[1] Escutai o que foi predito pelo Espírito profético sobre a devastação futura da terra dos judeus. As palavras foram ditas como que na pessoa daqueles que se maravilham com o acontecido.
[2] São as seguintes: “Sião ficou deserta, Jerusalém ficou solitária, e a casa, nosso santuário, foi profanada; a glória que nossos pais bendisseram tornou-se presa do fogo e todas as suas maravilhas se fundiram.
[3] A esse respeito, tu suportaste, te calaste e nos humilhaste muito”.
[4] Que Jerusalém tenha ficado deserta, tal como fora predito, é coisa de que estais bem convencidos.
[5] E não só se predisse a sua devastação, mas também, pelo profeta Isaías, que a nenhum deles seria permitido habitar nela, com estas palavras: “A terra deles está deserta, e os próprios inimigos a devoram diante deles; e deles não haverá ninguém que nela se encontrasse e decretastes pena de morte contra o judeu que nela habite”.
[6] Que vós mesmos montastes guarda para que ninguém nela fosse encontrado, é coisa que sabeis perfeitamente.
[7] Que nosso Cristo curaria todas as enfermidades e ressuscitaria mortos, escutai as palavras com que isso foi profetizado.
[8] São estas: “Diante dele, o coxo saltará como cervo e a língua dos mudos se soltará, os cegos recobrarão a vista, os leprosos ficarão limpos e os mortos ressuscitarão e começarão a andar”.
[9] Que tudo isso foi feito por Cristo, vós o podeis comprovar pelas Atas redigidas no tempo de Pôncio Pilatos.
[10] Sobre como foi de antemão indicado que ele haveria de ser morto, juntamente com os homens que nele esperam, escutai as palavras do profeta Isaías.
[11] “Eis como pereceu o justo, e ninguém reflete em seu coração; varões justos são tirados do meio, e ninguém considera. O justo é tirado da vista da iniqüidade, e ficará em paz: seu sepulcro é tirado do meio”.
[12] Novamente olhai o que o profeta Isaías diz: os povos das nações que não o esperavam, iriam adorá-lo; ao contrário, os judeus que o esperavam, o desconheceram quando ele veio. As palavras são ditas na pessoa de Cristo.
[13] Ei-las: “Manifestei-me aos que não perguntavam por mim, fui encontrado por aqueles que não me buscavam. Eu disse: ‘Eis-me aqui’ a uma nação que não invocava o meu nome.
[14] Estendi minhas mãos a um povo que não crê e contradiz, aos que andam por caminho não bom, mas atrás de seus pecados.
[15] O povo que me exaspera está diante de mim”.
[16] Foi assim que os judeus, que possuíam as profecias e esperavam continuamente Cristo, quando este veio não o reconheceram; e não apenas isso, pois inclusive o maltrataram.
[17] Ao contrário, os gentios, que nunca tinham ouvido falar dele até que os apóstolos, tendo saído de Jerusalém, lhes contaram sua vida e lhes entregaram as profecias, cheios de alegria e de fé, renunciaram aos ídolos e se consagraram ao Deus ingênito, por meio de Cristo.
[18] Que de antemão foram conhecidas essas ignomínias que se propagariam contra os que confessam a Cristo e como são miseráveis aqueles que o blasfemam, dizendo que é bom preservar os antigos costumes, escutai como o profeta Isaías o diz brevemente.
[19] São suas as palavras: “Ai daqueles que chamam amargo ao doce e doce ao amargo!”.
[20] Escutai agora as profecias relativas à paixão e desonras que, feito homem, ele sofreria por nós, e a glória com que voltará.
[21] São estas: “Porque entregaram sua alma à morte e foi contado entre os iníquos, ele tomou os pecados de muitos e se reconciliará com os iníquos.
[22] Eis que meu servo entenderá, será levantado e glorificado muito.
[23] Do mesmo modo como muitos ficarão atônitos à tua vista — tão desonrada está a tua figura diante dos homens e tua glória tão longe dos homens — assim muitas nações ficarão maravilhadas e reis permanecerão silenciosos, porque aqueles para os quais não foi anunciado verão, e os que não ouviram, entenderão.
[24] Senhor, quem creu naquilo que ouviu de nós? Para quem foi revelado o braço do Senhor? Anunciamos diante dele como menino, como raiz em terra sedenta.
[25] Ele não tem beleza nem glória; nós o vimos e não tinha beleza nem formosura, mas o seu aspecto estava desonrado e debilitado em comparação com os homens.
[26] Homem sujeito ao açoite e que sabe suportar a enfermidade, seu rosto está escondido, foi desonrado e desprezado.
[27] Leva sobre si nossos pecados e padece por nós, e nós consideramos que ele estava em fadiga, em açoite e desgraça.
[28] Ele foi ferido por causa de nossas iniqüidades e debilitado por causa de nossos pecados. A disciplina da paz estava sobre ele, fomos curados por sua chaga.
[29] Todos nós andávamos errantes como ovelhas, cada um se desviou pelo próprio caminho.
[30] Entregou-se por nossos pecados e, ao ser maltratado, não abre a boca. Foi levado como ovelha ao matadouro; como cordeiro que fica mudo diante daquele que o tosquia, ele também não abre a boca.
[31] Em sua humilhação, o seu julgamento foi tirado.
[32] Depois de ser crucificado, até seus discípulos o abandonaram e negaram.
[33] Depois, porém, quando ressuscitou dentre os mortos e foi visto por eles, depois que lhes ensinou a ler as profecias nas quais estava predito que isso deveria acontecer, e o viram subir ao céu e creram, depois que receberam a força que de lá lhes foi enviada por ele, espalharam-se entre todo tipo de homens, ensinaram-lhes todas essas coisas e foram chamados apóstolos.
[34] O Espírito profético, a fim de fazer-nos entender que quem padece essas coisas é de origem inexplicável e reina sobre seus inimigos, assim disse: “Quem explicará a sua geração? De fato, sua vida é arrebatada da terra, pelas iniqüidades deles caminha para a morte.
[35] Em lugar de sua sepultura darei os mares e por sua morte os rios, porque ele não cometeu iniqüidade e nem se achou engano em sua boca e o Senhor quer purificá-lo do açoite.
[36] Se oferecerdes pelo pecado, vossa alma verá descendência duradoura.
[37] O Senhor quer afastar a alma dele da fadiga, mostrar-lhe luz, formá-lo na inteligência, justificar o justo que serviu bem a muitos, e ele mesmo carregará os nossos pecados.
[38] Por isso, herdará a muitos e repartirá os despojos dos fortes, porque sua alma foi entregue à morte por ter sido contado entre os iníquos, por ter carregado os pecados e ter-se entregue pelas iniqüidades deles”.
[39] Escutai como foi profetizado que ele deveria subir ao céu.
[40] Diz o seguinte: “Levantai as portas dos céus; abri-vos, portas, para que entre o rei da glória. Quem é esse rei da glória? O Senhor forte e o Senhor poderoso”.
[41] Que ele também há de vir dos céus com glória, escutai o que sobre isso foi dito pelo profeta Jeremias.
[42] Ele diz assim: “Eis como um filho de homem vem sobre as nuvens do céu, e seus anjos com ele.”

