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[1] Abraão também conheceu, por meio do Verbo, o Pai que fez o céu e a terra, confessou-o Deus.

[2] Também soube, pela visão, que o Filho de Deus se tornaria homem, e, pela vinda dele, a sua posteridade se tornaria numerosa como as estrelas do céu; desejou ver aquele dia para ele também abraçar o Cristo, e tendo-o visto profeticamente, no Espírito, se alegrou.

[3] Por isso, Simeão, seu descendente, exprimia a satisfação do patriarca e dizia: “Agora deixa ir em paz o teu servo, ó Senhor, por que os meus olhos viram a tua salvação preparada, há tempo, aos olhos de todos os povos, Luz de revelação a todos os povos e Glória para o teu povo Israel”.

[4] E os anjos anunciaram aos pastores que estavam de guarda durante a noite a grande alegria; e Maria diz: “A minha alma glorifica o Senhor e o meu Espírito exultou em Deus meu Salvador”.

[5] A exultação de Abraão descia assim nos seus descendentes que vigiavam, viam o Cristo e criam nele; mas esta exultação era devolvida a Abraão que tinha desejado ver o dia da vinda do Cristo.

[6] Justamente, nosso Senhor lhe prestava testemunho, dizendo: “Abraão, vosso Pai, exultou ao pensar que veria o meu dia; ele o viu e se alegrou”.

[7] Não é somente em relação a Abraão que disse isto, mas para mostrar que todos os que, desde o início, adquiriram o conhecimento de Deus e profetizaram a vinda de Cristo, receberam a revelação do próprio Filho, que nos últimos tempos se tornou visível e palpável e conversou com o gênero humano para, das pedras, suscitar filhos de Abraão e assim cumprir a promessa que lhe fizera e tornar a sua posteridade numerosa como as estrelas do céu.

[8] É o que afirma João Batista: “Deus pode suscitar destas pedras filhos de Abraão”.

[9] E Jesus o fez tirando-nos do culto das pedras e transferindo-nos de parentela dura e estéril e criando em nós fé semelhante à de Abraão.

[10] Neste sentido Paulo afirma que nós somos filhos de Abraão pela semelhança da fé e a promessa da herança.

[11] Portanto, não há senão um só e único Deus, que chamou Abraão e lhe deu a promessa.

[12] Este é o Criador, aquele que, pelo Cristo, prepara como luminares no mundo os que dentre os gentios acreditaram.

[13] “Vós sois, diz ele, a luz do mundo”, isto é, como estrelas do céu.

[14] Este Deus não pode ser conhecido, nós afirmamos, a não ser pelo Filho e por aquele a quem o Filho o revelar, mas o Filho revela-o a todos os que o Pai quer que o conheçam e sem o beneplácito do Pai e a obra do Filho ninguém conhece Deus.

[15] Por isso o Senhor disse aos seus discípulos: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai a não ser por mim. Se me tivésseis conhecido, teríeis conhecido também meu Pai. Ora, vós o conhecestes e o vistes”.

[16] Com isto está claro que é por meio do Filho, isto é, pelo Verbo, que é conhecido.

[17] Por isso os judeus se afastaram de Deus não querendo acolher o seu Verbo, julgando poder conhecer a Deus diretamente pelo Pai sem o Verbo, isto é, sem o Filho, ignorando aquele que em forma humana falara com Abraão e com Moisés, dizendo: “Vi a aflição do meu povo no Egito e desci para libertá-los”.

[18] Eis o que preparou desde o início o Filho que é também Verbo de Deus.

[19] O Pai não precisou de anjo nenhum para criar o mundo e formar o homem pelo qual fez o mundo, como não precisou de ajuda para a organização das criaturas e a economia dos assuntos humanos, pois já tinha um serviço perfeito e incomparável, assistido que era, para todas as coisas, pela sua progênie e a sua figura, isto é, o Filho e o Espírito, o Verbo e a Sabedoria aos quais servem e estão submetidos todos os anjos.

[20] São, portanto, presunçosos os que por causa da frase: “Ninguém conheceu o Pai a não ser o Filho”, querem introduzir Pai desconhecido.

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