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[1] Quero expor-te ainda como, segundo eles, foi feita a criação, à imagem das coisas invisíveis, pelo Demiurgo, sem que ele o soubesse, graças à intervenção da Mãe.

[2] Em primeiro lugar, dizem, foram produzidos os quatro elementos: fogo, água, terra e ar, à imagem da Tétrada superior.

[3] As operações respectivas que lhes pertencem, isto é, calor e frio, úmido e seco, representam fielmente a Ogdôada.

[4] Derivadas dela enumeram as dez potências, a saber: sete corpos esféricos que chamam céus; depois, em volta deles, uma esfera a que chamam oitavo céu; e depois, o sol e a lua.

[5] Estes corpos, que são dez, dizem que são imagem da Década invisível emitida pelo Logos e Zoé.

[6] A Duodécada seria indicada pelo círculo chamado Zodíaco.

[7] Os doze signos, dizem, representam manifestamente a Duodécada, filha do Homem e da Igreja, e foram pintados como que por uma sombra.

[8] E o céu supremo que com sua mole se opõe à rotação velocíssima do universo e com seu peso trava-lhe a velocidade, faz com que o giro de um signo a outro se cumpra no intervalo de trinta anos, é imagem, dizem, do Limite que contém dentro e si a Mãe deles, que tem o número trinta.

[9] Também a Lua que dá a sua volta ao céu em trinta dias, com este número de dias indica os trinta Éões.

[10] E o Sol, que gira em círculo e cumpre a sua apocatástase em doze meses, manifesta por meio deles a Duodécada.

[11] Também os dias, que têm a medida de doze horas, são a figura da invisível Duodécada.

[12] Até as horas, que são um dozeavo do dia, são compostas de trinta partes para representar a Triacôntada.

[13] O círculo do Zodíaco é subdividido em 360 partes e cada signo tem 30: assim, no círculo vêem conservada a imagem da conjunção do 12 com o 30.

[14] A própria terra, dizem, dividida em 12 zonas nas quais recebe sucessivamente, a prumo, um poder peculiar do céu, gerando prole semelhante à potência que exerce seu influxo, seria figura claríssima da Duodécada e seus filhos.

[15] Além disso, dizem que o Demiurgo, querendo imitar a infinitude, a eternidade, a ilimitabilidade e a intemporalidade da Ogdôada e não tendo o poder de reproduzir a estabilidade e perpetuidade dela, por ser ele fruto de uma degradação, reduziu esta eternidade em períodos e tempos numerosíssimos, pensando imitar a infinidade dela com a multiplicidade dos tempos.

[16] Então, dizem, ao se afastar dele a Verdade, sobreveio a mentira; por isso a sua obra será destruída quando se completarem os tempos.

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