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[1] É assim que seu muitíssimo sábio Silêncio anuncia a geração dos vinte e quatro elementos: com a Unicidade estava a Unidade e delas houve duas emissões, como já dissemos, isto é, a Mônada e o Um que, duplicando-se, ficaram quatro, pois duas vezes dois dá quatro.

[2] Em seguida, dois e quatro, somados, formam o número seis. Este seis multiplicado por quatro gera as vinte e quatro formas.

[3] Os nomes santíssimos da primeira Tétrada, inteligíveis mas inefáveis, são conhecidos somente pelo Filho e o Pai sabe de que natureza são. Os outros pronunciados por ele com gravidade, respeito e fé são estes: Inefável e Silêncio, Pai e Verdade.

[4] O número total desta Tétrada é de vinte e quatro letras, em grego: Inefável (Árretos) tem 7, Silêncio (Sigé) 5, Pai (Patér) 5, e Verdade (Alétheia) 7; somando-se duas vezes cinco e duas vezes sete dão o total de vinte e quatro.

[5] Da mesma forma a segunda Tétrada: Lógos (Logos) e Zoé (Vida), Homem (Ánthropos) e Igreja (Ekklesía), tem o mesmo número de elementos.

[6] O nome exprimível do Salvador (Iesous) é de seis letras, o inexprimível de vinte e quatro.

[7] Os nomes Filho Cristo (Yihòs Chreistós) têm doze letras, mas o que é inexprimível de Cristo tem trinta letras.

[8] Por isso Marcos diz que ele é alfa e ômega (= 801), para indicar a pomba (peristerá), ave que tem este número.

[9] Jesus tem, diz ele, esta origem inefável. Da Mãe de todas as coisas, isto é, da primeira Tétrada, teve origem, como filha, a segunda e se formou a Ogdôada da qual derivou uma Década e assim se formou o número dezoito.

[10] Ora, a Ogdôada multiplicada por dez produziu o número oitenta, multiplicada outra vez por dez deu oitocentos, de forma que o número total das letras que se forma dos produtos das Ogdôadas pelas Décadas é oito, oitenta e oitocentos (888), isto é, Jesus (Iesous).

[11] Jesus, conforme os números correspondentes às letras gregas, dá como total 888. Eis claramente, segundo eles, a origem supraceleste de Jesus.

[12] Por isso o alfabeto grego tem oito unidades, oito dezenas, oito centenas que indicam o número 888, isto é, Jesus, que se compõe de todos os números e é chamado alfa e ômega, que significam a sua origem de todos.

[13] E ainda desta maneira: somando-se progressivamente os números da primeira Tétrada, aparece o número 10; de fato 1+2+3+4=10. Este número, representado pelo io ta, ele o identifica com Jesus.

[14] Diz também que Cristo (Chreistós) tem oito letras e que por meio delas é indicada a primeira Ogdôada que, combinada com o número 10, produziu o número 888.

[15] Diz-se ainda, acrescenta ele, Filho Cristo, e temos a Duodécada: Yihòs tem quatro letras e Chreistós oito, que somadas mostram a grandeza da Duodécada.

[16] Antes que o número insigne deste Nome, isto é, Jesus, aparecesse aos filhos, os homens encontravam-se em grande ignorância e erro, mas quando foi manifestado o nome com seis letras, revestido de carne para descer até a sensibilidade do homem, tendo em si mesmo o seis e o vinte e quatro, então os que o conheceram deixaram de ser ignorantes e passaram da morte à vida, porque este nome se tornou para eles o caminho que os conduziria ao Pai da Verdade.

[17] O Pai de todas as coisas, com efeito, decidiu eliminar a ignorância e destruir a morte. Ora, a eliminação da ignorância era a gnose do Pai. Por isso foi escolhido o homem estabelecido na sua vontade à imagem da Potência do alto.

[18] Da Tétrada originaram-se os Éões e nela estavam o Homem e a Igreja, o Logos e a Zoé.

[19] Destes, portanto, foram emitidas Potências que geraram aquele Jesus que apareceu sobre a terra. Gabriel assumiu o lugar do Logos, o Espírito Santo o da Zoé, o Poder do Altíssimo o do Homem e a Virgem o da Igreja.

[20] Assim, segundo ele, o homem econômico foi gerado por meio de Maria, e, passando pelo seio dela, o Pai de todos o elegeu por meio do Logos para que fosse conhecido por ele.

[21] Vindo à água, desceu sobre ele, na forma de pomba, Aquele que subiu ao alto e completou o número doze. Nele estava a semente daqueles que foram semeados com ele e com ele desceram e subiram.

[22] Chamou semente do Pai à potência que desceu porque tinha nela o Pai, o Filho e a potência indizível do Silêncio conhecida por meio deles e todos os Éões.

[23] Este seria o Espírito que falou pela boca de Jesus, que se declarou Filho do homem e revelou o Pai, que desceu sobre Jesus e se uniu a ele.

[24] Destruiu a morte, diz Marcos, aquele que foi constituído pela economia Salvador Jesus e Cristo Jesus fez conhecer seu Pai.

[25] Jesus é o nome daquele que foi constituído homem pela economia e posto como semelhança e forma daquele Homem que devia descer nele.

[26] Quando o recebeu, recebeu também o próprio Homem e o próprio Logos, o Pai, o Inefável, o Silêncio, a Verdade, a Igreja e a Zoé.

[27] Tudo isso supera os ais e os ai de mim! e todas as exclamações trágicas e interjeições de dor.

[28] Quem não desprezaria este poeta e artífice de mentiras ao ver, por obra de Marcos, a Verdade transformada em ídolo e marcada pelas letras do alfabeto?

[29] Tanto recentemente como desde as origens, ontem ou antes, como se costuma dizer, os gregos afirmam que no início receberam de Cadmos 16 letras do alfabeto e que depois, com o passar do tempo, eles mesmos inventaram, quer as aspiradas, quer as duplas e que recentemente, por último, Palámedes acrescentou as longas.

[30] Ora, antes de isso acontecer entre os gregos, não podia existir a Verdade. Porque és tu, Marcos, que o dizes: seu corpo é posterior ao tempo de Cadmos e seus antecessores, posterior ao dos que acrescentaram as outras letras, posterior também a ti: com efeito, somente tu rebaixaste a ídolo a Verdade anunciada por ti.

[31] Haverá quem possa admitir o teu Silêncio tão loquaz, que nomeia o Éon inefável, que expõe o invisível, que perscruta o imperscrutável?

[32] Como podes dizer que abriu a boca quem não tem corpo nem forma e que pronunciou um verbo semelhante a qualquer vivente, invisível na forma, de trinta letras e quatro sílabas?

[33] Será, portanto, semelhante ao Logos o Pai de todas as coisas, que tu dizes ser composto de trinta letras e quatro sílabas?

[34] Quem poderá entender como teu esquema e teus números, que ora são trinta, ora vinte e quatro, ora somente seis, abrangem o Criador, o Demiurgo, o Autor do Verbo de Deus, ao reduzires a quatro sílabas e trinta letras?

[35] Ao rebaixares o Senhor de todas as coisas, aquele que firmou os céus, ao número 888, como fizeste com as duas letras extremas do alfabeto?

[36] Ao dividires até o Pai, que contém tudo e nada o pode conter, em Tétrada, Ogdôada, Déca da e Duodécada, e servindo-te de tais multiplicações do Pai que, como tu dizes, é o inexprimível e o inconcebível?

[37] Quando, para o que dizes sem corpo e sem substância, crias uma matéria e substância com muitas letras geradas umas das outras, tornando-te falso Dédalo e artífice incompetente da Potência mais sublime?

[38] Ao dividires a substância, que afirmas indivisível, em letras mudas, vogais e semivogais, e atribuires ao Pai e à sua Entímese, dentre todas as letras, as mudas?

[39] As tuas mentiras levaram todos os que acreditam em ti às maiores blasfêmias e à impiedade máxima.

[40] Portanto, aplicam-se justamente à tua temeridade as invectivas que o velho Arauto da Verdade, inspirado do alto, dirigia-te nestes versos:

[41] Artífice de ídolos és, Marcos, ilusionista.

[42] Experto na arte mágica e na astrologia;

[43] Com eles confirmas erros de doutrina.

[44] Apresentando prodígios aos que são enganados por ti,

[45] Obras daquela Potência apóstata

[46] Que teu pai Satanás te concede

[47] Fazer pelo demoníaco poder de Azael, que tem em ti

[48] O precursor da funesta maldade contra Deus.

[49] Estas as palavras do ancião que amava a Deus. Quanto a nós, tentaremos expor-te brevemente a longa sequência de mistérios e tornar manifesto o que esteve escondido por muito tempo: poderão assim mais facilmente ser detestadas e condenadas por todos.

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