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[1] O povo recebeu todos os dons, oblações e sacrifícios como tipo, do único e mesmo Deus, cujo nome é agora glorificado pela Igreja em todas as nações, conforme foi mostrado a Moisés no monte.

[2] E as coisas terrenas, que estão à nossa volta, podem ser o tipo das celestes, feitas pelo mesmo Deus: outro teria sido incapaz de conformá-las à imagem das coisas espirituais.

[3] Mas pretender que as coisas celestes e espirituais, que são para nós invisíveis e inefáveis, sejam o tipo de outras coisas celestes e de outro Pleroma e que Deus seja a imagem de outro Pai é próprio de quem se afastou da verdade, é obtuso e louco.

[4] Esses tais, como já mostramos várias vezes, ver-se-ão obrigados a inventar continuamente os tipos dos tipos e as imagens das imagens sem nunca poder fixar seu espírito no único e verdadeiro Deus.

[5] Seus pensamentos foram para além de Deus, nos seus corações se elevaram acima do Mestre, julgando assim ter-se elevado e posto em posição mais alta, quando, na realidade, somente se afastaram do verdadeiro Deus.

[6] Justamente, alguém lhes poderia dizer, como sugere a própria Escritura: Visto que elevastes os vossos pensamentos acima de Deus, exaltando-vos de maneira desconsiderada — ouvistes dizer que os céus foram medidos aos palmos —, dizei-me qual é a sua medida e a quantidade inumerável dos côvados!

[7] Dizei-me o seu volume, a largura, o comprimento e a altura, o princípio e o fim da extensão, coisas que o coração do homem nunca conceberá nem entenderá.

[8] Pois são verdadeiramente grandes os depósitos dos tesouros celestes; incomensurável para o coração, ininteligível para a mente é o Deus que encerra em seu punho a terra.

[9] Quem saberá somente qual é a medida do dedo da sua mão direita?

[10] Quem poderá compreender o tamanho de sua mão que mede o incomensurável e fixa a medida dos céus e encerra em seu punho a terra com seus abismos, que contém em si a largura, o comprimento, a profundidade e a altura de toda a criação visível, sensível, inteligível e invisível?

[11] Por isso, Deus está sobre todo princípio, poder, dominação e toda coisa que tenha nome, e toda coisa feita e criada.

[12] É ele que enche os céus e perscruta os abismos, e que está com cada um de nós: “Eu sou Deus vizinho — diz — e não Deus afastado. Se o homem se esconder num esconderijo eu não o verei?”

[13] Sua mão contém todas as coisas: é ela que ilumina os céus, que ilumina tudo o que está debaixo deles e que perscruta os rins e os corações, que está presente nos lugares ocultos, nos nossos segredos e abertamente nos alimenta e protege.

[14] Se o homem não entende a extensão e o poder da própria mão como poderá entender ou conceber em seu coração um Deus tão grande?

[15] Ora, como se já o tivessem medido, perscrutado e repassado inteiramente, estes imaginam acima dele outro Pleroma de Éões e outro Pai.

[16] Com isso, longe de se elevar à contemplação das coisas celestes, eles, na verdade, descem ao abismo da demência.

[17] De fato, eles dizem que seu Pai acaba onde começa o que está fora do Pleroma e que, por sua vez, o Demiurgo não chega ao Pleroma, afirmando com isso que nenhum dos dois é perfeito nem contém em si todas as coisas, porque faltaria ao primeiro a produção de tudo o que está fora do Pleroma e ao segundo a produção do que está dentro do Pleroma e assim nenhum dos dois seria o Senhor de todas as coisas.

[18] Ora, é evidente para todos que ninguém pode expressar a grandeza de Deus a partir das coisas criadas e quem pensa de maneira digna de Deus proclamará que não é a grandeza que lhe falta, e mais, que é ela que sustenta todas as coisas e se estende até nós.

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