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[1] É conveniente que a sua versão da redenção seja invisível e incompreensível, por ser a mãe dos incompreensíveis e invisíveis. E sendo instável não pode ser descrita de forma clara e unânime, uma vez por todas: de fato, cada um deles transmite-a como quer e há tantas redenções quantos são os mestres desta doutrina misteriosa. Que esta estirpe tenha sido enviada por Satanás para a negação do batismo da regeneração em Deus e a destruição de toda a fé o exporemos e refutaremos no lugar mais oportuno.

[2] Dizem que esta redenção é necessária para os que receberam a gnose perfeita para serem regenerados na Potência suprema, pois do contrário é impossível entrar no Pleroma, porque, segundo eles, é esta que conduz à profundidade do Abismo.

[3] O batismo de Jesus, quando se manifestou, era para a remissão dos pecados, mas a redenção para a perfeição foi-lhe concedida pelo Cristo que desceu sobre ele; o batismo era psíquico, mas a redenção, pneumática.

[4] Com efeito, o batismo que João pregava era para a remissão dos pecados, mas a redenção para a perfeição foi realizada pelo Cristo. E é isto que ele quer dizer com as palavras: “Há outro batismo com que devo ser batizado e me lanço ardentemente para ele”.

[5] Ainda, o Senhor apresentou esta redenção aos filhos de Zebedeu quando a mãe deles lhe pediu que os mandasse sentar à sua direita e à esquerda no reino, ao dizer: “Podeis ser batizados com o batismo com que eu devo ser batizado?”

[6] Dizem que também Paulo indicou claramente e muitíssimas vezes a redenção que está em Cristo Jesus; redenção que eles ensinam com tanta variedade e divergência.

[7] Alguns deles imaginam um quarto nupcial e cumprem um rito místico acompanhado de invocações sobre os iniciados e afirmam que o que fazem são núpcias espirituais à semelhança das sizígias do alto.

[8] Outros os levam junto à água e ao batizá-los dizem: Em nome do Pai, desconhecido por todos, na Verdade, Mãe de todos, naquele que desceu sobre Jesus, para a união e redenção e comunicação das Potências.

[9] Outros usam palavras hebraicas para causar admiração e medo nos iniciados: Basyma cacabasa eanaa irraumista diarbada caeota bafobor camelanthi, que significam: Invoco o que está acima de toda Potência do Pai, que se chama Luz, Espírito e Vida, porque reinaste no corpo.

[10] Outros ainda anunciam a redenção assim: O nome oculto a toda Divindade, Dominação e Verdade que Jesus Nazareno assumiu nas zonas da luz, Cristo Senhor que vive pelo Espírito Santo, para a redenção dos Anjos, nome da restauração: Messia ufar magno in seenchaldia mosomeda eaacha faronepseha Ie-su Nazarene; que se traduz: Não divido o Espírito, o coração e a misericordiosa e supraceleste Potência de Cristo: possa fruir do teu nome, Salvador da Verdade.

[11] Estas as palavras que pronunciam os consagrantes. O consagrado responde: Sou conformado e redimido e resgato a minha alma deste Éon e de todos que estão nele no nome de Iao, que resgatou a sua alma para a redenção no Cristo vivente.

[12] Os presentes dizem: Paz para todos sobre os quais repousa este nome. Depois disto ungem o iniciado com bálsamo; dizem que este ungüento é figura do perfume derramado sobre todas as coisas.

[13] Alguns deles dizem que é supérfluo levar à água e então misturam óleo e água e, pronunciando algumas palavras semelhantes às que referimos acima, derramam a mistura sobre a cabeça dos iniciandos. Nisto consistiria a redenção.

[14] Eles também ungem com bálsamo. Outros, recusando tudo isto, dizem que não se deve realizar por meio de criaturas visíveis e corruptíveis o mistério da Potência invisível e inefável, nem representar por meio de coisas sensíveis e corpóreas as incorpóreas e insensíveis.

[15] A redenção perfeita é o conhecimento da Grandeza inefável; pois é da ignorância que saíram a decadência e a paixão; é pela gnose que será abolido todo o estado de coisas saídas da ignorância.

[16] É, pois, a gnose a redenção do homem interior. Esta redenção não é nem somática, pois o corpo é corruptível, nem psíquica, pois a alma também provém da decadência e é apenas a morada do espírito; ela é, pois, necessariamente pneumática.

[17] Outros redimem os moribundos na hora da agonia derramando sobre a cabeça deles óleo e água ou ungüento misturado com água, com as invocações de que falamos acima para que se tornem impossíveis de agarrar e invisíveis aos Principados e Potestades, e o homem superior suba aos espaços invisíveis enquanto o corpo é deixado ao universo criado e a alma entregue ao Demiurgo.

[18] E ordenam-lhes que, depois de mortos, ao chegar junto das Potências digam estas palavras: Eu sou filho do Pai, do Pai preexistente, filho no Preexistente. Vim para ver todas as coisas que são minhas e que me são estranhas; na verdade, não completamente, porque pertencem a Acamot, a Mulher que as fez para si e me deu a estirpe do Preexistente, e estou de volta para aquilo que era meu de onde eu vim.

[19] Dizendo isto, deverá esgueirar-se e fugir das Potências. E ao chegar aos companheiros do Demiurgo deverá dizer-lhes: Eu sou vaso precioso, mais precioso do que a Mulher que vos gerou.

[20] Se vossa Mãe ignora a sua origem, eu conheço a mim mesmo e sei de onde eu sou e invoco a incorruptível Sofia que está no Pai, Mãe de vossa Mãe, que não tem Pai nem cônjuge macho; Mulher nascida de Mulher, vos criou não conhecendo a Mãe dela, imaginando estar sozinha: eu invoco a Mãe dela.

[21] Ao escutar estas palavras, os companheiros do Demiurgo se perturbarão violentamente e se irritarão com a sua origem e a raça da Mãe deles: e o iniciado irá para o que é seu, atirando fora os liames, isto é, a alma.

[22] Isto é o que chegou até nós acerca da regeneração, mas devido às diferenças que há entre eles na doutrina e no ensinamento, e também ao fato de que os mais recentes se esforçam por frutificar a cada dia algo de novo que ninguém tenha pensado, resta difícil transcrever as opiniões de todos.

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