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[1] Portanto, agora como então, o justo julgamento de Deus é o mesmo que então era feito de forma típica, temporária e limitada e agora de forma verdadeira, para sempre e com rigor; — o fogo, com efeito, é eterno e a ira de Deus será revelada pela face de nosso Senhor, — como diz Davi: “A face do Senhor está sobre os que fazem o mal para fazer desaparecer da terra até sua memória” — que infligirá castigo maior aos que caírem em seu poder.

[2] O presbítero mostrava como são insensatos os que, com o pretexto dos castigos sofridos pelos que então desobedeceram a Deus, tentam introduzir outro Pai, contrapondo tudo o que o Senhor fez, quando da sua vinda e na sua misericórdia, para salvar os que o receberam e silenciando sobre o seu juízo e sobre a sorte reservada aos que ouviram a sua palavra e não a praticaram, e que era melhor para eles não terem nascido, e que será mais tolerável, no julgamento, a sorte de Sodoma e Gomorra do que a daquela cidade que não recebeu a palavra de seus discípulos.

[3] Como no Novo Testamento aumentou a fé dos homens em Deus, recebendo em acréscimo o Filho de Deus, de sorte que o homem se torna partícipe de Deus, e também cresceu o aperfeiçoamento da conduta, visto que se nos ordena não somente abster-nos das ações más, como também de todo mau pensamento, de palavras ociosas e licenciosas, assim o castigo dos que não crêem no Verbo de Deus, desprezam a sua vinda e voltam atrás é aumentado, e, de temporal que era, se tornou eterno.

[4] Aqueles aos quais o Senhor dirá: “Ide longe de mim, malditos, para o fogo eterno”, serão condenados para sempre; e todos aqueles aos quais dirá: “Vinde, benditos de meu Pai, recebei a herança do reino que vos foi preparada para sempre”, receberão para sempre o reino e progredirão nele.

[5] Pois há um só e idêntico Deus Pai, e o seu Verbo está presente desde sempre na humanidade, se bem que por meio de economias diversas, e operando de muitas maneiras, salvando desde o início os que são salvos — os que amam a Deus e seguem o Verbo de Deus segundo a sua condição — e condenando os que são condenados, isto é, os que esquecem a Deus, blasfemam e ofendem o seu Verbo.

[6] Os hereges de que falamos, mesmo sem se dar conta, acusam o Senhor no qual dizem crer. Com efeito, o que eles opõem a quem outrora condenou os desobedientes e golpeou os egípcios, enquanto salvava os que lhe obedeciam, atinge também o Senhor que condena para a eternidade os que condena e absolve para a eternidade os que absolve.

[7] Nas palavras deles, o Senhor seria a causa do pecado máximo, dos que o prenderam e o transpassaram. Se ele não viera daquela forma eles nunca se tornariam os carnífices do Senhor; se não lhes enviara os profetas eles nunca os matariam, como não teriam matado os apóstolos.

[8] Aos que nos acusam e dizem: se os egípcios não fossem atingidos pelas pragas e se não se tivessem afogado no mar quando perseguiam Israel, Deus não poderia salvar o seu povo, nós responderemos: se os judeus não tivessem morto o Senhor — o que lhes fez perder a vida eterna — e se, matando os apóstolos e perseguindo a Igreja, não tivessem caído no abismo da cólera, nós não poderíamos ser salvos.

[9] Com efeito, como eles foram salvos pela cegueira dos egípcios, assim nós o fomos pela dos judeus; e a morte do Senhor foi a condenação dos que o crucificaram e não creram na sua vinda e a salvação dos que crêem na sua vinda.

[10] O Apóstolo diz na segunda carta aos Coríntios: “De fato, nós somos para Deus o bom odor de Cristo para os que se salvam e para os que se perdem; para uns, perfume de morte para a morte; para outros, perfume de vida para a vida”.

[11] Para quem é perfume de morte para a morte a não ser para os que não crêem e não estão submetidos ao Verbo de Deus? E quem são os que entregaram a si mesmos à morte? Os que não creram e não se submeteram a Deus.

[12] Ao contrário, quem foram os que se salvaram e receberam a herança? Os que criam em Deus e perseveraram no seu amor, como Caleb, filho de Jefoné, e Josué, filho de Nun, e as crianças inocentes que sequer podiam pensar o mal.

[13] E quem são agora os que se salvam e recebem a vida? Não são os que amam a Deus, crêem nas suas promessas e se tornaram crianças quanto à malícia?

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