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[1] É desta maneira que falava o presbítero, discípulo dos apóstolos, acerca dos dois Testamentos, mostrando que eles derivam de único e mesmo Deus; que não há um Deus diferente daquele que nos fez; que não tem consistência o discurso dos que dizem que este nosso mundo foi feito por meio dos anjos ou de qualquer outra potência, ou de outro Deus.

[2] Se alguém se afasta de vez do Criador de todas as coisas e admite que o nosso mundo foi feito por outro ou por meio de outro qualquer, necessariamente cai em inúmeras contradições e incongruências para as quais não poderá dar nenhuma resposta verossímil nem verdadeira.

[3] Por isso, os que introduzem teorias heterodoxas nos escondem o seu pensamento a respeito de Deus, sabendo que este é o ponto fraco de sua doutrina e temendo correr o risco de não se salvar, se vencidos.

[4] Aquele, porém, que crê que há um só Deus que fez tudo por meio de seu Verbo — como diz Moisés: “E Deus disse: que a luz se faça, e foi feita a luz”; e no Evangelho lemos: “Todas as coisas foram feitas por ele e sem ele nada foi feito”; e o Apóstolo, da mesma forma: “Um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai que está acima de todos, por meio de todos e em todos nós” —, este primeiramente se manterá “unido à Cabeça, cujo Corpo, em sua inteireza, bem ajustado e unido por meio de toda junta e ligadura, com a operação harmoniosa de cada uma das suas partes, realiza o seu crescimento para a sua própria edificação no amor”.

[5] Então toda palavra lhe será compreensível se ler as Escrituras com atenção, de acordo com os presbíteros da Igreja, junto dos quais está a doutrina apostólica, como demonstramos.

[6] Todos os apóstolos ensinaram que houve dois Testamentos para dois povos, mas que foi um só e único Deus que os deu para a utilidade dos homens e à medida que estes começavam a crer em Deus.

[7] Foi o que mostramos, por meio do ensinamento dos apóstolos, no nosso terceiro livro.

[8] Como mostramos que não foi debalde, sem motivos ou por acaso que foi dado o primeiro Testamento, o qual inclinava aqueles aos quais fora dado ao serviço de Deus e para o bem próprio — porque Deus não precisava do serviço dos homens — e era ao mesmo tempo um símbolo das coisas celestes, pois o homem ainda não podia ver com seus olhos as coisas de Deus e era imagem do que acontece agora na Igreja para confirmar a nossa fé e continha a profecia do futuro, para que o homem aprendesse que Deus conhece todo o futuro.

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