[1] Além destes simonianos de que falamos, igual a cogumelos despontou da terra a multidão de gnósticos barbelonitas e exporemos os pontos principais da sua doutrina. Alguns supõem um Éon que nunca envelhece, que está num espírito virginal, que chamam Barbelo, em que se encontra também um Pai inefável, que se quis manifestar a Barbelo.
[2] Tendo surgido esta Enóia, ela se lhe pôs à frente e pediu a Prognose. Ao surgir também a Prognose, e a um novo pedido destes, surgiram a Incorruptibilidade e depois a Vida eterna. Ufanando-se Barbelo por causa deles, olhando para a Grandeza, concebeu na alegria de vê-la e gerou uma Luz semelhante a esta Grandeza. Este é, dizem, o princípio da iluminação e da geração de todas as coisas.
[3] O Pai, vendo esta Luz, ungiu-a com a sua benignidade, para que se tornasse perfeita: ela é o Cristo, dizem. O Cristo, por sua vez, como dizem, pediu que lhe fosse concedida Nous como ajuda: e Nous foi produzida. Além destes, o Pai emitiu o Logos. Então se uniram Enóia e Logos, Incorruptibilidade e Cristo, Vida eterna e Telema, Nous e Prognose. Eles todos glorificavam a grande Luz e Barbelo.
[4] De Enóia e Logos foi emitido Autógenes, imagem da grande Luz que, dizem, foi sumamente honrado e ao qual foram submetidas todas as coisas. Com ele foi também emitida a Verdade e se formou a sizígia de Autógenes e Verdade.
[5] Da Luz, que é Cristo, e da Incorruptibilidade foram emitidos quatro Luminares, afirmam, para ficarem em volta de Autógenes; de Telema e Vida eterna foram feitas quatro emissões para ficarem a serviço dos quatro Luminares, que se chamam Cáris, Télesis, Súnesis e Frónesis.
[6] Cáris foi entregue ao grande e primeiro Luminar, que dizem ser o Salvador e que se chama Armozel; Télesis foi entregue ao segundo, que chamam Raguel; Súnesis ao terceiro, que chamam Davi; e Frónesis ao quarto, que chamam Eleleth.
[7] Estabelecidas todas estas coisas, Autógenes emitiu o Homem perfeito e verdadeiro que chamam Adamante, porque nem ele foi domado, nem aqueles dos quais foi emitido; e este Homem, junto com o primeiro Luminar, foi afastado de Armozel.
[8] De Autógenes e do Homem, foi emitida a Gnose perfeita que se uniu a ele. Eis por que o homem conheceu Aquele que está acima de todas as coisas e lhe foi conferida força invencível pelo Espírito virginal. E todas as coisas, agora que descansam, louvam o grande Éon por isso tudo.
[9] Daqui, dizem, é que foram conhecidos a Mãe, o Pai e o Filho. De Homem e Gnose nasceu uma árvore à qual também dão o nome de Gnose.
[10] Em seguida, do primeiro Anjo que assiste a Monógenes foi emitido, asseveram, o Espírito Santo, que chamam também Sofia e Prunico. Esta, vendo que todos os outros tinham o seu par e ela não, procurou um para unir-se com ele.
[11] Como não encontrasse ninguém, esforçava-se, estendia-se para olhar para as regiões inferiores pensando que encontraria um, e não o encontrando inquietou-se e entristeceu-se porque se esforçara sem o beneplácito do Pai.
[12] Depois, movida pela simplicidade e pela bondade, gerou um complexo de Ignorância e Presunção que eles dizem ser o Protoarconte, artífice deste universo.
[13] Ele tirou um grande poder de sua Mãe e se afastou dela nas regiões inferiores e criou o firmamento do céu, no qual dizem que mora. Sendo a Ignorância, criou as Potências que estão abaixo dele, os Anjos, os firmamentos e todas as coisas da terra.
[14] Em seguida uniu-se à Presunção e gerou a Iniquidade, o Ciúme, o Homicídio, a Vingança e a Paixão. Gerados estes, a Mãe Sofia fugiu e se refugiou contristada nas alturas, enquanto, a contar de baixo, se formou a Ogdôada.
[15] Quando ela se afastou, julgando estar só, disse: “Eu sou um Deus ciumento e afora eu não há nenhum”. Estas são as mentiras deles.

