[1] Cópia do testamento de Naftali, o qual ele ordenou à época da sua morte, aos cento e trinta anos de idade. Quando os seus filhos se reuniram ao seu redor, no primeiro dia do sétimo mês, estando ele ainda a desfrutar de boa saúde, deu um grande banquete com bastante comida e vinho. Ao amanhecer, ele já estava desperto, e lhes falou: É chegado o tempo da minha morte – mas eles não o acreditaram.
[2] Porém ele exaltou ao Senhor, e com muita veemência lhes assegurou que “haveria de morrer logo depois do banquete daquela noite”. Por isso começou a lhes falar:
[3] Escutem, meus filhos; vós, filhos de Naftali, ouçam as palavras de vosso pai. Eu sou o filho de Bila, pois uma vez que Raquel concordou em que a minha mãe se deitasse com Jacó em seu lugar, ela concebeu, e me gerou sobre os joelhos dela (Raquel), e foi por essa razão que me chamou de Naftali. Ora, Raquel muito me amou por eu ter nascido sob o seu regaço, e sendo eu ainda jovem ela veio me beijar, e disse: Quem me dera pudesse te dar um irmão do meu próprio ventre! – De onde advém que José lhe tenha sido tão amado, pois era a resposta de todas as orações de Raquel.
[4] Mas eu sou filho de Bila, filha de Roteu, o irmão de Débora, uma criada de Raquel, a qual havia nascido no exato dia em que a própria Raquel nascera. Roteu era caldeu, da parentela de Abraão, temia a Deus, era bem-nascido e nobre, mas foi tomado cativo, e vendido a Labão, que lhe deu a sua criada Euna como esposa.
[5] Euna gerou uma filha a quem chamou Zilpa, para recordar do vilarejo em que ela mesma foi feita escrava. Depois ela deu à luz a Bila, e disse: Minha filha tem atração por novidade, pois tão logo nascera foi logo me agarrando o peito para mamar.

