Aviso ao leitor
Este livro - Testamento dos Doze Patriarcas - é um escrito judaico do período do Segundo Templo, provavelmente composto entre os séculos II a.C. e II d.C., com possíveis interpolações cristãs posteriores. A obra apresenta discursos atribuídos aos filhos de Jacó e circulou amplamente na Antiguidade como literatura edificante e sapiencial. Não integra o cânon bíblico nas tradições protestante, católica romana ou ortodoxa, sendo classificado como literatura pseudepigráfica. Sua inclusão nesta biblioteca tem finalidade histórica, literária e comparativa, contribuindo para o entendimento do ambiente religioso e moral do judaísmo antigo e de sua influência sobre o cristianismo primitivo, sem implicar canonização ou equiparação de autoridade às escrituras reconhecidas pelas diferentes tradições cristãs.
[1] Eu contei essas duas visões ao meu pai, e ele me disse: Essas coisas hão de se cumprir no seu determinado tempo, depois que Israel tiver suportado muitas aflições. E meu pai outra vez me disse: Eu creio em Deus, e sei que José está vivo, pois tenho notado que o Senhor sempre o inclui na conta dos meus filhos. E com lágrimas ele lamentou: Ai de mim, meu filho José! Tu vives, embora eu não possa te ver!
[2] Assim Jacó me constrangia a chorar sob as suas palavras, e eu rasgava o coração, desejoso de lhe dizer que José tinha sido vendido aos ismaelitas, mas temia os meus irmãos.

