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[1] Dizem também que o seu Protopai é conhecido somente pelo que nasceu dele, o Unigênito, isto é, o Nous, que é invisível e incompreensível para todos os outros Éões. Segundo eles, o Nous era o único a deleitar-se em ver o Pai e a exultar ao contemplar a sua grandeza sem medida. Ele pensava também em participar aos outros Éões a grandeza do Pai, quer enquanto grande e extenso, quer também enquanto era sem princípio, incompreensível e invisível. Mas, pela vontade do Pai, o Silêncio o deteve nesta vontade de levar todos os Éões à compreensão e ao desejo de indagar sobre o seu Protopai. E, da mesma forma, todos os outros Éões desejavam secretamente ver o gerador de sua semente e contemplar aquela que é a sua Raiz sem princípio.

[2] Mas o último e mais novo Éon da Duodécada, gerado pelo Homem e a Igreja, isto é, Sofia, excitou-se grandemente e sofreu a paixão mesmo sem o abraço do cônjuge, o Desejado; essa paixão, nascida ao redor do Nous e da Verdade, propagou-se neste Éon, isto é, Sofia, que foi alterada, com aparência de amor, mas, na realidade, de temeraridade, porque não se comunicara ao Pai perfeito da mesma forma que ao Nous. A paixão consistia na procura do Pai: queria — dizem — compreender a sua grandeza e como não lhe fosse possível pelo fato de prender-se ao impossível, entrou em grande angústia por causa da grandeza do Abismo, da imperscrutabilidade do Pai e do amor por ele. Lançando-se sempre para a frente, seria finalmente absorvida pela doçura do Pai e dissolvida na substância universal se não tivesse encontrado o Poder que consolida e guarda os Éões fora da grandeza inefável. A esta grandeza dão o nome de Limite: seguro por ela e consolidado, quando, com dificuldade, voltou a si e já convencido de que o Pai é incompreensível, abandonou a primitiva Entímese juntamente com a paixão pela qual fora tomado por causa do assombro e da admiração.

[3] Alguns deles transformam esta paixão e retorno de Sofia em mito: querendo fazer uma coisa impossível e incompreensível gerou uma substância amorfa, da forma que era possível a uma mulher. Examinando-a, primeiramente entristeceu-se por causa do fruto incompleto do parto, em seguida teve medo de que ele perecesse, e por fim, como que fora de si e apavorada, isto é, confusa, procurava a causa disso e como poderia esconder o que tinha nascido dela. Submersa por estas angústias, tomou o caminho de volta e procurou recorrer ao Pai. Depois de curto espaço perdeu as forças e elevou suas súplicas ao Pai e com ela rezaram também os outros Éões, especialmente o Nous. Dizem que é este o início primevo da substância material: a ignorância, a tristeza, o medo e o assombro.

[4] Além desses Éões, o Pai gera por meio do Unigênito, sem esposa e sexo, à sua imagem, o acima citado Limite. Às vezes, porém, dizem que o Pai tem o Silêncio como cônjuge, outras, que não há nele distinção de sexo. O Limite é chamado também Cruz, Redentor, Emancipador, Delimitador e Guia. E é justamente por meio do Limite — dizem eles — que Sofia foi purificada e reintegrada na sizígia. Porque, quando foi separada de Entímese com a paixão que a tinha atingido, continuou a ficar dentro do Pleroma; mas a sua Entímese com paixão própria, separada, crucificada, expulsa dele pelo Limite, dizem que seria uma substância pneumática, com impulso natural de Éon, porém sem forma nem substância, porque não as recebeu. Eis por que este parto seria um fruto fraco e feminino.

[5] Depois que esta Entímese foi afastada do Pleroma dos Éões e que sua Mãe foi reintegrada na sizígia, o Unigênito, pela vontade do Pai, emitiu outro par, a fim de que nenhum outro Éon sofresse a mesma paixão: estes são o Cristo e o Espírito Santo, que completariam os Éões. Com efeito, o Cristo ensinou-lhes a natureza da sizígia e os tornou capazes e idôneos para conhecer e entender o Ingênito e proclamou no meio deles o conhecimento do Pai, que é incompreensível e inatingível, que ninguém pode ver nem entender a não ser por meio do Unigênito. E a causa da permanência eterna dos Éões é o que há de incompreensível no Pai, e a causa de seu nascimento e formação é o que há de compreensível nele, porque ele é Filho. São estas as coisas que o Cristo, agora gerado, operou neles.

[6] O Espírito ensinou a todos do mesmo modo a dar graças e introduziu-os no verdadeiro repouso. Por isso — dizem eles — os Éões foram constituídos todos iguais, da mesma igualdade e forma de pensamento e todos se tornaram Nous, Logos, Homem e Cristo, e, semelhantemente, os Éões femininos se tornaram todos Verdade, Vida, Espírito e Igreja. Estabilizados e gozando de repouso perfeito, os Éões — afirmam eles — cantaram com grande alegria um hino ao Protopai, comunicador da grande alegria. Por este benefício, numa única vontade e pensamento de todo o Pleroma dos Éões, com o consentimento do Cristo e do Espírito, cada um deles trouxe e pôs em comum o que tinha de mais excelente e belo; e por harmoniosa composição e cuidadosa união fizeram, em honra e glória do Abismo, uma emissão de beleza perfeita e astro do Pleroma, fruto perfeito, Jesus, que também se chama Salvador, Cristo e Logos, nomes que derivam do Pai, e o Tudo, porque produzido por todos. E com ele e em sua honra e dos Éões, foram emitidos, para a sua guarda, os Anjos, da sua mesma natureza.

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