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[1] Escutai agora como foi literalmente profetizado por Isaías que Cristo seria concebido por uma virgem. Ele diz o seguinte: “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe porão o nome ‘Deus conosco’”.

[2] O que os homens poderiam considerar incrível e impossível de acontecer, Deus o indicou antecipadamente por meio do Espírito profético, para que quando acontecesse não lhe fosse negada a fé e sim, justamente por ter sido predito, fosse acreditado.

[3] Esclareçamos agora as palavras da profecia para que, por não entendê-la, objetem o mesmo que nós dizemos contra os poetas quando nos falam de Zeus que, para satisfazer sua paixão libidinosa, uniu-se com diversas mulheres.

[4] Portanto, “Eis que uma virgem conceberá” significa que a concepção seria sem relação carnal, pois, se esta houvesse, ela não mais seria virgem; mas foi a força de Deus que veio sobre a virgem e a cobriu com a sua sombra e fez com que ela concebesse permanecendo virgem.

[5] Foi assim que naquele tempo o mensageiro, enviado da parte de Deus à mesma virgem, deu-lhe a boa notícia, dizendo: “Eis que conceberás do Espírito Santo em teu ventre e darás à luz um filho, que se chamará Filho do Altíssimo, e lhe porás o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo de seus pecados”. Assim nos ensinaram os que consignaram todas as lembranças referentes ao nosso Salvador Jesus Cristo, e nós lhes demos fé, pois o Espírito Santo profético, como já indicamos, disse pelo citado Isaías que o geraria.

[6] Portanto, por Espírito e força que procede de Deus não é lícito entender senão o Verbo, que é o primogênito de Deus, como Moisés, profeta antes mencionado, o deu a entender. Vindo ele sobre a virgem e cobrindo-a com sua sombra, não por meio de relação carnal, mas por sua força, fez com que ela concebesse.

[7] Quanto a Jesus, é nome da língua hebraica que significa em grego Sotér, isto é, Salvador.

[8] Daí que o mensageiro disse à virgem: “Tu lhe porás o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo de seus pecados”.

[9] Que aqueles que profetizam não são inspirados por nenhum outro, mas pelo Verbo divino, suponho que mesmo vós o admitis.

[10] Escutai agora como Miquéias, outro profeta, predisse o lugar da terra em que ele nasceria. Assim diz: “E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre os príncipes de Judá, pois de ti sairá o chefe que apascentará o meu povo”.

[11] Sabe-se que há no país dos judeus uma aldeia que dista de Jerusalém trinta e cinco estádios e que nela nasceu Jesus Cristo, como podeis comprovar pelas listas do recenseamento feitas sob Quirino, que foi o vosso primeiro procurador na Judéia.

[12] Também foi predito que Cristo, depois de nascer, viveria oculto aos outros homens até a idade adulta. Escutai o que foi dito antecipadamente a esse respeito.

[13] É o seguinte: “Um menino nasceu, um pequenino nos foi dado, cujo império está sobre os ombros”, aludindo essas palavras à força da cruz, à qual, ao ser crucificado, juntou os ombros, como a sequência do discurso mostrará mais claramente.

[14] E, de novo, o mesmo profeta Isaías, inspirado pelo Espírito profético, disse: “Eu estendi as minhas mãos para um povo que não crê e contradiz, aos que andam por um caminho que não é bom”.

[15] “E agora me vêm pedir julgamento e têm a ousadia de aproximar-se de Deus”.

[16] E outra vez, por meio de outro profeta, diz com outras palavras: “Eles transpassaram meus pés e minhas mãos, e lançaram sorte sobre a minha roupa”.

[17] Na verdade, Davi, rei e profeta, que disse isso, não sofreu nada disso, mas Jesus Cristo estendeu as suas mãos quando foi crucificado pelos judeus que o contradiziam e falavam que ele não era o Messias.

[18] Com efeito, como disse o profeta, levaram-no arrastando e, fazendo-o sentar-se numa cadeira de juiz, disseram-lhe: “julga-nos”.

[19] “Transpassaram as minhas mãos e os meus pés” significava os cravos que na cruz transpassaram seus pés e mãos.

[20] E depois de crucificá-lo, aqueles que o crucificaram lançaram sorte sobre as suas roupas e as repartiram entre si.

[21] Que tudo isso aconteceu assim podeis comprová-lo pelas Atas redigidas no tempo de Pôncio Pilatos.

[22] Citamos também a profecia de outro profeta, Zacarias, que literalmente profetizou que ele montaria sobre um jumentinho e desse modo entraria em Jerusalém.

[23] São estas as suas palavras: “Alegra-te muito, filha de Sião; dá gritos, filha de Jerusalém. Eis que o teu rei vem a ti manso, montado sobre um jumento, sobre um jumentinho, filho de um animal de jugo”.

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