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[1] Originando-se destes de quem falamos acima, já surgiram muitas ramificações das muitas heresias, pelo fato de muitos deles, ou melhor, de todos eles quererem ser mestres. Afastando-se da seita em que se encontravam, derivando uma teoria da outra e desta, outra; ensinando sempre algo de novo, apresentam-se a si mesmos como inventores da teoria por eles arquitetada.

[2] Assim, por exemplo, os que se chamam encratitas, que se inspiram em Saturnino e Marcião, proclamam a abstenção do casamento, condenando a primitiva instituição divina e acusando falsamente Aquele que fez o homem e a mulher ordenados à procriação.

[3] Introduziram o celibato dos chamados espirituais com gesto de ingratidão para com Deus, criador de todas as coisas, e negam também a salvação do primeiro homem. Esta é invenção original e atual, quando um Taciano qualquer introduziu, pela primeira vez, essa blasfêmia.

[4] Enquanto esteve na escola de Justino como ouvinte não manifestou nenhuma dessas teorias, mas depois do martírio dele se separou da Igreja e, ufanando-se da glória do mestre e julgando-se superior a todos, deu nova característica à teoria.

[5] Como os discípulos de Valentim, conta a história dos Éões invisíveis, como Marcião e Saturnino, tacha o casamento de corrupção e fornicação, e no que lhe é próprio, nega a salvação de Adão.

[6] Outros ainda, inspirando-se em Basílides e Carpócrates, introduzem o amor livre, a poligamia e a indiferença no consumo das carnes oferecidas aos ídolos, dizendo que Deus não se importa nem muito nem pouco com isso.

[7] E que mais? Não é possível estabelecer o número dos que de uma forma ou de outra se afastaram da verdade.

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