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[1] Eles objetam: Deus endureceu o coração do faraó e dos seus ministros.

[2] Por que os que fazem esta acusação não lêem o trecho do Evangelho em que os discípulos perguntam ao Senhor: “Por que lhes falas em parábolas?” e a resposta do Senhor: “Porque a vós foi dado conhecer os mistérios do reino dos céus; mas a eles falo em parábolas para que olhando não vejam e ouvindo não entendam, para que se cumpra neles a profecia de Isaías que diz: Endurece o coração deste povo, fecha-lhe os ouvidos, e torna-lhes cegos os olhos. Quanto a vós, felizes os vossos olhos que vêem o que vedes e os vossos ouvidos que ouvem o que ouvis”.

[3] É um só e mesmo Senhor que torna cegos os que não crêem nele e o negam — como o sol, sua criatura, o faz com os que, por alguma doença dos olhos, não podem ver a sua luz — ao passo que aos que crêem nele e o seguem dá uma iluminação da inteligência mais plena e maior.

[4] Da mesma forma fala também o Apóstolo na segunda carta aos Coríntios: “O Deus deste século cegou as mentes dos infiéis para que não resplandeça neles a luz do Evangelho de glória do Cristo”.

[5] E, novamente, na carta aos Romanos, diz: “Como não se esforçaram por conhecer Deus, Deus os abandonou à sua inteligência pervertida para fazer o que não é conveniente”.

[6] Na segunda carta aos Tessalonicenses, ele fala abertamente, dizendo do Anticristo: “Eis por que Deus lhes enviou uma Potência de desviação para que acreditem na mentira e sejam condenados todos os que não acreditaram na verdade e consentiram na iniqüidade”.

[7] Se, portanto, Deus, que é conhecedor de todo o futuro, abandona, agora, na sua incredulidade todos os que sabe que não acreditarão e desvia o seu rosto de homens desta espécie, abandonando-os às trevas que eles mesmos escolheram, o que há de se admirar se, naquele tempo, abandonou à sua incredulidade os que nunca teriam crido, o faraó e todos os que estavam com ele?

[8] Com efeito, o Verbo diz assim a Moisés, falando de dentro da sarça: “Eu sei que o faraó, rei do Egito, não os deixará ir embora, se não for por meio de mão poderosa”.

[9] E como o Senhor falava em parábolas provocando a cegueira de Israel, para que olhando não vissem, porque conhecia a sua incredulidade, da mesma forma endurecia o coração do faraó, porque mesmo vendo que era o dedo de Deus que fazia sair o povo, não acreditasse e se precipitasse no pélago da incredulidade, imaginando-se que o êxodo se deu por alguma mágica e que o mar Vermelho abriu passagem ao povo, não pelo poder de Deus, e sim por fenômeno natural.

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