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[1] E ao mesmo tempo que afirmam estas coisas acerca da criação, cada um deles encontra, dentro de suas possibilidades, sempre algo de novo, porque entre eles é perfeito somente quem é fecundo das maiores mentiras.

[2] Mas é necessário também indicar os argumentos arranjados, que tiram dos profetas, para ter argumentos contra eles. Moisés, dizem, começando a descrever a obra da criação, indica logo desde o início a Mãe de todas as coisas quando diz: No princípio Deus fez o céu e a terra.

[3] Ao nomear estes quatro: Deus, o princípio, o céu e a terra, descreveu, a seu ver, a Tétrada; ao dizer: A terra era invisível e ainda não organizada, manifestaria o aspecto invisível e escondido dele.

[4] Teria depois falado da segunda Tétrada, derivada da primeira, assim eles dizem, ao nomear o abismo e as trevas, as águas nelas contidas e o Espírito que pairava sobre as águas.

[5] Teria depois lembrado a Década falando da luz, do dia, da noite, do firmamento, da tarde, da manhã, do seco, do mar, da erva e, em décimo lugar, das árvores: com os dez nomes teria indicado os dez Éões.

[6] Da mesma forma teria indicado a potência da Duodécada ao nomear o sol e a lua, as estrelas e as estações, os anos, os cetáceos, os peixes, as serpentes, as aves, os quadrúpedes, os animais e, acima de tudo isso, em décimo segundo lugar, o homem.

[7] Assim ensinam eles, o Espírito falou da Triacôntada por meio de Moisés.

[8] Também o homem, feito à imagem da Potência do alto, possui dentro de si uma potência que deriva da única fonte. Ela seria situada na região do cérebro e dela derivariam quatro potências, à imagem da Tétrada do alto, chamadas, a primeira, visão; a segunda, audição; a terceira, olfato; a quarta, paladar.

[9] A Ogdôada seria representada no homem porque tem duas orelhas e dois olhos, duas narinas e um paladar para o amargo e outro para o doce.

[10] O homem, na sua totalidade, formaria a imagem da Triacôntada deste modo: nos dedos das mãos traz a Década; o corpo, dividido em doze partes, a Duodécada; de fato, eles dividem o corpo do homem da mesma forma que o da Verdade, de que falamos acima; quanto à Ogdôada, que é inefável e invisível, é imaginada escondida nas vísceras.

[11] Dizem ainda que o sol, o luminar maior, foi feito no quarto dia para indicar o número da Tétrada.

[12] As cortinas do tabernáculo feito por Moisés, que eram de bisso, púrpura violeta, escarlate e carmesim, segundo eles, apresentariam a mesma imagem.

[13] O peitoral do sacerdote, enfeitado com quatro séries de pedras preciosas, simbolizaria a Tétrada.

[14] Afinal, tudo o que nas Escrituras indica o número quatro dizem que foi escrito para indicar a Tétrada.

[15] A Ogdôada, indicada pelo fato de que o homem foi criado no oitavo dia; às vezes, dizem que foi criado no sexto dia, outras no oitavo ou então que no sexto dia teria sido criado o homem terreno e no oitavo o homem carnal, porque eles distinguem estas duas coisas.

[16] Alguns pensam que uma coisa é o homem macho e fêmea, criado à imagem e semelhança de Deus, que seria o homem pneumático, e outra coisa o homem tirado da terra.

[17] A economia da arca do dilúvio, na qual oito homens foram salvos, afirmam que indica manifestamente a Ogdôada salvífica.

[18] A mesma coisa indicaria Davi, oitavo entre os irmãos, como também a circuncisão que se fazia no oitavo dia indicaria a circuncisão da Ogdôada superna.

[19] E tudo o que na Escritura indica o número oito dizem que atualiza o mistério da Ogdôada.

[20] A Década seria significada nos dez povos que Deus prometeu dar em poder a Abraão; e, igualmente, pela economia de Sara que, depois de dez anos, lhe entregou sua serva Agar para que pudesse ter dela um filho.

[21] O servo de Abraão, enviado a Rebeca, que junto ao poço lhe dá os braceletes de ouro que pesavam dez siclos; os irmãos dela que o retêm por dez dias; Jeroboão que recebeu os dez cetros; os dez átrios do tabernáculo, as colunas de dez côvados; os dez filhos de Jacó, enviados a primeira vez ao Egito para comprar trigo; e os dez apóstolos aos quais apareceu o Senhor ressuscitado, quando Tomé não estava presente, todos representariam a Década da invisível.

[22] A Duodécada, na qual se produziu o mistério da paixão da degradação, da qual, segundo eles, foram formadas as coisas visíveis, encontra-se em todo lugar com sinais claros e manifestos.

[23] Por exemplo: os doze filhos de Jacó, dos quais se originaram as doze tribos, o peitoral com suas várias partes, as doze pedras preciosas e os doze guizos, as doze pedras que Moisés levantou no monte, as doze pedras que Josué pôs no rio e as outras na outra margem, os doze homens que transportavam a arca, as doze pedras que Elias usou para o sacrifício do bezerro, o número dos apóstolos, tudo o que se refere ao número doze dizem que representa a Duodécada.

[24] A unidade de todos os Éões que eles chamam de Triacôntada é indicada pela arca de Noé, alta trinta côvados, por Samuel que faz sentar Saul no primeiro lugar entre os trinta convidados, por Davi que se esconde por trinta dias no campo e pelos trinta homens que entraram com ele na caverna, e pelo comprimento do santo tabernáculo que era de trinta côvados.

[25] E tudo o que encontram equivalente a este número dizem que quer indicar a Triacôntada.

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