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[1] Estes deviam ser os filhos de Abraão que Deus suscitou das pedras e pôs ao lado dele, iniciador, patriarca e anunciador da nossa fé, que recebeu a aliança da circuncisão após a justificação pela fé sem a circuncisão, para que fossem prefigurados nele os dois testamentos e se tornasse o pai de todos os que seguem o Verbo de Deus e aceitam viver neste mundo como estrangeiros, isto é, de todos os fiéis que vêm da circuncisão e do paganismo.

[2] Como o Cristo, a pedra fundamental que sustenta tudo e reúne na única fé de Abraão todos os que, dos dois testamentos, são aptos a formar o edifício de Deus.

[3] Mas a fé do incircunciso, justamente por unir o princípio e o fim, se tornou a primeira e a última, porque antes da circuncisão se encontrava em Abraão e em todos os outros justos que agradaram a Deus, como o demonstramos; e novamente, nos últimos tempos, reapareceu na humanidade pela vinda do Senhor.

[4] A circuncisão e a Lei ocuparam o período médio dos acontecimentos.

[5] Isto é demonstrado simbolicamente por Tamar, a nora de Judá, além de outros muitos sinais. Quando dava à luz os gêmeos, um deles apresentou primeiro a mão, e a parteira, pensando que era o primogênito, lhe amarrou na mão um fio escarlate, como sinal.

[6] Depois disso ele retraiu a mão e veio à luz primeiro o irmão Farés e em segundo lugar Zara, aquele que tinha o fio escarlate.

[7] Com isso a Escritura indica claramente o povo que tem o sinal do fio escarlate, isto é, a fé sem a circuncisão; fé que inicialmente se mostrou nos patriarcas e que depois se retirou, para que nascesse seu irmão.

[8] Assim o que se mostrou em primeiro lugar, nasceu como segundo filho e era reconhecível pelo sinal do fio escarlate que trazia e que simbolizava a paixão do Justo, prefigurada no início por Abel, descrita pelos profetas, que se cumpriu, no final dos tempos, no Filho de Deus.

[9] Era necessário que algumas coisas fossem preanunciadas pelos patriarcas ao modo dos patriarcas; outras pelos profetas, ao modo da Lei, e, finalmente, outras recebessem dos que obtiveram a adoção uma forma correspondente à sua conformação ao Cristo: todas, porém, são mostradas em um único Deus.

[10] Abraão, sendo uma só pessoa, prefigurava os dois testamentos em que alguns semearam e outros ceifaram: Nisto — se diz — mostra-se verdadeira a palavra: “um é o povo que semeia e outro o que ceifa”; mas é único o Deus que dá a cada um o que lhe convém, a semente ao semeador e o pão como alimento ao ceifador; exatamente como um é o que planta e outro quem rega, mas é um só Deus quem faz crescer.

[11] Os patriarcas e os profetas semearam as palavras que se referem a Cristo, e a Igreja ceifou, isto é, recolheu os frutos.

[12] É por isso que eles pedem seja levantada nela a sua tenda, como diz Jeremias: “Quem me dará no deserto a última habitação?”, para que o “semeador e o ceifador se alegrem juntos” no reino de Cristo, que está presente a todos para os quais, desde o início, Deus quis que o Verbo estivesse presente.

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