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[1] Ao contrário, os que ensinam os mitos inventados pelos poetas não podem oferecer nenhuma prova aos jovens que os aprendem de cor. E nós demonstramos que foram ditos por obra dos demônios perversos, para enganar e extraviar o gênero humano.

[2] Com efeito, ouvindo os profetas anunciarem que Cristo viria e que os homens ímpios seriam castigados através do fogo, colocaram na frente muitos que se disseram filhos de Zeus, crendo que assim conseguiriam que os homens considerassem as coisas a respeito de Cristo como um conto de fada, semelhante aos contados pelos poetas.

[3] Tudo se propagou principalmente entre os gregos e outras nações, onde mais os demônios tinham ouvido, pelo anúncio dos profetas, que se deveria crer em Cristo.

[4] Nós colocaremos às claras que, embora ouvindo o que dizem os profetas, não o entenderam exatamente, mas parodiaram como charlatães aquilo que se refere a Cristo.

[5] Como já dissemos, o profeta Moisés é mais antigo do que todos os escritores e por ele, como já indicamos, foi feita esta profecia: “Não faltará príncipe de Judá, nem chefe de seus músculos, até que venha aquele a quem está reservado, e ele será a esperança das nações, amarrando seu jumentinho na sua videira e lavando sua roupa no sangue da uva”.

[6] Ouvindo essas palavras proféticas, os demônios disseram que Dioniso tinha sido filho de Zeus, ensinaram que ele tinha inventado a vinha, introduziram o asno em seus mistérios e propagaram que ele, depois de ter sido esquartejado, subiu ao céu.

[7] Acontece, porém, que na profecia de Moisés não aparecia com clareza se aquele que devia nascer seria Filho de Deus, nem se aquele que deveria montar o jumentinho permaneceria na terra ou subiria ao céu. Por outro lado, o nome de jumentinho, originariamente, pode tanto significar a cria do asno como do cavalo. Assim, não sabendo se a profecia deveria ser tomada como símbolo de sua vinda montado num jumentinho de asno ou num potro de cavalo, nem se seria filho de Deus, como dissemos, ou de homem, os demônios inventaram que Belerofonte, homem nascido de homens, subiu ao céu montado no cavalo Pégaso.

[8] Como também ouviram por outro profeta, Isaías, que haveria de nascer de uma virgem e que por sua própria virtude subiria ao céu, adiantaram-se com a lenda de Perseu.

[9] Pela mesma razão, conhecendo o que fora dito dele nas profecias anteriormente citadas: “Forte como um gigante para percorrer seu caminho”, inventaram um Hércules forte, que andava peregrinando por toda a terra.

[10] Por fim, ao inteirarem-se que estava profetizado que ele curaria todas as enfermidades e ressuscitaria mortos, nos trouxeram a fábula de Asclépio.

[11] Todavia, em nenhum lugar e em nenhum dos supostos filhos de Zeus arremedaram a crucificação, por não tê-la entendido, pois, conforme dissemos antes, tudo o que se refere à cruz foi dito de forma simbólica.

[12] Ela é justamente, como predisse o profeta, o maior símbolo de sua força e de seu império, como se manifesta ainda pelas mesmas coisas que caem sob os nossos olhos.

[13] Com efeito, considerai se tudo o que existe no mundo pode ser administrado ou ter comunicação entre si sem essa figura.

[14] De fato, não é possível sulcar o mar se esse troféu de vitória, que aqui se chama vela, não se mantém de pé no navio; sem ela não se ara a terra; também os cavadores e artesãos não realizam o seu trabalho sem instrumentos que têm essa figura.

[15] A própria figura humana não se distingue em qualquer outra coisa dos animais irracionais, senão por ser reta, poder abrir os braços e levar, partindo de frente, proeminente, o chamado nariz, pelo qual se verifica a respiração do animal, e que não mostra outra coisa que a forma da cruz.

[16] E o profeta falou desta maneira: “A respiração diante do nosso rosto, Cristo Senhor”.

[17] E ainda as vossas próprias insígnias deixam manifesta a força dessa figura, isto é, vossos estandartes e troféus de vitória, com os quais em todo lugar realizais as vossas marchas, mostrando os sinais do império e do poder, até quando o fazeis sem vos dar conta deles.

[18] As próprias imagens de vossos imperadores, quando morrem, são consagradas por vós com essa figura, e vós os chamais deuses em vossas inscrições.

[19] Uma vez que os exortamos pelo raciocínio e por uma figura patente, na medida de nossas forças, daqui por diante nós não nos sentiremos irresponsáveis, mesmo que continueis incrédulos, pois o que dependia de nós já foi feito e chegou ao fim.

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