foi depois dessas coisas que nós descemos para o Egito, a ter com José, pois a fome assolava a nossa terra.
[13] Naquela época eu contava com quarenta e seis anos, e já se passaram setenta e três anos desde que aqui chegamos.

