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[1] Nos últimos tempos, “quando chegou a plenitude do tempo” da liberdade, o Verbo em pessoa e por si mesmo “lavou as manchas das filhas de Sião”, lavando com suas mãos os pés dos discípulos, isto é, da humanidade que no fim recebia Deus em herança.

[2] Como no início, por causa dos primeiros homens, todos fomos reduzidos à escravidão e tornados devedores da morte, assim, no fim, por causa dos últimos, todos os que foram discípulos desde o princípio, foram purificados e lavados das coisas da morte e tiveram acesso à vida de Deus: porque quem lavou os pés dos discípulos santificou e levou à purificação o corpo inteiro.

[3] Eis por que lhes servia o alimento quando estavam recostados para indicar os que jaziam na terra, aos quais viera comunicar a vida; como diz Jeremias: “O Senhor, o Santo de Israel, se lembrou de seus mortos que dormiam na terra das tumbas e desceu até eles para lhes anunciar a boa nova da salvação, para os salvar”.

[4] Por isso, os olhos dos discípulos estavam cansados quando Cristo veio para a paixão. Encontrando-os adormecidos, primeiramente os deixou ficar assim, para indicar a paciência de Deus diante do sono dos homens; mas vindo segunda vez os acordou e os fez levantar, para indicar que a sua paixão devia acordar os discípulos que dormiam; e era para eles que “desceu nas partes inferiores da terra”, para ver com seus olhos os seres inacabados da criação, acerca dos quais dizia aos discípulos: “Muitos profetas e justos desejaram ver e ouvir o que vós vedes e ouvis”.

[5] Cristo não veio somente pelos que creram nele no tempo de Tibério César; e o Pai não exerceu somente a sua providência para os homens de então, mas para todos os homens que desde o início, segundo as suas capacidades e seus tempos, temeram e amaram a Deus, praticaram a justiça e a bondade para com o próximo, desejaram ver o Cristo e ouvir a sua voz.

[6] Na sua segunda vinda acordará e porá todos estes homens de pé diante dos outros que serão julgados e os estabelecerá em seu reino.

[7] Único é o Deus que conduziu os patriarcas nas suas economias e “justificou os circuncisos em vista da fé e os incircuncisos pela fé”.

[8] Nós éramos prefigurados e anunciados nos primeiros e eles são representados em nós, isto é, na Igreja, e recebem o salário das suas fadigas.

[9] Por isso o Senhor dizia aos discípulos: “Eis, eu vos digo, levantai os olhos e vede os campos: eles são brancos para a colheita. O ceifador recebe o seu salário e recolhe o fruto para a vida eterna a fim de que o semeador e o ceifador se alegrem juntos. Nisto é verdadeira a palavra: um é quem semeia e outro quem recolhe. Eu vos enviei a ceifar o que não vos custou nada; outros fatigaram e vós entrastes nas suas fadigas”.

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