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[1] Nos livros dos profetas já encontramos anunciado que Jesus, nosso Cristo, deveria vir nascido de uma virgem; que ele chegaria à idade adulta, curaria toda doença, toda fraqueza e ressuscitaria dos mortos; que seria invejado, desconhecido e crucificado; que morreria, ressuscitaria e subiria aos céus; que ele é e se chama Filho de Deus; que ele enviaria alguns para proclamar essas coisas a todo o gênero humano e seriam os homens das nações aqueles que mais creriam nele.

[2] E essas profecias foram feitas umas cinco, outras três, outras dois mil e outras mil e oitocentos anos antes que ele aparecesse no mundo. Com efeito, é sabido que os profetas se sucederam uns aos outros, de geração em geração.

[3] Moisés, que foi o primeiro dos profetas, disse literalmente: “Não faltará príncipe de Judá, nem chefe saído de seus músculos, até que venha aquele a quem está reservado. Ele será a esperança das nações, amarrando seu jumentinho à vinha e lavando sua roupa no sangue da uva”.

[4] Portanto, é vosso dever averiguar com todo o rigor e inteirar-vos até quando os judeus tiveram príncipe e rei saído deles, até à aparição de Jesus Cristo, nosso Mestre e intérprete das profecias desconhecidas, tal como foi de antemão dito pelo Espírito Santo profético, por meio de Moisés, que não faltaria príncipe dos judeus até aquele para o qual está reservada a realeza.

[5] Judá foi o antepassado dos judeus, e dele os judeus receberam esse nome, e vós, depois da aparição de Cristo, imperastes sobre os judeus e vos apoderastes de toda a sua terra.

[6] As palavras: “Ele será a esperança das nações” queria dizer que gente de todas as nações esperará novamente a sua vinda, coisa que podeis ver com os vossos próprios olhos e comprovar na realidade, pois gente de todas as raças de homens espera aquele que foi crucificado na Judéia, depois de cuja morte imediatamente a terra dos judeus foi tomada ao poder de lanças e entregue a vós.

[7] A expressão: “Amarrando seu jumentinho à vinha e lavando sua roupa no sangue da uva” era símbolo do que havia de acontecer a Cristo e do que seria feito por ele.

[8] Com efeito, foi assim que, na entrada de certa aldeia, estava um jumentinho amarrado a uma parreira, e ele mandou que seus discípulos lho levassem e, depois que o jumentinho foi levado, montou sobre ele e assim entrou em Jerusalém, onde estava o maior templo dos judeus, o mesmo que mais tarde foi destruído por vós.

[9] Depois da entrada em Jerusalém, ele foi crucificado, a fim de que se cumprisse o resto da profecia.

[10] De fato, a passagem de que lavaria sua roupa no sangue da uva, era anúncio antecipado de sua paixão, significando que sofreria para lavar, com seu sangue, aqueles que acreditariam nele.

[11] Com efeito, o que o Espírito divino chama pelo profeta “sua roupa”, são os homens que crêem nele, nos quais habita a semente que procede de Deus, e que é o Verbo.

[12] E fala-se também do “sangue da uva”, para dar a entender que aquele que havia de aparecer teria certamente sangue, mas não de sêmen humano, e sim de virtude divina.

[13] O Verbo é a primeira virtude ou potência depois de Deus, Pai e soberano de todas as coisas, e Filho seu.

[14] Como esse se tornou carne e nasceu homem, nós o diremos mais adiante.

[15] De fato, do mesmo modo que o sangue da uva não é feito pelo homem, mas por Deus, da mesma forma dava-se a entender nessas palavras que o sangue de Cristo não procederia de sêmen humano, mas de virtude de Deus, como já dissemos.

[16] E Isaías, outro profeta, diz a mesma coisa com outras palavras: “Levantar-se-á uma estrela de Jacó e uma flor subirá da raiz de Isaí; e as nações esperarão sobre o seu braço”.

[17] Com efeito, uma estrela brilhante se levantou e uma flor subiu da raiz de Isaí, que é Cristo.

[18] De fato, ele foi concebido com a força de Deus, por uma virgem descendente de Jacó, que foi pai de Judá, antepassado dos judeus, de quem eu já falei; segundo o oráculo, Isaí foi o seu avô e Cristo, segundo a sucessão das gerações, é filho de Jacó e de Judá.

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